Apostila   Bases Cirurgicas
180 pág.

Apostila Bases Cirurgicas


DisciplinaCirúrgica I176 materiais1.830 seguidores
Pré-visualização48 páginas
mais demorada e, quanto maior a rotatividade de 
pacientes, maior é a otimização das vagas e agendamento das cirurgias. 
 
Referências bibliográficas: 
1-CLÍNICA Cirúrgica. USP, vol I. São Paulo: Manole, 2008. 
2-TOWNSEND JR et al. Sabiston \u2013 Textbook of surgery \u2013 The biological basis of 
modern surgical practice. 17. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
3-Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 54 (2): 240-258, abr.-jun. 2010 - Avaliação pré-
operatória e cuidados em cirurgia eletiva: recomendações baseadas em evidências. 
 
 
 
 
 
50 
 
 
Capítulo 5 
Complicações em Cirurgia 
Demétrio Lubambo de Amorim 
George Felipe Bezerra Darce 
Íris Costa 
 
Introdução 
As complicações cirúrgicas continuam a ser um aspecto frustrante e difícil do 
tratamento cirúrgico dos pacientes. Independentemente da formação técnica e teórica do 
cirurgião, todo ele terá de lidar com as complicações que ocorrem após os 
procedimentos operatórios. Não existe cirurgia sem risco, o risco de uma operação 
cirúrgica é a soma do risco cirúrgico mais o risco anestésico que levam em consideração 
o porte e o tipo de cirurgia, as condições de saúde do paciente e os recursos do local ou 
serviço no qual se pretende operar o paciente, 
Em um primeiro momento, no pré-operatório, muito pode ser feito para evitar 
complicações através da triagem cuidadosa, atentando para parâmetros tais como o 
estado nutricional do paciente e função cardíaca, pulmonar e renal, e ao localizar fatores 
de risco para complicação adotar medidas para corrigir, controlar ou estabilizar estes. 
Além disso, a avaliação pré-operatória permite redimensionar a relação custo/benefício 
do procedimento, orientando os envolvidos para uma conduta mais adequada. 
Os fatores de risco determinantes envolvem as condições físicas e psíquicas do paciente, 
a doença primária, a equipe cirúrgica, a anestesia e ao centro cirúrgico. 
Quanto ao paciente, percebe-se idade, sexo, peso, estado nutricional e funções cardíaca, 
pulmonar, renal, endócrina, coagulação e imunológica. 
Quanto à idade, os extremos se mostram desfavoráveis. No recém-nascido, pela sua 
labilidade na regulação hidroeletrolítica e térmica, e o idoso que por vezes apresenta 
déficit de função de órgãos, sendo nessa faixa etária as complicações cardíacas as de 
maior incidência (insuficiência cardíaca e infarto do miocárdio). 
Quanto ao sexo e ao peso, o que se percebe é que o homem mostra-se, em geral, mais 
apto para procedimento cirúrgico, e pacientes com IMC > 30kg/m2 apresentam-se com 
maior risco de morbidade, entre elas, infecção de ferida operatória, atelectasia 
pulmonar, insuficiência respiratória, fenômenos tromboembólicos e deiscência da 
incisão. A partir disso, recomenda-se a perda ponderal pré-operatória. 
 
51 
 
Os maiores fatores de risco de mortalidade cardíaca peri e transoperatória são: idade 
acima de 70 anos, angina instável, infarto há menos de 6 meses, insuficiência cardíaca 
mal controlada, diabetes (sobretudo em uso de insulina), estenose aórtica, entre outros. 
Apesar de indicados exames antes da cirurgia, deve-se atentar para sua relação 
custo/benefício, evitando exposição e gastos excessivos. Na tabela abaixo se enumeram 
a relação de exames requeridos para pacientes sem comorbidades e procedimentos sem 
risco de sangramento. 
Já no caso de pacientes que apresentem comorbidades, recomendam-se exames que 
possam evidenciar alterações correlacionadas a estas, como exemplo no caso de 
pacientes que apresentem episódios de perda sanguínea, indica-se Hb/Ht e tipagem, 
assim como em neonatos. 
Exames pré-operatórios recomendados para pacientes sem comorbidades e 
procedimentos sem risco de sangramento 
Idade Masculino Feminino 
<40 Nenhum Ht, Teste de gravidez 
40-49 ECG, Ht Ht 
 
50-64 ECG, Ht Hb/Ht e ECG 
 
>65 Hb/Ht Hb/Ht 
 ECG ECG 
 Ureia e creatinina Ureia e creatinina 
 Glicemia Glicemia 
 Rx de tórax Rx de torax 
 
Quanto ao procedimento cirúrgico, deve-se manusear e dissecar os tecidos 
minuciosamente. Em todos os casos, deve-se evitar a tentação de acelerar o 
procedimento, cortar custos ou aceitar resultados medíocres. Da mesma forma, o uso 
criterioso de antibióticos e outros medicamentos no pré-operatório pode influenciar o 
resultado. Para um paciente gravemente doente, adequar a condição clínica deste é 
necessário para otimizar o pós-operatório do paciente. 
Uma vez que a operação seja concluída, a vigilância é obrigatória. Quando minuciosa 
dá ao cirurgião a oportunidade de observar complicações pós-operatórias em um estágio 
inicial, quando eles podem ser mais eficazmente enfrentados. Durante este processo, o 
cirurgião irá verificar com cuidado todas as feridas, avaliar o consumo e excreção, 
verificar perfis de temperatura, verificar o nível de atividade do paciente, avaliar o 
estado nutricional e verificar os níveis de dor. 
A seguir seguem as principais complicações envolvendo o sítio cirúrgico. 
 
 
52 
 
Seroma: 
O seroma é uma coleção de gordura liquefeita, soro e fluido linfático no âmbito da 
incisão. O fluido geralmente é claro, amarelo e pouco viscoso e é encontrado na camada 
subcutânea da pele. Seromas representam uma simples complicação após um 
procedimento cirúrgico. São particularmente propensos a ocorrer quando grandes 
retalhos cutâneos são desenvolvidos no curso da operação, como é visto frequentemente 
com a mastectomia, a dissecção axilar, o esvaziamento da virilha, e grandes hérnias. 
O seroma geralmente manifesta-se localmente e bem circunscrito à pressão, inchaço ou 
desconforto, e drenagem de líquido claro ocasional através da ferida cirúrgica nos 
primeiros dias. 
A prevenção da formação de seroma pode ser realizada pela colocação de drenos de 
sucção por baixo das camadas da pele ou do espaço morto potencial criado pelas 
linfadenectomias. A prematura retirada dos drenos frequentemente resulta em seromas 
grandes que exigem a aspiração em condições estéreis, seguida da colocação de um 
curativo compressivo. A recidiva do seroma depois de pelo menos duas aspirações, 
deve ser drenada através da abertura da incisão e deve ser feito o curativo visando a 
cicatrização por segunda intenção. Na presença de telas sintéticas, a melhor opção é a 
drenagem aberta na sala de cirurgia com a incisão fechada para evitar a exposição e 
infecção da tela. Drenos nessas situações são geralmente colocados. Os seromas 
infectados também devem ser tratados com drenagem aberta. A presença de tela 
sintética, nestes casos, irá impedir a melhora da ferida. 
Hematoma: 
Um hematoma é uma coleção anormal de sangue, geralmente na camada subcutânea de 
uma incisão recente ou em um espaço potencial na cavidade abdominal, após a exérese 
de um órgão, por exemplo. Os hematomas são mais preocupantes que seromas, devido 
ao potencial de infecção secundária. A formação do hematoma está relacionada com a 
hemostasia inadequada, o esgotamento dos fatores de coagulação, e a presença de 
coagulopatia. Uma série