Aula Nota 10 1
183 pág.

Aula Nota 10 1


DisciplinaConcursos113.067 materiais126.687 seguidores
Pré-visualização50 páginas
sua própria prática e como
você poderia usar a técnica.
Ao ler as biografias dos professores a seguir, você poderá conhecer me-
lhor cada um deles e o que pensam. Espero que esses professores lhe inspirem
tanto quanto a mini.
CONHEÇA ALGUNS DOS PROFESSORES EXEMPLARES
Dúzias de professores inspiraram as anotações que se tornaram este livro. Al-
guns são colegas com quem trabalhei e a quem admirei por anos, alguns são
Prefácio / Introdução 3 l
profissionais que encontrei uma vez ou duas e que me receberam em suas classes
ou compartilharam vídeos de suas aulas comigo. Às vezes, as anotações vieram
da observação inesperada de professores particularmente talentosos. Observan-
do todos esses professores, gradativamente acrescentei camadas de orientação
prática que eu espero que tornem este livro concreto e útil.
Mesmo assim, como o trabalho é tanto deles como meu, é importante citar
o nome daqueles que foram mais profundamente influentes. No mínimo, espero
que vocês se surpreendam com a "normalidade" deles - como eles vão para casa
todo dia, no final do dia, e encontram suas famílias, namorados e passatempos
exatamente como os seus. Eles conseguem mudar o mundo a partir de suas salas
de aula não porque nasceram com poderes especiais, mas porque dominam os
detalhes dessa arte. Eles estavam determinados a se tornarem artesãos e, com
tempo e prática, agora são artistas.
JulieJackson
A primeira turma de Julie Jackson tinha 35 alunos e só 29 carteiras. Ela era o
mais novo membro do corpo docente da Teach for America3 em Paterson, no
estado de Nova Jersey, recém-saída da faculdade. Mesmo assim, ela ganhou o
prémio de Professor do Ano. Meu colega Jamey Verilli, que na época iniciava
a North Star Academy, uma nova escola em Newark, Nova Jersey, visitou a
classe de Julie. Ele lembra a primeira vez que assistiu a uma aula dela: "Todos
os alunos estavam trabalhando. Quando ela fazia uma pergunta, todo mundo
levantava a mão. Além disso, estavam todos quietos. Eu nem acreditei". Como
professora, os resultados dela também eram inacreditáveis: além de superar de
longe as escolas vizinhas no teste estadual, seus alunos ficaram muito bem situ-
ados no ranking nacional.
Hoje, como a diretora-fundadora da North Star Academy de Newark, Nova
Jersey, ela se tornou uma lenda. Ela passou horas sem fim preparando e ensaian-
do diálogos possíveis e escrevendo anotações individuais sobre cada aluno, e
hoje ela inspira o mesmo tipo de dedicação no corpo docente de sua escola. A
dedicação exemplar surge naturalmente em Julie. Ela deixa sua casa e seus dois
filhos, Amari e Nyla, às 5h25 da manhã para tomar o ônibus com seus alunos e
só volta às 8 da noite. Passa algum tempo com a família, abre o lapíop e fica até
tarde da noite respondendo emails.
' O Teach for America é uma organização não governamental criada em 1990 nos Estados Unidos
como objetivo de recrutar jovens das melhores universidades do país para ensinar por dois anos em
escolas de comunidades pobres.
32 Aula nota 10
Bob Zimmerli
Bob Zimmerli foi a primeira pessoa que minha colega Stacey Sheíls e eu en-
trevistamos quando fundamos a Rochester Prep em Rochester, no estado de
Nova York. Pedimos para ele lecionar uma única aula de demonstração em
uma escola onde ele nunca tinha estado, em outra cidade. Ele apareceu com
apenas um lápis. Será que ele precisaria de copiadora? Não. Será que pre-
cisaria de tempo para se preparar? Não. Será que gostaria de saber alguma
coisa sobre os alunos que encontraria? Não, ele estava pronto. Stacey e eu
olhamos um para o outro e erguemos as sobrancelhas. Preparamo-nos para o
desastre, mas, em 30 segundos de aula, já sabíamos que ele seria contratado.
Mesmo sem nunca ter visto nenhuma das crianças da classe e sabendo que
provavelmente nunca as veria de novo, sem nenhuma autoridade sobre eles
exceto seu magnetismo pessoal, ele seduziu a classe completamente. Naquela
manhã, Bob redefiniu para mim a arte de ensinar, misturando sutilmente um
discurso sobre valores como humildade, respeito e diligência com uma aula
sobre casas decimais, na qual cada aluno não apenas dominou com sucesso o
objetivo da aula, como também se deu conta disso. Foi realmente um desem-
penho fascinante e, desde então, não parei de aprender com ele. E eu não sou
o único a pensar assim. A despeito do fato de que mais de 80% dos alunos
dependiam da merenda escolar para comer4, os alunos de Bob atingiram os
melhores resultados de matemática no distrito de Monroe (Rochester, Nova
York, que inclui alguns subúrbios de elite) nos últimos dois anos.
Colleen Dríggs
Vinda da cidadezinha de Holland Patent, ao norte do estado de Nova York,
Colleen Driggs traz um pouco do calor humano e do senso de responsabilida-
de das cidades pequenas para suas aulas. Em geral, a classe dela é a primeira
que os visitantes vêem na escola Rochester Prep e muitos se perguntam se ela
usa algum elixir mágico para manter todas as crianças engajadas e concentra-
das durante suas aulas de leitura. Ou é isso, ou ela "tem um talento natural".
Foi só quando filmamos a Colleen em ação que começamos a entender. Em
um vídeo que agora é famoso em sessões de capacitação, pudemos observá-la
fazendo nada menos que quinze intervenções não verbais para manter certos
alunos concentrados durante os cinco minutos em que ela deu uma aula de
vocabulário. E ela fez isso sem interromper o conteúdo ou a discussão uma
4 Nos Estados Unidos, apenas os mais pobres recebem merenda escolar gratuita. A porcentagem de
alunos que recebe esse subsídio é, portanto, uma medida do nível socioeconòmico dos alunos de uma escola.
Prefácio / Introdução 33
única vez. Era tudo invisível, exceto para o aluno ao qual ela se dirigia. A
aula propriamente dita era rica e fascinante - e o que garante o sucesso de
Colleen é um trabalho sem fim. A importância dessa lição é inestimável: para
professores extraordinários, a causa fundamental do sucesso não é talento
inato, mas sim trabalho duro, diligência e altas expectativas.
Darryl Williams
Ele é hoje diretor da escola charter para meninos Brighter Choice, em Albany, no
estado de Nova York, mas muitos anos atrás eu entrei nas suas classes de 3° ano
não consegui tomar nota de tudo. Foi lá que vi Sem escapatória pela primeira vez.
Ao vê-lo aplicar Voz de comando (Técnica 38) em um nível específico, finalmen-
te consegui escrever a respeito desta técnica. Sua maneira de lecionar para uma
classe só de meninos com índice de pobreza de 100% (essa escola dá preferência e
matrícula automática a alunos desfavorecidos) tinha uma força que era ao mesmo
tempo exigente e instigante. Ele chamava a atenção dos alunos, mas sua rigidez era
equilibrada por um indisfarçável amor. Eles fariam qualquer coisa por ele. Vendo-
-o na quadra de basquete durante o recreio, entendi que carinho e rigor não são
duas faces da mesma moeda, em que você escolhe uma ou outra, mas sim duas
moedas diferentes. Todos nós encontramos famílias de alunos que não são nem
carinhosas nem rigorosas, mas Darryl deu a volta nessa situação: ele era os dois.
Quanto mais carinhoso ele era, mais rígido ele era também. Não surpreende que
a escola que Darryl dirige tenha agora, como suas turmas tiveram no passado, as
melhores notas de Albany.
Sultana Noormuhammad
Quando eu era professor, eu era bastante rigoroso com a disciplina e a or-
dem. Portanto, não estava preparado para minha primeira visita à classe de
Sultana Noormuhammad na escola charter Leadership Prep, em Bedford-
-Stuyvesant, um bairro do distrito do Brooklyn, na cidade de Nova York. Ela
segurava um microfone e todo mundo cantava sobre matemática. Os alunos
também dançavam - provavelmente uma dança sobre matemática. Sua voz
flutuava sobre as vozes felizes dos alunos com uma alegria incontida. A ale-
gria (e a matemática) estavam por toda parte. E aí eu notei que os alunos dela
prestavam mais atenção e se comportavam muito melhor do