Apostila   Bases Cirurgicas
180 pág.

Apostila Bases Cirurgicas


DisciplinaCirúrgica I174 materiais1.831 seguidores
Pré-visualização48 páginas
deve ser guiada pelo padrão de prevalência local de patógenos bacterianos e de dados de 
susceptibilidade. 
 - Ainda que a restrição global de antibióticos seja uma estratégia importante na redução 
do desenvolvimento de resistência à antibióticos e na diminuição dos custos, esta não é 
uma estratégia apropriada para o tratamento inicial desse grupo de pacientes com sepse 
severa ou choque séptico. No entanto, assim que o patógeno responsável pela infecção 
seja identificado, a descontinuação do tratamento empírico deve ser realizada, 
selecionando o antibiótico mais apropriado que dê cobertura ao patógeno, seja seguro e 
tenha um bom custo-benefício. 
 
87 
 
- A restrição do espéctro de cobertura antimicrobiana e a redução da duração da terapia 
antibiótica reduzem a possibilidade de o paciente desenvolver superinfecção por outros 
patógenos ou organismos resistentes, como a Candida spp., Clostridium difficile ou 
Enterococcus faecium resistente à vancomicina. No entanto, o desejo de minimizar 
superinfecções e outras complicações não deve se sobrepor à administração de uma 
terapia eficaz para curar a infecção que causou a sepse severa ou o choque séptico. 
Combinações complexas podem ser necessárias em locais onde patógenos altamente 
resistentes à antibióticos são prevalentes, nos quais pode ser necessário o uso de 
carbapenêmicos, Colistina, Rifampicina ou outros agentes antimicrobianos. 
3. Uso de níveis baixos de procalcitonina ou biomarcadores similares para guiar o 
médico na descontinuação dos antibióticos empíricos em pacientes que inicialmente 
indicavam sinais de sepse, mas não tem evidências subsequentes de infecção. 
- Quando a infecção é descartada, a terapia antimicrobiana deve ser suspensa 
prontamente para minimizar as chances de o paciente se tornar infectado por um 
patógeno resistente aos antimicrobianos ou de o paciente desenvolver efeitos adversos 
relacionados às drogas. Ainda que seja importante a suspensão precoce de antibióticos 
desnecessários, o médico deve ter conhecimento de que culturas sanguíneas serão 
negativas em mais de 50% dos casos de pacientes com sepse severa ou choque séptico 
que estão recebendo terapia antimicrobiana empírica.Desta forma, a decisão de 
continuar ou não o tratamento antimicrobiano deve ser tomada levando em consideração 
o quadro clínico do paciente. 
4. a) Terapia empírica combinada para pacientes neutropênicos com sepse severa e para 
pacientes com patógenos bacterianos multi-resistentes e difíceis de tratar, como 
Acinetobacter e Pseudomonas spp.Para pacientes com infecção severa associada com 
falência respiratória e choque séptico, terapia antibiótica combinada de amplo espectro 
para bacteremia por P. aeruginosa e Streptococcus pneumoniae. 
b) A terapia empírica combinada não deve ser administrada por mais de 3-5 dias. A 
transição para a terapia única mais adequada deve ser feita assim que o perfil de 
suscetibilidade é conhecido. 
5. A duração típica do tratamento antimicrobiano é de 7-10 dias. Um aumento na 
duração pode ser apropriado para pacientes com resposta clínica lenta, abscessos sem a 
possibilidade de drenagem, bacteremia por S. aureus e algumas infecções fúngicas ou 
virais ou deficiências imunológicas. 
6. Terapia antiviral deve ser iniciada o mais rápido possível em pacientes com sepse 
severa ou choque séptico de origem viral. 
7. Agentes antimicrobianos não devem ser usados em pacientes em estado inflamatório 
severo sem causa infecciosa. 
 
D. Controle da Fonte de Infecção: 
1. Controle da fonte de infecção dentro de 12 horas do diagnóstico, com atenção aos 
riscos e benefícios quanto ao método escolhido para este fim. 
 
88 
 
2. Quando necrose peripancreática infectada é identificada como uma potencial fonte de 
infecção, a intervenção definitiva deve ser adiada até demarcação adequada do tecido 
viável e do tecido inviável. 
3. O controle da fonte de infecção ideal em um paciente com sepse severa deve ser feito 
de forma efetiva, mas de forma a causar o menor dano fisiológico. 
4. Se o cateter de acesso vascular é uma possível fonte de infecção, ele deve ser 
removido prontamente assim que outro acesso vascular for estabelecido. 
 
E. Prevenção da Infecção: 
- Práticas cuidadosas de controle de infecção, como a lavagem das mãos, cuidados com 
o cateter, controle de vias aéreas, elevação da cabeceira da cama, etc. devem ser 
instituídas durante o cuidado de pacientes sépticos. 
1. a) Descontaminação oral seletiva e Descontaminação digestiva seletiva devem ser 
introduzidas e investigadas como método de reduzir a incidência de pneumonia 
associada ao ventilador mecânico. 
b) Gluconato de clorexidina oral deve ser usado como forma de descontaminação 
orofaringeana para reduzir os riscos de pneumonia associada ao ventilador mecânico em 
pacientes de UTI com sepse severa. 
 
Conclusão 
 
O manejo da sepse requer uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeiras, 
farmacêuticos, nutricionistas e equipe administrativa) e uma colaboração entre as 
diferentes especialidades médicas (clínicos, cirurgiões e intensivistas) para maximizar 
as chances de sucesso no tratamento. 
O sucesso do tratamento também requer um constante processo de educação, de 
desenvolvimento e implementação de protocolos, de coleta de dados, de mensuração de 
indicadores e de feedback para facilitar uma contínua melhora na performance. 
Em suma, a atualização constante dos profissionais da área de saúde é de 
fundamental importância no intuito de adequar-se às mudanças sofridas pelas diretrizes, 
no intuito de melhorar sua performance e reduzir os índices de mortalidade de seus 
pacientes. 
Referências Bibliográficas: 
1. Dellinger, RP et al: Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for 
Management of Severe Sepsis and Septic Shock: 2012. Critical Care Medicine Journal, 
2013; 41:580-637. 
2. Salomão, R et al: Diretrizes para tratamento da sepse grave/choque séptico: 
abordagem do agente infeccioso - controle do foco infeccioso e tratamento 
antimicrobiano. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. 2011; 23(2):145-157 
3. Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar: Sepse: Abordagem do Agente Infeccioso \u2013 
Diagnóstico. 2011 
4. Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar: Sepse: Controle do Foco e Tratamento 
Antimicrobiano. 2011 
 
89 
 
 
Capítulo 9 
Noções básicas em anestesia local e geral 
Gabrielle Souza Barbosa da Silva 
Sâmella Cavalcanti Monteiro 
 
 
A anestesia geral foi realizada pela primeira vez com sucesso por Thomas Green 
Morton, em 1846. Essa foi uma das grandes descobertas da humanidade não só por 
abolir a dor dos procedimentos invasivos, mas também porque possibilitou o 
aprimoramento das técnicas cirúrgicas, aumentando a expectativa de vida da população. 
A anestesia geral tem como objetivo promover hipnose, sedação, amnésia e 
principalmente, bloqueio ou atenuação a resposta do tratamento cirúrgico. A dor 
provocada pela estimulação cirúrgica produz respostas somáticas e autonômicas que 
variam, momento a momento, de acordo com a intensidade do estímulo, exigindo 
ajustes constantes dos níveis anestésicos. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 
Anestesia geral 
A anestesia geral pode ser classificada de acordo com a via de administração em: 
inalatória, venosa, balanceada e combinada. 
O período anestésico compõe-se de três fases: indução, manutenção e 
recuperação que são atingidos à medida que a droga se distribui pelos vários órgãos e 
tecidos. Por isso, é fundamental compreender a farmacocinética e farmacodinâmica das 
drogas inalatórias ou injetáveis usadas na anestesia. 
 
ANESTESIA INALATÓRIA 
Farmacocinética \u2013 
O anestésico é transportado