Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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analgésicos. 
\uf0b7 Cefaléia: É a mais frequente complicação de uma raquianestesia. Excluídos 
outros fatores etiológicos, deve ser feita generosa reposição volêmica e 
endovenosa. 
\uf0b7 Pirose: Secundária ao refluxo gastroesofágico ácido ou alcalino, muito 
relacionada à presença de cateter nasogástrico nas primeiras horas de pós-
operatório. 
\uf0b7 Soluço: Desagradável complicação cirúrgica determinada por irritação frênica, 
pequena quantidade de CO2 ou acidose respiratória. 
\uf0b7 Dispnéia: De imediato pensar na possibilidade de pneumopatia aguda ou no 
inicio de uma complicação cardíaca. 
\uf0b7 Tosse: Exacerba a dor após laparotomia, pode provocar evisceração e evidencia 
uma complicação do sistema respiratório. 
\uf0b7 Vômito: Habitual nas primeiras horas de pós-operatório. A realimentação oral 
precoce é uma importante causa de vômito. Antes da administração de um anti-
emético, pensar na possibilidade de obstrução mecânica do tubo digestivo. 
\uf0b7 Oligúria: O débito urinário na faixa de 30 a 50 ml por hora, com densidade 
satisfatória, constitui importante evidência de funções cardiovascular e renal 
satisfatórias. 
Referências bibliográficas: 
1-CLÍNICA Cirúrgica. USP, vol I. São Paulo: Manole, 2008. 
2-TOWNSEND JR et al. Sabiston \u2013 Textbook of surgery \u2013 The biological basis of 
modern surgical practice. 17. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
3-Blackbook Cirurgia 1 a ed. 2008. Petroianu A, Miranda ME, Oliveira RG 
 
 
 
 
 
 
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Capítulo 6 
Hemostasia, Sangramento cirúrgico, Uso de Hemoderivados 
e Choque hipovolêmico 
Heloise Caroline de Souza Lima 
Luiza Pessoa 
Maria Eduarda Pontes 
Vladmir Goldstein de Paula Lopes 
 
A hemostasia pode ser definida como uma parada fisiológica do sangramento. É 
importante saber que o sangue se mantém fluido por sua capacidade de equilibrar os 
fatores pró-coagulantes e anticoagulantes. Com isso, quando ocorre sangramento, vai 
ser desencadeado um complexo processo da cascata de coagulação para que se 
mantenha a hemostasia adequada. Para rapidamente relembrar o que é a cascata de 
coagulação, observe a figura abaixo: 
 
 
A partir de sua análise, é possível notar que a cascata de coagulação é composta 
de uma via extrínseca e uma intrínseca. Na via intrínseca, a interação dos fatores que 
estão dentro da circulação vai iniciar o processo coagulativo, e posteriormente a 
interação do fator VII com o fator tissular vai iniciar a cascata extrínseca. É possível 
observar que o processo coagulativo depende da interação de todos esses fatores de 
forma harmônica, para que o mesmo se dê com sucesso. O fim dessa cascata culminará 
na conhecida conversão do fibrinogênio em fibrina pela ação da trombina, e com isso se 
formará um coágulo estável. 
 
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Avaliação da coagulação e hemostasia do paciente cirúrgico: 
Inicialmente, uma história bem colhida e um exame físico bem feito do paciente 
são de suma importância para avaliação do risco de sangramento cirúrgico. Em cirurgias 
pequenas ou procedimentos que não envolvam grande dissecção, eles por si só já são os 
indicadores de risco do paciente. Sendo assim, em um paciente com uma história clínica 
e um exame físico que não seja propício a sangramentos, normalmente não é necessária 
a realização de testes extras. 
Entretanto, a avaliação completa e segura para a garantia da hemostasia em uma 
grande cirurgia ou para algum paciente que apresente problemas na historia clinica e no 
exame físico, engloba também a realização de testes de avaliação para este paciente. Os 
testes de avaliação mais comumente usados são: 
Tempo de protrombina (TP) \u2013 mede a função do fator VII, da via extrínseca e dos 
fatores da via comum; 
 Tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa) \u2013 detecta os baixos níveis dos fatores 
da via intrínseca; 
Hemograma completo com as contagens plaquetárias \u2013 Vai elucidar a quantidade 
plaquetária; 
 Tempo de sangramento \u2013 É um teste mais grosseiro e menos utilizado que os 
anteriores, que vai avaliar a função plaquetária; 
Tromboelastografia (TEG) \u2013 Não é muito utilizada, mas é muito importante no paciente 
que realizará transplante hepático e cardiovascular. Ela vai oferecer uma representação 
gráfica da coagulabilidade. Fornece a medida para a função plaquetária e fibrinólise, e 
um índice simples da coagulação total. 
Avaliação do sangramento intra-operatório ou pós-operatório excessivo: 
 A ocorrência de um sangramento maciço durante ou logo após um procedimento 
cirúrgico pode ser devido a diversos fatores, como: hemostasia local ineficaz, 
complicações de transfusão de sangue, defeito hemostático previamente não detectado, 
coagulopatia consuntiva e/ou fibrinolise. 
O sangramento excessivo no campo operatório, não associado a sangramento em 
outros locais, geralmente sugere mais uma hemostasia mecânica inadequada que um 
defeito no processo biológico. A hemostasia local tem por objetivo impedir o fluxo de 
sangue dos vasos sanguineos seccionados. As técnicas hemostáticas podem ser 
mecânicas, térmicas ou químicas. 
Componentes sanguíneos e seus papéis na transfusão sanguínea 
A transfusão sanguínea sempre deve ser feita visando o maior benefício possível ao 
paciente. É sempre bom lembrar que quando uma transfusão não é bem indicada, ela 
 
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está contra-indicada. Dito isto, também é importante salientar que cada indivíduo tem 
sua condição particular, e com isso devem ser adotadas medidas que buscam normalizar 
os parâmetros sanguíneos que estão em defasagem no paciente, tratando-o com 
determinado componente sanguíneo. 
Os principais componentes sanguíneos são: 
Sangue total \u2013 Muito pouco utilizado, por impedir a produção de componentes e ser 
altamente ineficiente. 
Hemácias \u2013 Esses concentrados vão propiciar para o indivíduo uma capacidade 
carreadora de oxigênio e mantém a liberação do mesmo, oferecendo também volume 
intravascular e função cardíaca adequada. Observe atentamente o seguinte quadro, que 
mostra as linhas de condutas sugeridas para a transfusão de hemácias: 
 
A hemoglobina < 8g/dl ou perda aguda de sangue 
em um paciente saudável, com sinais e sintomas de 
diminuição de oferta de oxigênio, com dois ou 
mais dos seguintes: 
Perda aguda antecipada ou estimada de >15% do 
volume de sangue total (750ml em um homem de 
70 kg) 
Pressão sanguínea diastólica < 60mmHg 
Pressão sanguínea sistólica com queda > 30 mmHg 
da linha basal 
Taquicardia( >100 bpm) 
Oligúria/anúria 
Alterações do estado clinico mental 
Hemoglobina < 10g/dl em pacientes com risco 
conhecido e aumentado de doença arterial 
coronariana ou insuficiência pulmonar que tenha 
mantido ou se espera que mantenha significante 
perda sanguínea. 
Anemia sintomática com qualquer dos seguintes: 
Taquicardia (> 100bpm) 
Alterações do estado clinico mental 
Evidencia de isquemia miocárdica incluindo 
angina 
Taquipneia ou cansaço aos esforços leves 
Hipotensão ortostática 
 
 
Indicações questionáveis/sem fundamento: 
 
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Para aumentar a cicatrização de feridas 
Para melhorar a sensação de bem-estar do paciente 
Hemoglobina entre >7g/dl e <10g/dl (ou 
hematócrito entre >21% e <30%) em pacientes 
assintomáticos, estáveis 
Pré-doação de sangue autólogo viável sem 
indicação médica 
 
Plaquetas \u2013 Esse tipo de transfusão é indicado para pacientes que tem déficit tanto na 
quantidade quanto na função plaquetária e com isso sofrem um risco muito elevado de 
sangramentos. A seguir, observe as linhas de conduta sugeridas para a transfusão 
plaquetária: 
Contagem de plaquetas recente (dentro das 24 
horas) < 10.000/mm³(para proflilaxia) 
Contagem de plaquetas recente (dentro