Aula Nota 10 1
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Aula Nota 10 1


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positi-
vo - um golpe de sorte. Portanto, pare de ensinar apenas quando seus alunos
respondem certo não só uma vez, mas muitas vezes em seguida. Para garantir
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a confiabilídade (a probabilidade de futuras respostas certas para perguntas
semelhantes), sempre que puder reaja às respostas certas fazendo perguntas
do tipo por quê? e como? (veja Puxe mais, Técnica 3). Assim, você obtém a
melhor informação sobre a probabilidade de um aluno responder certo da
próxima vez a uma pergunta semelhante. Se ele não conseguir explicar clara-
mente sua resposta, há um alto risco de ter dado um chute e acertado,
l Validade, Certifique-se de que a pergunta para a qual você obteve uma resposta
correta é mesmo uma medida efetiva daquilo que os alunos precisam dominar
para obter o sucesso escolar. Você precisa medir o que diz que está medindo.
Portanto, você precisa alinhar cuidadosamente as perguntas que faz para veri-
ficar entendimento, com o grau de exigência e o mesmo estilo de perguntas que
serão feitas aos alunos no final do processo. As perguntas devem assemelhar-se
e ser pelo menos tão difíceis quanto aquelas que os alunos verão na prova, na
avaliação do estado ou qualquer que seja sua medida de avaliação final.
Professores que são particularmente orientados por dados muitas vezes inse-
rem um testezinho verbal no tecido de sua aula para aumentar a quantidade e a
utilidade dos dados que coletam. James Verilli, diretor da North Star Academy
de Newark, no estado de Nova Jersey, chama a isso de ''mergulho profundo".
Quando dá aula, ele colhe amostras de um amplo leque de alunos com um con-
junto de perguntas semelhantes sobre um tópico comum para avaliar o nível de
domínio da classe inteira.
Tipos de pergunta
Embora possa usar "Entendeu?" sem mudar o formato das perguntas que faz, pen-
sar nas respostas como dados vai provavelmente mudar as suas perguntas. Você pos-
sivelmente fará muito menos perguntas do tipo sim-ou-não, já que, por ter só duas
respostas possíveis, resultam uma taxa muito mais alta de falsos positivos. Provavel-
mente terá de aprender a ser mais eficiente em "dar dicas" - embutir as respostas na
sua pergunta, como nesta sequência:
Professor: Quem pode me dizer o que significa a expressão "prestes a explodir"?
Aluno: Significa que alguém está bravo?
Professor: Bem, está um pouquinho bravo ou muito, muito bravo?
Aluno: Muito, muito bravo.
Professor: Muito bem.
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Neste caso, é difícil imaginar um aluno que pense que a resposta é "um pou-
quinho bravo". Enfim, você provavelmente vai passar a confiar muito menos na
autoavaliação do aluno, um método que os professores usam bastante - "levante
a mão se você entendeu". Os apaixonados por dados sabem que a autoavaliação
sofre de uma não confiabilidade crónica.
Observação do registro do aluno
Observar é um outro jeito de determinar se os alunos entenderam um conceito e
também resolve o problema de validade. Quando você testa a compreensão por
meio de perguntas, você não leva em conta que, na realidade, os alunos podem
muitas vezes responder certo verbalmente e errado por escrito. A observação
permite que você veja respostas escritas antes de encerrar a aula. Além disso, a
observação, que envolve circular pela sala enquanto os alunos fazem trabalho
individual em classe para verificar os níveis de compreensão, requer um investi-
mento maior de tempo, mas permite ver mais dados durante esse tempo. Como
as perguntas, esta habilidade não envolve tanto mudar a atividade em si, mas sim
olhar para a atividade com as lentes de quem busca dados. Em vez de circular
só para ver quanto tempo falta para que os alunos acabem uma tarefa ou se eles
estão mesmo trabalhando, você poderia observar o número e o tipo de erro que
estão cometendo e, se possível, anotar esses erros brevemente, de maneira que
possa organizar os dados mais tarde e usá-los como referência.
Um jeito de aumentar sua capacidade de coletar dados úteis por meio da ob-
servação é padronizar o formato daquilo que está observando. Se, por exemplo,
você está procurando informação em um mesmo ponto da folha de cada aluno,
vai encontrá-la muito mais rapidamente e poderá permanecer concentrado na
comparação das respostas de todos os alunos, em vez de avaliá-las individual-
mente. Distribuir folhas de atividades é um jeito eficiente de fazer isso. Se você
planeja antecipadamente o trabalho que deseja que os alunos façam durante a
aula, escrevendo os problemas ou perguntas em ordem em uma folha de ativida-
des que cada aluno recebe no início da aula, você sabe que a solução do proble-
ma que manda encontrar o mínimo denominador comum de 28 e 77 estará no
alto da terceira página da folha de cada aluno. Dessa forma, você minimizou o
número de coisas desimportantes que precisa processar, podendo concentrar-se
no que é mesmo importante.
Você pode dar um passo adicional ao criar, nas folhas de atividades, espaços
claros para fazer contas ou escrever respostas. A propósito, este método funcio-
na em qualquer disciplina, embora de forma ligeiramente diferente. Se a classe
está lendo um romance, por exemplo, você pode pedir aos alunos que sublinhem
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o trecho no qual a motivação do protagonista é revelada e escrever à margem
"principal indício de motivação". Aí seria fácil circular pela sala de aula e verificar
o entendimento enquanto os alunos lêem- Ou, se você não quiser ser tão detalhis-
ta, pode pedir aos alunos que escrevam um resumo de cada página com apenas
uma sentença, que deve ser escrita no alto da página do livro. Em seguida, você
pode escolher urna página relevante e comparar todas as sentenças de sua classe
para avaliar melhor os dados.
Outro jeito de aumentar sua capaci-
dade de reunir dados observáveis é usar Um jeito de aumentar suo
"cacos". Você pode rapidamente veri- capacidade de coletar dados
ficar a compreensão da classe inteira úteis pormeío da observação
ao dar a seus alunos ferramentas para é padronizar O formato
escrever suas respostas e rapidamente daquilo que esta observando.devolve-las a você. Alguns professores
usam papel de rascunho, outros arran-
jam minilousas para seus alunos. Você pode até usar as folhas de papel almaço
ou folhas de atividades e dizer "quero ver", depois circular entre eles para ob-
servar. O truque não está tanto na ferramenta usada para reunir dados, mas sim
na maneira de os reunir e em como responder à informação. Certifique-se de ob-
servar todas às respostas dos alunos. Certifique-se de que os alunos não podem
colar. Certifique-se de que suas perguntas avaliam eficientemente - e não super-
ficialmente - o domínio do conteúdo. Uma variação mais simples e eficiente do
mesmo tema é pedir aos alunos que usem sinais não verbais para revelar suas
respostas a uma série de perguntas: "Levante um dedo se você marcou a resposta
A; dois dedos, se marcou B". Só fique alerta para a habilidade de alguns alunos
para esconder sua falta de conhecimento e copiar o gesto da maioria.
IDEIA-CHAVE
ENTENDEU?
Para ser eficiente, esta técnica exige coletar dados constantemente e
agir imediatamente a partir dos resultados da análise desses dados. A
segunda parte (agir imediatamente) é mais difícil de fazer e tão impor-
tante quanto a primeira.
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INTERVIR A PARTIR DOS DADOS
A segunda parte de Entendeu? envolve intervir a partir dos dados coletados. Vale a
pena notar que toda observação do mundo não resolve seus problemas se não resul-
tar em ação. Geralmente, os professores são melhores em verificar a compreensão
dos alunos do que em agir sobre seus erros, então é imperativo não apenas agir, mas
agir imediatamente. Quanto mais curta a distância entre o reconhecimento de uma
falha na compreensão do aluno e a intervenção para consertar o problema, mais
provável será a eficiência da intervenção. Há exceções: às vezes é melhor identifi-
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