Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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imediata, com abertura da ferida, coleta de material 
para cultura e bacterioscopia e curativo diário. Nos casos de fasciite necrosante é 
necessária o desbridamento da ferida na sala de operação para a erradicação do foco 
infeccioso. Caso a infecção seja acompanhada de sinais inflamatórios, ou seja, 
evidenciada celulite importante em tomo da ferida operatória, há indicação de 
antibioticoterapia sistêmica terapêutica. 
A prevenção das ISC se faz através da atenção a todas as medidas profiláticas já 
mencionadas acima e a utilização de antibioticoterapia profilática de forma criteriosa. O 
uso de antibióticos profiláticos visa diminuir a concentração bacteriana no campo 
operatório apenas durante o procedimento cirúrgico, devendo ser iniciado antes da 
cirurgia, geralmente durante a indução anestésica, e continuado por, no máximo, 24 
horas. 
Mas nem todas as cirurgias têm indicação de profilaxia. As cirurgias limpas, como 
apresentam nível de contaminação mínimo, não necessitam de cobertura antibiótica, 
exceção feita àquelas em que há colocação de próteses, como em cirurgias ortopédicas 
ou em hemiorrafias com utilização de tela. Nas cirurgias sujas ou infectadas geralmente 
há indicação de antibioticoterapia terapêutica e não profilática. Sendo assim, é nas 
cirurgias limpas-contaminadas que a profilaxia está claramente indicada. 
O antibiótico de escolha geralmente recai sobre uma cefalosporina de 1ª geração, como 
a cefazolina, uma vez que apresenta espectro com cobertura de gram-positivos e 
enterobactérias, as bactérias mais comumente responsáveis pelas ISC. Nos casos de 
alergia à cefalosporinas podem ser utilizadas vancomicina ou clindamicina. Nas 
 
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cirurgias de cólon geralmente é necessária a cobertura para anaeróbios, sendo então 
adicionado ao esquema profilático um anaerobicida, como o metronidazol, ou utilizada 
a cefoxitina. 
Fora as complicações do sítio cirúrgico, percebemos outras também comuns, 
relacionadas a órgãos específicos. 
 Aparelho respiratório: 
As complicações pulmonares são as mais comumente observadas no período pós-
operatório. Pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica constituem grupo de 
especial vulnerabilidade devido ao fato de frequentemente apresentarem aumento de 
volume da secreção brônquica, diminuição da atividade ciliar do epitélio e tendência a 
acúmulo de secreções. 
A atelectasia é a complicação pulmonar mais comum no pós-operatório. Surge 
habitualmente nas primeiras 48 horas, sua ocorrência deve ser suspeitada pela 
verificação de febre, taquipnéia e taquicardia neste período. 
A pneumonia é complicação mais frequente das atelectasias persistentes ou da aspiração 
de secreções. O diagnóstico clínico de pneumonia é sugerido pelo encontro de calafrios, 
febre elevada, dor pleurítica e tosse com expectoração. Os dados do exame físico 
frequentemente não se correlacionam bem com os achados radiológicos na fase inicial 
do processo. Sendo assim, suspeitando-se, da ocorrência da complicação, deve-se 
submeter o paciente a estudo radiológico do tórax. 
A embolia pulmonar é a complicação mais frequente no pós-operatório de indivíduos 
imobilizados por longo período de tempo, nos idosos, nas cirurgias pélvicas e do colo 
do fêmur, nos cardiopatas, nos obesos, em pacientes com história de acidentes 
tromboembólicos e naqueles apresentando insuficiência venosa periférica ou em uso de 
anovulatórios. O principal fator na fisiopatogenia é o estado de hipercoagulabilidade 
sanguínea no pós-operatório. Na maioria das vezes a embolia pulmonar ocorre sem 
prévia manifestação de sinais de trombose venosa. Apenas cerca de 10% dos casos de 
embolização venosa produzem infarto pulmonar com manifestações clínicas 
características. 
Aparelho Cardiovascular: 
A causa mais comum de deterioração cardiocirculatória em pacientes cardiopatas 
submetidos a um procedimento cirúrgico de vulto é a hipovolemia. Deve-se avaliar com 
especial atenção as perdas hidroeletrolíticas e sanguíneas ocorridas durante o ato 
cirúrgico, assim como as necessidades e a qualidade da reposição pós-operatória. Em 
pacientes submetidos a cirurgias de grande porte a reincidência de infarto é tanto mais 
elevada quanto mais recente tenha sido o evento antecedente. 
Aparelho renal: 
 
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Dentre as complicações observadas destaca-se a retenção urinária e a insuficiência 
renal. 
Retenção urinária: 
Incapacidade de evacuar uma bexiga cheia é referida como retenção urinária. A 
retenção urinária é uma complicação comum no pós-operatório, visto com frequência 
especialmente elevada em pacientes submetidos a operações perianais e reparo da 
hérnia. A retenção urinária também pode ocorrer após operações para câncer de reto 
baixo quando uma lesão no sistema nervoso afeta a função da bexiga. Mais comumente, 
no entanto, a complicação é uma anomalia reversível resultante de descoordenação dos 
músculos do trígono vesical e, como resultado de aumento da dor e desconforto pós-
operatório. A retenção urinária também é ocasionalmente encontrada após 
procedimentos espinhal e pode ocorrer após vigorosa administração endovenosa de 
fluidos. A hipertrofia prostática benigna e, raramente, uma estenose uretral também 
pode ser a causa de retenção urinária. 
Os princípios gerais de gestão para a retenção urinária aguda incluem a colocação de um 
cateter de Foley, especialmente em pacientes idosos e que foram submetidos à ressecção 
anterior, porque eles podem ser incapazes de sentir a plenitude associados à retenção. 
Em pacientes de alto risco, cistoscopia e cistometria pode ser necessária. 
Insuficiência Renal: 
A insuficiência renal aguda (IRA) é caracterizada por uma redução súbita do débito 
renal, que resulta na acumulação sistêmica de resíduos nitrogenados. Esta insuficiência 
renal adquirida em hospital é mais prevalente após grandes procedimentos vasculares 
(aneurisma roto), transplante renal, os procedimentos de circulação extracorpórea, os 
principais casos abdominal associada com choque séptico, e as operações urológicas 
importantes. Também pode ocorrer nos casos em que há perda de sangue maior, com 
reações transfusionais, em diabéticos graves submetidos a operações, no trauma com 
risco de vida, com ferimentos graves, queimaduras, e na insuficiência de múltiplos 
órgãos do sistema. A insuficiência renal adquirida no hospital afeta adversamente os 
resultados cirúrgicos e está associada com mortalidade significativa, especialmente 
quando a diálise é necessária. Dois tipos de IRA foram identificados: oligúrica e não 
oligúrica. Insuficiência renal oligúrica refere-se a urina em que os volumes de menos de 
480 ml são vistos em um dia. Insuficiência renal não oligúrica envolve saída superior a 
2 L / dia e está associado a grandes quantidades de urina isosthenuric que é limpa e sem 
toxinas do sangue. Os fatores que levam à IRA podem ser de entrada, do parênquima 
renal, ou saída, historicamente conhecido como pré-renal, renal ou pós-renal, 
respectivamente. 
Monitorização da função renal, às vezes incluindo a depuração da creatinina, em todos 
os pacientes cirúrgicos é uma boa prática clínica. A intervenção precoce em casos de 
obstrução pós-renal e síndrome do compartimento abdominal pode prevenir o 
desenvolvimento de lesão renal. 
 
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Problemas Diversos: 
São constituídos por sintomas ou sinais isolados que identificam ou representam o 
início de uma síndrome clínica pós-operatória. 
\uf0b7 Dor: A ferida cirúrgica não é espontaneamente dolorosa após 48 horas do ato 
cirúrgico. Quando o paciente se queixa de dor é judicioso acreditar nele. A dor é 
subjetiva e o seu limiar é imensurável. É importante um cuidadoso exame, antes 
de medicá-lo com