DIREITO PENAL III - Arts. 155 ao 234 COMENTADO
33 pág.

DIREITO PENAL III - Arts. 155 ao 234 COMENTADO


DisciplinaDireito Penal III7.969 materiais63.782 seguidores
Pré-visualização12 páginas
UNIVERSIDADE ESTACIO DE SÁ/FAP 
 DIREITO PENAL III 
RESUMO DE AULAS DE CRIMES C/ O PATRIMÔNIO 
 Prof. MsC. Luciano costa 
Mestre em Direito do Estado; professor da Universidade Estácio de Sá \u2013 FAP; professor convidado 
da UFPA no Curso de Mestrado e Especialização em Segurança Pública e Cidadania; professor da 
Escola de Governo \u2013 EGPA e professor do Instituto de Ensino de Segurança Pública do Pará \u2013 
IESP. 
 
Lembrete aos alunos: 
 
O presente material é apenas um resumo dos itens do programa de Direito Penal III, objetivando 
dá um norte dos temas abordados. Importante ressaltar que ele não substitui a necessária e 
obrigatória leitura dos livros dos doutrinadores indicados e outras jurisprudências, para que o 
aluno reforce e amplie seus conhecimentos e pontos de vista. 
 CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
O fundamento dos crimes contra o patrimônio acha-se no art. 5º da CF, quando afirma 
\u201cTodos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à igualdade, à segurança e à propriedade\u201d. 
O direito à propriedade é inviolável, e situa-se no rol dos direitos fundamentais. 
 DELITO DE FURTO \u2013 art. 155 
Furtar significa apoderar-se ou assenhorear-se de coisa pertencente a outrem. Subtrair 
significa retirar da esfera de posse do dono ou do possuidor. 
Os bens jurídicos protegidos são a posse e a propriedade da coisa móvel. 
 
FURTO SIMPLES: é o previsto no caput do artigo 155 do CP: O objeto jurídico é a 
propriedade, a posse e a detenção legítima. O objeto material é a coisa alheia móvel sem 
violência. 
Coisa para fins penais é tudo aquilo que pode ser deslocado, removido, apreendido ou 
transportado de um lugar para outro. Entretanto, por ficção jurídica, a luz, o ar, o calor, 
a água do mar ou do rio, embora não possam ser apreendidos ou utilizados em sua 
totalidade, mesmo assim pode ser aproveitados ou consumidos como força ou energia, e 
assim são objeto de furto. 
Coisa imóvel jamais poderá objeto de furto ou roubo. Entretanto, os acessórios do 
imóvel podem, tais como árvores, madeiras, plantas e todos adornos do imóvel. 
 
O elemento subjetivo é o dolo constante da vontade livre e consciente de apoderar-se 
de forma definitiva da coisa alheia móvel. 
 
Sujeito ativo: qualquer pessoa, salvo o proprietário. Também podem ser objeto de furto 
os condôminos, os co-herdeiros e os sócios, em razão de que não se pode subtrair coisa 
própria. 
Sujeito passivo: o proprietário, o possuidor ou o detentor legítimo da coisa. 
 
Objeto material, coisa móvel não abrangendo as presunções da lei civil. A energia 
elétrica ou outras de valor econômico são equiparadas a coisa móvel (CP:artigo 155, 
§ 3º). Os direitos não podem ser objeto mas, sim, os títulos que os representam, exige-se 
o valor econômico porque é crime material requerendo efetiva lesão ao patrimônio. 
 
Elemento normativo: a coisa deve ser alheia. 
Não pode ser objeto do crime de furto: res nullius (coisa sem dono, coisa de 
ninguém); res derelicta (coisa que já pertenceu a alguém, mas que foi abandonada); res 
desperdita (coisa perdida); res commune omnium (coisa de uso comum, que embora 
de uso de todos, não pode ser objeto de ocupação em sua totalidade. Entretanto, a res 
desperdita pode ser objeto de apropriação indébita, conforme artigo 169, § único, II-C 
P. 
Res communes omnium são o ar, a luz, calor do sol, água do mar ou de rios. Porém, a 
res communes pode ser parcialmente objeto de furto, quando captada e aproveitada 
como força ou energia, como por exemplo, ar liquefeito, calor do sol como força motriz, 
vento como força motriz, etc, incidindo na propriedade de alguém, e assim, podem ser 
furtadas. 
As águas de cisternas ou águas colhidas para uso de alguém podem ser objeto de furto. 
Mas o desvio ou o represamento de águas correntes alheias, em proveito próprio ou de 
outrem, tipifica o crime de usurpação de águas \u2013 art. 161, § 1, I, e não o crime de furto. 
Os direitos reais ou pessoais, a despeito do Código Civil considerá-los como coisa 
móvel (art. 83), não podem ser objeto de furto, por não serem coisas passíveis de 
apreensão, subtração, remoção ou transporte pelo agente. Contudo, os títuos ou 
documentos que os constituem ou representam podem ser furtados de seus titulares ou 
detentores. 
Também o ser humano vivo pode ser objeto de furto, em razão de que não se trata de 
coisa. No entanto, quando um cadáver pertence a uma instituição de ensino com o 
objetivo de estudo, passa a ter valor econômico, e portanto, pode ser objeto de furto 
 
Momento consumativo: com a posse tranqüila da coisa, ou saída da esfera de cuidado 
do respectivo dono ou possuidor. Ação penal pública incondicionada. Admite-se a 
tentativa. 
 
 FURTO NOTURNO - art. 155, § 1º do CP 
 
Quando o furto ocorre durante o repouso noturno, o legislador tornou mais grave o 
crime, em razão da menor vigilância que as pessoas exercem sobre seus patrimônios 
O repouso noturno pode-se dar em variados horários, mas normalmente compreende 
entre o início da noite, com o por do sol até o alvorecer. Neste período a vigilância 
fica dificultada quando a luz solar é substituída pela luz artificial. 
As expressões \u201crepouso noturno\u201d e \u201cà noite\u201d não possuem o mesmo significado, pois 
esta última pode abranger períodos anteriores e posteriores ao repouso noturno. 
Também pode configurar o furto agravado pelo repouso noturno quando o local achar-
se habitado ou não, estando seus moradores presentes ou ausentes, pois a majorante 
repouso noturno reside na maior facilidade com que o agente pode praticar o crime, 
dada a carência de vigilância durante esse período. 
Relativamente à aplicação do aumento de pena do repouso noturno ao furto 
qualificado, a maioria da doutrina e jurisprudência tem se posicionado no sentido de 
que somente cabe a majorante ao furto simples, na medida em que o furto qualificado já 
tem a punibilidade potencializada pelo dano produzido. 
 
 FURTO PRIVILEGIADO - Artigo 155 § 2º 
 
Ocorre quando o autor é primário e a coisa furtada é de pequeno valor. Preenchidas as 
condições, é direito subjetivo do agente e o juiz deve aplicar os benefícios. O juiz pode 
substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar 
somente a multa. 
Aplica-se ao furto simples quanto ao repouso noturno, excluindo-se o furto qualificado. 
Primário é aquele que já praticou crime, mas não fora condenado irrecorrivelmente. 
Reincidente é aquele que praticou um crime após o trânsito em julgado com decisão 
condenatória, enquanto não tenha decorrido o prazo de 5 anos do cumprimento da pena 
ou da extinção da pena. 
 
Coisa de pequeno valor, segundo a melhor doutrina, é aquela cuja perda pode ser 
suportada sem dificuldades pela maioria das pessoas. 
A orientação majoritária é de que pequeno valor é aquele que não ultrapassa o 
equivalente a um salário mínimo. 
Nos crimes contra o patrimônio, a recuperação da res furtiva não pode ser usado como 
causa de exclusão da tipicidade da conduta do agente. 
 
 FURTO QUALIFICADO - Artigo 155 § 4º 
 
I \u2013 Com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração. 
A violência deve ser contra o obstáculo que dificulta a subtração da coisa e não, contra a 
própria coisa ou a pessoa. Não se aplica quando é inerente à coisa. 
 
OBSTÁCULO é tudo aquilo que é empregado para proteger a coisa contra a ação do 
agente. Exemplos: ofendícula, alarme, maçaneta eletrificada, muros, paredes,
Vaneteap
Vaneteap fez um comentário
Olá, alguem poderia por gentileza me enviar via e-mail : vaneteap@gmail.com
0 aprovações
janes
janes fez um comentário
boa tarde alguém poderia me enviar esse material de penal por favor . janesmpa@hotmail.com.
1 aprovações
Queila
Queila fez um comentário
preciso desse material..aguem q possa enviar por emaiil. por favor
1 aprovações
Carregar mais