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Capra - A teia da vida

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TEIA DA VIDA (Fritjof Capra)
O que é a vida? O que a define? Como ela funciona?
Proposta de síntese global de todas as explicações, teorias e conceituações elaboradas nas últimas décadas sobre “o que é a vida”.
Mudança de paradigma de uma visão de mundo mecanicista para uma visão de mundo ecológica
Uma nova forma de pensar e perceber o mundo e a vida
Visão unificada de mente, matéria e vida
CAP. 1 – ECOLOGIA PROFUNDA — UM NOVO PARADIGMA
Nova compreensão científica da vida em seus diferentes níveis (organismo, sistema social, ecossistema) -> implica em uma nova percepção da realidade
CRISE DE PERCEPÇÃO
Caráter sistêmico dos problemas de nossa época (interligados e interdependentes)
[Por exemplo, somente será possível estabilizar a população quando a pobreza for reduzida em âmbito mundial. A extinção de espécies animais e vegetais numa escala massiva continuará enquanto o Hemisfério Meridional estiver sob o fardo de enormes dívidas. A escassez dos recursos e a degradação do meio ambiente combinam-se com populações em rápida expansão, o que leva ao colapso das comunidades locais e à violência étnica e tribal que se tornou a característica mais importante da era pós-guerra fria.]
São diferentes facetas de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção.
Visão de mundo obsoleta: percepção da realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado.
Proposta: mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores
MUDANÇA DE PARADIGMA
As novas concepções da física têm gerado uma profunda mudança em nossas visões de mundo; da visão de mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão holística, ecológica.
Paradigma newtoniano não dava conta de explicar e resolver os problemas do mundo subatômico. Crise no modo de perceber, pensar e sentir ou experienciar o mundo.
Transformações que ocorreram no campo da Física são constitutivas das transformações culturais e sociais que ocorreram e ainda ocorrem de uma maneira ampla. -> Mudança de “paradigma social”.
Paradigma que está retrocedendo (mas que ainda é em grande medida dominante): “a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e — por fim, mas não menos importante — a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.”
ECOLOGIA PROFUNDA
Novo paradigma: visão ecológica ou holística -> concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas
Interdependência fundamental de todos os fenômenos
Diferença entre holístico e ecológico (importância do ambiente): Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social — de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ela é usada, e assim por diante.
Tal concepção ecológica está baseada no conceito de “ecologia profunda” que concebe os seres humanos — ou qualquer outra coisa — como não separados do meio ambiente natural. Concebe o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida.
Percepção ecológica é uma percepção religiosa ou espiritual do ambiente: ênfase na sensação de pertinência, de conexidade, com o cosmos como um todo.
NOVOS VALORES
A mudança de paradigmas requer uma expansão não apenas de nossas percepções e maneiras de pensar, mas também de nossos valores.
Conexão entre pensamento e valores
Mudança da autoafirmação para a integração
Quadro comparativo entre o velho e o novo paradigma:
	Pensamento 
	Valores 
	Auto-afirmativo 
	Integrativo 
	Auto-afirmativo 
	Integrativo 
	racional 
	intuitivo 
	expansão 
	conservação 
	análise 
	síntese 
	competição 
	cooperação 
	reducionista 
	holístico 
	quantidade 
	qualidade 
	linear 
	não-linear 
	dominação 
	parceria 
Proposta do autor: equilíbrio dinâmico entre a autoafirmação e a integração
Mudança de paradigma também afeta a dinâmica das organizações sociais: sai a hierarquia, entre o modelo da rede (uma das principais metáforas desse paradigma alternativo).
ÉTICA
Outro aspecto dessa mudança de valores: do antropocentrismo (centralizado no ser humano) para o ecocentrismo (centralizado na Terra). 
É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependências.
Mudança de valores e de percepção (ecológica) implica em uma nova ética.
“Essa ética ecológica profunda é urgentemente necessária nos dias de hoje, e especialmente na ciência, uma vez que a maior parte daquilo que os cientistas fazem não atua no sentido de promover a vida nem de preservar a vida, mas sim no sentido de destruir a vida. Com os físicos projetando sistemas de armamentos que ameaçam eliminar a vida do planeta, com os químicos contaminando o meio ambiente global, com os biólogos pondo à solta tipos novos e desconhecidos de microorganismos sem saber as consequências, com psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso científico — com todas essas atividades em andamento, parece da máxima urgência introduzir padrões "ecoéticos" na ciência.”
Mútua implicação entre fatos e valores. Ciência tenta separar essas dimensões ao afirmar que os fatos científicos independem daquilo que fazemos ou pensamos. “Na realidade, os fatos científicos emergem de toda uma constelação de percepções, valores e ações humanos — em uma palavra, emergem de um paradigma — dos quais não podem ser separados. (...) Portanto, os cientistas são responsáveis pelas suas pesquisas não apenas intelectual mas também moralmente.”
Novo compromisso ético implica em nos enxergarmos como parte integral da teia da vida (o eu e a natureza se confundem em um só – ideia de um “eu ecológico”). E se temos a percepção ou a experiência de sermos parte da teia da vida, logo estaremos inclinados a cuidar de toda a natureza viva.
MUDANÇA DA FÍSICA PARA AS CIÊNCIAS DA VIDA
No velho paradigma, a física foi o modelo e a fonte de metáforas para todas as outras ciências. Hoje, a mudança de paradigma na ciência, em seu nível mais profundo, implica uma mudança da física para as ciências da vida, uma mudança das partes para o todo.
CAP. 2 – A ASCENSÃO DO PENSAMENTO SISTÊMICO – DAS PARTES PARA O TODO
Mudança do paradigma mecanicista para o ecológico não se dá de maneira uniforme. É feita de avanços e retrocessos, balanços e oscilações.
Tensão básica desse movimento ou dessa mudança: a relação entre as partes e o todo.
“A ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomística; a ênfase no todo, de holística, organísmica ou ecológica. Na ciência do século XX, a perspectiva holística tornou-se conhecida como "sistêmica", e a maneira de pensar que ela implica passou a ser conhecida como "pensamento sistêmico".
"ecológico" e "sistêmico" como sinônimos.
Biólogos = Pioneiros do pensamento sistêmico: organismos vivos como totalidades integradas
Psicologia, Ecologia e Física Quântica, posteriormente.

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