Aula Nota 10 1
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Aula Nota 10 1


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o que diria o primeiro aluno
a levantar a mão, se ele não pensar antes. Como seria a qualidade da resposta
e do debate subsequente? Quão preparados estariam os alunos para ancorar
seus argumentos em fatos?
Art previu tudo isso e pede aos alunos que comecem a escrever respostas.
Pede a eles que alinhem "duas a três características que o indivíduo precisa
ter". Esta orientação é crucial e sublinha o poder desta técnica. Se você ouvir
as respostas sem pedir a todo mundo que escreva, será como pedir a cada
aluno que tenha uma só resposta e que a conserve na cabeça. A técnica Todo
mundo escreve permitiu que Art aumentasse instantaneamente o nível de
rigor da aula e o volume de pensamento produzido pelos alunos, além de
passar a mensagem fundamental de que há muitas respostas.
Para fazer isso, o professor estava bem preparado. Nas folhas de atividades
distribuídas no início da aula, ele deixou bastante espaço para anotações. Isso
reduz o custo transacional da ativtdade (nada de sair procurando cadernos
e papéis soltos para anotar) e garante que os alunos terão um registro de
seu pensamento. No fim, o que conta é o resultado: muitos voluntários para
responder (e7 se não houvesse, o uso da técnica De surpresa não traria más
surpresas) e respostas de alta qualidade, que levaram a um proveitoso debate.
Estas seis vantagens funcionam de três formas diferentes: aumentam a qualida-
de das ideias debatidas em sua sala de aula; aumentam o número e o preparo de alu-
nos que provavelmente participarão; e, independentemente de quem fala, o exercício
aumenta a proporção de trabalho cognitivo feito pelos alunos, já que obriga todo
mundo a responder à pergunta, não apenas aqueles que debatem.
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UMAS E PAETES
"Toda aula precisa de um pouco de plumas e paetês", observou Dave Levin,
fundador das escolas KIPP, de alto desempenho. A técnica Plumas e paetês é o
brilho, o momento da aula em que você vai ver um pouco de grande produção:
música, luzes, ritmo, dança. Plumas e paetês envolve os alunos em um pouqui-
nho de mágica. Mas não se engane: Plumas e paetês não é pura arte pela arte.
Esta técnica reforça não apenas o conteúdo académico em geral, mas também
um dos objetivos de aprendizado do dia. É bem animada, mas sempre curta,
gostosa e direta ao ponto. E quando acabou, acabou.
Plumas e paetês pode ser um in-
terlúdio de 30 segundos, quando os
alunos dançam o "funk da tabuada",
cantam a "canção da divisão" ou com-
petem para ver quem faz a melhor
charada com palavras do vocabulário
do dia, para ser "campeão do denomi-
Plumas e paetês não é puro
arte pelo arte. Esta técnica
reforça não apenas o conteúdo
académico em geral, mas
também um dos objetivos de
aprendizado do dia.
nador comum" no 5° ano ou para ser
coroado "rei da geografia". É um in-
tervalo para lembrar os nomes de to-
dos os estados do Nordeste. É a apre-
sentação de uma peça de teatro sobre a história que a turrna acabou de ler ou
de discutir animadamente ou - melhor ainda - de ler e discutir. Os momentos
Plumas e paetês devem ser desenvolvidos e implementados com cuidado. Caso
contrário, podem desconcentrar os alunos e fazer tanto mal quanto bem. Aqui
estão dois princípios sólidos para projetar os momentos Plumas e paetês:
> Grande produção. Os artistas variam o tom e o ritmo, às vezes cochichando
para dar ênfase, mais tarde falando em voz ribombante, outras vezes falando de-
vagar ou muito rápido. O professor Mike Taubman, da North Star Academy, usa
estas técnicas teatrais quando lê e discute uma história com seus alunos. Durante
uma discussão sobre o conto do flautista de Hamelin, por exemplo, ele pediu aos
alunos que deduzissem a moral da história. Nas mãos de Mike, toda a dramati-
cidade da história ficou clara, até mesmo o fechamento que ele usou para ajudar
a turma a refletir sobre a moral da história. Seu ritmo era rápido e sua voz, alta,
e ele coloriu os últimos momentos da lenda: "O flautista pegou as crianças e as
escondeu em uma caverna escura". À medida que se aproximava do final, Mike
reduziu o ritmo e baixou o tom de voz, pronunciando as últimas palavras em um
Motivar os alunos nas suas aulas 161
sussurro teatral lento, enfático: "Para sempre". Quando terminou seu resumo
dramático, seguiu-se um momento de silêncio aflito e, depois, quase todas as
mãos dispararam para o alto, todo mundo querendo explicar a moral da histó-
ria. Ele conseguiu atrair seus alunos para o assunto ao usar simples truques de
grande produção.
l Como uma torneira. O professor David Berkeley, da escola charter Boston
Preparatory, incrementou sua aula sobre objeto direto com um truque simples:
instruiu os alunos para dizer "ooooh" ou "aaaaaah" sempre que um objeto dire-
to era mencionado. Para esse momento de Plumas e paetês, David explicou aos
alunos que deveria ser "Como uma torneira: você liga, depois desliga; e, quando
eu mando desligar, vocês desligam".
Durante a aula, estudando a sentença "Mamãe pôs o bebé no berço", as Plumas
e paetês de Berkeley foram mais ou menos assim:
David: Aqui está o verbo, "pôs", e no final vem "no berço". O que temos aí,
Carlos?
Carlos: É um adjunto adverbial de lugar.
David: E entre os dois, Sheila? O que é isto?
Sheila: . É o objeto direto.
Classe: Oooooh. Aaaaaah.
David: Está certo, Sheila, um objeto direto novinho, fabuloso!
Classe: Ooooooh. Aaaaaah.
David: Celso, diga à Sheila o que é o objeto direto! [pausa aqui para oooohs
e aaaahs]
Estácio: É um complemento do verbo.
David: [fazendo um movimento para imitar o fechar de uma torneira e sina-
lizar o fim dos oooohs e aaaaahs] Perfeito.
A última parte - o gesto da torneira - é crucial. É bacana jogar o jogo,
mas se ele não parar acabaria por distrair os alunos do trabalho em classe e
interferir na habilidade de David para ensinar, porque seria interrompido a
cada vez que dissesse "objeto direto". É importante inventar um jogo diverti-
do que possa ser controlado pelo professor, em vez de gerar um monstro que
adquire vida própria. David pode usá-lo de vez em quando ao longo da aula,
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mas não pode perder o controle dele. Um bom Plumas e paetês começa, é di-
vertido e acaba. Ele não ressurge quando você vira as costas, nem a cantoria
começa sem você ter mandado. Quando isso acontece, você deve agir rápido
e interromper.
l Mesmo objetivo. Plumas e paetês sempre tem um objetivo específico de
aprendizado e deve ter o mesmo objetivo da aula ou - mais ousado - da revi-
são de conteúdo já dominado, mas relacionado. David escolheu seu Plumas e
paetês para alegrar seu estudo dos objetos diretos. Mas o objetivo era ajudar
os alunos a se concentrar e a reconhecer um objeto direto, quando ele aparece
nas orações. O Plumas e paetês apoiava essa meta, não distraía dela.
> Musicais. Nos musicais, todo mundo canta a mesma música e dança os
mesmos passos de maneira sincronizada. Nas salas de aula, todo mundo pre-
cisa saber as regras. Se é uma canção, todo mundo precisa saber a letra e os
passos. Se é um jogo de tabuada, os alunos precisam saber quando levantar,
como jogar, o que fazer se perderem e assim por diante, e todo mundo deve
respeitar as regras. Se você deixar que eles cantem o que quiserem ou batam
palmas quando quiserem, pode virar uma bagunça.
l Direto ao ponto. Em qualquer atividade de grupo, os participantes podem
participar de forma negativa para expressar sutilmente seu desdém pela ativi-
dade e por quem a propôs: cantar desafinado ou alto demais, exagerar na dan-
ça ou fazer um gesto obsceno. O bom uso da técnica Plumas e paetês deve ser
cuidadosamente gerenciado e corrigido imediatamente, reforçando os padrões
de excelência. Para obter dicas sobre como fazer isso, leia as técnicas de gestão
de sala de aula: O que fazer (Técnica 37), Faça de novo (Técnica 39), Enquadra-
mento positivo (Técnica 43), 100% (Técnica 36) e Voz de comando (Técnica 38).
REFLEXÃO E PRÁTICA