Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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das 24 
horas) < 50.000/mm³ com sangramento 
microvascular evidente (\u201cexsudação\u201d) ou um 
procedimento invasivo/cirúrgico planejado 
Sangramento microvascular evidente e uma 
queda rápida na plaquetometria 
Pacientes adultos na sala de operações que 
sofreram procedimentos complicados ou 
necessitaram de mais de 10 unidades de sangue 
E têm sangramento microvascular. 
Dar as plaquetas se assumir que foi realizada 
hemostasia adequada 
Disfunção plaquetaria documentada (por 
exemplo, tempo de sangramento maior que 15 
minutos, testes funcionais plaquetários 
anormais) com petéquias, púrpura, 
sangramento microvascular (\u201cexsudação\u201d) ou 
procedimento invasivo cirúrgico. 
Indicações proibidas: 
 
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Uso empírico de transfusão maciça quando as 
plaquetas não mostram sangramento 
microvascular evidente. 
Profilaxia na púrpura trombocitopenica 
trombótica/síndrome hemolítica urêmica ou 
púrpura trombocitopenica idiopática 
Disfunção plaquetaria extrínseca (por exemplo, 
insuficiência renal, doença de Von Willebrand) 
 
Plasma fresco congelado (PFC) \u2013 Usado para reposição nos paciente com coagulopatias 
e deficiências documentadas. É encontrada, por exemplo, da insuficiência hepática. O 
TP e o TTPa são bons indicadores para a avaliação dos pacientes que vão ser 
transfundidos e para o seu posterior acompanhamento da eficácia transfusional. É 
importante dizer que ao se ter disponibilidade de outros cristaloides mais baratos e 
seguros, o PFC não deve ser usado como expansor de volume. A seguir o quadro de 
linha de condutas para a transfusão do PFC: 
 
Tratamento das deficiências dos fatores de 
coagulação específicos ou múltiplos om tempo 
de protrombina e/ou tempo de tromboplastina 
parciais ativadas anormais. 
Deficiência de fator especifico anormal na 
presença de um dos seguintes: 
Deficiência de AT-III; protrombina, fatores V, 
VII, IX e XI; proteína C ou S; plasminogênio ou 
antiplasmina. 
Deficiência adquirida relacionada à terapia com 
warfarin,deficiência de vitamina K, doença 
hepática, transfusão maciça, ou coagulação 
intravascular disseminada. 
Também indicada como profilaxia para os itens 
acima se é planejado um procedimento 
cirúrgico/invasivo. 
Indicações proibidas: 
Uso empírico durante transfusão maciça de 
sangue se o paciente não demonstra coagulopatia 
 
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clinica. 
Reposição de volume 
Suplementação nutricional 
Hipoalbuminemia 
 
 
Crioprecipitado \u2013 Pode ser usado em pacientes com Hemofilia e na doença de Von 
Willebrand (doenças hemorrágicas congênitas), por exemplo. 
Concentrado de leucócitos \u2013 Usado em pacientes com leucopenia grave com quadro 
infeccioso (<500/mm³). 
Transfusão na cirurgia: 
No pré-operatório deve-se avaliar a situação específica de cada paciente, com o 
intuito de trazer melhor resposta para o mesmo, sempre visando o máximo benefício 
possível. Com isso, deve-se, por exemplo contra indicar uma transfusão em um paciente 
com anemia crônica em condição estável, com base em um hematócrito de 30%. Já em 
caso de um paciente com uma anemia assintomática, mas que vai fazer um grande 
procedimento cirúrgico é benéfico fazer a transfusão no pré-operatório. 
No ato da cirurgia em si, deve-se também levar em consideração a situação em 
que o paciente está inserido. Com a requisição do sangue pelo médico, é realizado um 
procedimento de tipagem e seleção para determinação do grupo sanguíneo do paciente e 
para detectar anticorpos prévios aos antígenos eritrocitários. Se o paciente for submetido 
a um procedimento com risco de sangramento e possibilidade de transfusão menor que 
10%, o sangue não é cruzado, a não ser que seja necessário durante a cirurgia. Se, 
entretanto, a probabilidade de transfusão for maior que 10%, o sangue é cruzado no pré-
operatório com um determinado numero de unidades prontas para serem transfundidas. 
 Nas operações, como as cardíacas abertas ou vasculares, um numero pré-
determinado de unidades é cruzada previamente à cirurgia e outras adicionais ficam 
disponíveis caso seja necessário cruzamento no meio desta. Ao fim do procedimento, o 
 
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sangue não cruzado é mantido por 24-48h e então pode ser liberado para outros 
pacientes. 
Riscos transfusionais: 
 Ao prescrever-se uma transfusão é muito importante estar ciente de possíveis 
complicações e riscos desse procedimento, a fim de esclarecê-los e discuti-los com o 
paciente. Desde os anos oitenta, em que se foi introduzido rastreamento de pré-doação 
para fatores de risco como hepatites e HIV, bem como testagens mais rigorosas do 
doador, o risco da transmissão viral diminuiu drasticamente. No entanto, riscos 
transfusionais continuam presentes até os dias atuais. 
As três principais causas de fatalidade pós-transfusionais são: as reações 
transfusionais por erro de compatibilidade do sistema ABO, contaminação bacteriana e 
lesão pulmonar relacionada à transfusão. Outros riscos importantes documentados sao 
as reações não-hemoliticas, doença do enxerto-contra-hospedeiro, sobrecarga de volume 
e imuno-modulação. 
\uf0b7 Reações transfusionais: 
Elas são classificadas em hemolíticas e não-hemolíticas, a última com subtipos 
alérgicos e febris. As hemolíticas ocorrem pela destruição por complemento das 
hemácias transfundidas secundaria a anticorpos preexistentes, sendo sua gravidade 
determinada pelos fatores de grau de ativação do complemento e liberação de 
citocinas. Sinais e sintomas dessas reações hemolíticas quando agudas e graves são 
dor e rubor ao longo da veia infundida, dor e opressão torácica, hipotensão, oligúria, 
calafrios, febre, hemoglobulinemia e hemoglobulinúria. Um paciente transfundido 
que desenvolve de 5 a 10 dias após a transfusão um quadro de queda de 
hematócrito, febre ou icterícia tem que ser avaliado como tendo uma possível reação 
hemolítica retardada. 
As reações não-hemolíticas alérgicas são causadas por anticorpos do receptor 
contra proteínas plasmáticas do doador. O quadro caracteriza-se de leve exantema 
ou urticária até instabilidade hemodinâmica com broncoespasmo e anafilaxia. As 
reações não-hemoliticas febris ocorrem pelos anticorpos do receptor contra os 
antígenos dos leucócitos e plaquetas do doador. Caracteriza-se por febre e calafrios. 
Diagnósticos diferenciais são as reações hemolíticas agudas e contaminação 
bacteriana da unidade. 
Quando se suspeita de uma reação transfusional, a infusão deve ser imediatamente 
interrompida e o tratamento pra cada subtipo realizado. 
 
\uf0b7 Contaminação bacteriana: 
 
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Segunda causa mais freqüente de fatalidade e primeira das infecções transmitidas 
pela transfusão. Sinais e sintomas é febre, calafrios, hipotensão, taquicardia e choque 
após o procedimento. Os agentes mais identificados são Staphylococcus aureus, 
Escherichia coli, Enterobacter e espécies Serratia e Yersinia. 
\uf0b7 Lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI): 
Terceira causa mais comum de reação transfusional fatal. É uma síndrome 
caracterizada por hipoxemia, febre, edema pulmonar não-cardiogenico bilateral, 
hipotensão e dispnéia cerca de 4 horas após a hemotransfusão. É diagnostico de 
exclusão após se excluir a sobrecarga de volume, edema pulmonar cardiogênico ou a 
SARA. 
Transfusão maciça: 
 A transfusão maciça é um procedimento o qual pode causar grandes alterações 
no estado metabólico do paciente. Entretanto, boa parte dessas alterações pode ser 
revertida, podendo também fugir ao controle. As principais alterações são hipocalcemia, 
alterações àcido-básicas (alcalose), alterações do 2,3-Difosfoglicerato, alterações do 
potássio e trombocitopenia dilucional. 
 A hipocalcemia