Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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localiza-se um balão piloto que tem a 
finalidade de indicar o grau de insuflação do balonete. Conforme a quantidade de ar 
retido no seu interior e no manguito de insuflação, os balonetes podem ser classificados 
em dois tipos: os de volume residual baixo (alta pressão) e os de volume residual alto 
(baixa pressão). 
 Os balonetes de volume residual baixo podem gerar uma pressão interna muito 
alta (180-250 mmHg). A maior parte desta é utilizada na distensão de sua borracha, mas 
uma fração é recebida pela traquéia. À medida que esta pressão se aproxima da pressão 
capilar arteriolar (32 mmHg), aumenta o risco de isquemia da mucosa traqueal. 
Este tipo de balonete deve ser insuflado com uma quantidade média de 4 ml de 
ar, não devendo ultrapassar 8 ml. Os balonetes de volume residual alto são preferíveis 
porque se adaptam de maneira uniforme à mucos traqueal, a pressão criada em seu 
interior é baixa e, ao ser transmitida à traquéia, não impede a circulação capilar da 
mucosa circunvizinha. O volume médio de ar usado é 20 ml. 
 3- Conector: peça que se adapta diretamente ao tubo endotraqueal 
servindo para conectá-lo à prótese ventilatória. 
 4- Estiletes: são utilizados para facilitar a introdução de tubos flexíveis ou 
para modificar a curvatura de tubos rígidos em intubações difíceis. 
 5- Esparadrapo: para fixação do tubo. 
 6- Pinças auxiliares: utilizadas para dirigir o tubo endotraqueal para a traquéia. 
 7- Seringas: necessárias para inflar o balonete do tubo traqueal. 
 8- Lubrificantes: usados nos tubos e estiletes. 
 9- Sondas de aspiração: para aspirar secreções da orofaringe. 
 10- Unidade ventilatória: pode ser auto-inflável (AMBU) ou não. 
 
 
 
 
 
 
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 3. Vias 
 Em caso de intubação endotraqueal, pode-se escolher entre duas vias: oral ou 
nasal. O determinante mais importante na escolha entre a intubação orotraqueal ou 
nasotraqueal é a experiência do médico. Ambas as técnicas são seguras e efetivas, desde 
que realizadas de maneira apropriada. 
3.1. Intubação por Via Oral 
 É fundamental estabelecer se existe ou não fratura da coluna cervical. 
Entretanto, a realização de radiografias de coluna cervical não deve impedir ou retardar 
a adoção de uma via aérea definitiva quando ela está claramente indicada. O doente com 
escore na Escala de Coma de Glasgow igual ou inferior a 8 exige intubação imediata. 
Se não houver necessidade imediata de intubação, pode-se, então, providenciar 
radiografias de coluna cervical. Quando o doente estiver em apneia, está indicada a 
intubação orotraqueal. 
 Para a realização da laringoscopia, é necessário que os eixos da boca, laringe e 
faringe, se aproximem. 
 Elevando a cabeça com um coxim de 10 cm de altura, a tensão dos músculos 
cervicais diminui, a coluna cervical é retificada e laringe e faringe se alinham. Em 
seguida, com um movimento de extensão da cabeça, no nível da articulação 
atlantooccipital, o eixo da boca se associa aos demais. A língua e a epiglote são 
afastadas do campo visual com o auxílio do laringoscópio. Ele é segurado com a mão 
esquerda, próximo ao seu ponto articulável, e introduzido na cavidade oral pelo lado 
direito. A parte fechada da lâmina mantém a língua afastada da linha média, local por 
onde deve penetrar o laringoscópio. 
 O movimento com o laringoscópio, para exposição da glote deve ser para cima e 
para frente, evitando-se o movimento de báscula. 
 Identificada a fenda glótica, o tubo é introduzido pelo canto direito da boca, e 
não pela linha média, sobre a superfície aberta do laringoscópio, que é destinada 
a permitir ampla visualização. 
 O balonete do tubo deve ultrapassar as cordas vocais, e a parte distal do tubo 
deve ser posicionada a igual distância entre as cordas vocais e a carina. 
 A seguir, o laringoscópio é retirado e o balonete deve ser insuflado com ar até 
que não ocorra vazamento entre o tubo e a traqueia durante a ventilação com pressão 
positiva. A insuflação do balonete deve ser feita de maneira suave, com uma pressão 
contínua e uniforme, para evitar que ele se distenda irregularmente, o que determinaria 
uma distribuição irregular da pressão na superfície de contato com a traqueia. 
 
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 O passo seguinte consiste na verificação clínica do posicionamento do tubo na 
traqueia. Observar a expansibilidade de ambos os hemitórax e a presença de murmúrio 
vesicular uniformemente distribuído, audível com o estetoscópio. 
 Esta técnica de intubação deve ser preferida em situação de emergência. É de 
execução mais fácil, mais rápida, menos traumática e menos dolorosa que a técnica de 
intubação via nasal. Tem a desvantagem de não permitir uma boa fixação do tubo, 
dificultar a deglutição, estimular a salivação e possibilitar o esmagamento do tubo pelos 
dentes. 
 
 
Complicações: 
 A intubação endotraqueal pode ser acompanhada de uma série de complicações. 
Elas podem ser desencadeadas pelo ato em si, pela presença do tubo na traqueia, pelo 
tempo de permanência do tubo na traqueia e após a extubação, como sequela das 
complicações anteriores. 
- Complicações devidas ao ato da intubação endotraqueal: lesões de partes moles, 
fraturas de dentes, lesões de cordas vocais, deslocamento de mandíbula, aspiração 
pulmonar, intubação brônquica seletiva, intubação esofágica, complicações 
sistêmicas (broncoespasmo, bradicardia ou taquicardia, hipertensão ou hipotensão e 
arritmias cardíacas), lesão de mucosa, aumento da produção de secreção e colapso 
pulmonar. 
- Complicações devidas à permanência do tubo traqueal: com a compressão das 
estruturas das vias aéreas haverá edema e ulceração, e com a cicatrização, granulomas e 
fibroses. Os balonetes de baixo volume residual e alta pressão podem causar isquemia, 
necrose e dilatação da parede traqueal. Pode ocorrer extubação acidental e sinusite. 
 
 
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3.2. Intubação por Via Nasal 
 A intubação nasotraqueal é uma técnica útil quando a urgência do acesso às vias 
aéreas impede a realização de uma radiografia de coluna cervical. A intubação 
nasotraqueal às cegas exige que o doente esteja respirando espontaneamente. Ela é 
contraindicada no doente em apneia. Quanto mais profundos os movimentos 
respiratórios, mais fácil será acompanhar o fluxo aéreo através da laringe. Fraturas de 
face, dos seios frontais, da base do crânio e da placa crivosa são contraindicações 
relativas para a intubação nasotraqueal. Tais lesões devem ser suspeitadas se houver 
evidência de fraturas nasais, \u201colhos de guaxinim\u201d, equimose retroauricular (sinal de 
Battle) e possíveis perdas de líquido cefalorraquidiano (rinorreia ou otorreia). Quanto à 
coluna cervical, devem ser adotadas as mesmas precauções indicadas na intubação 
orotraqueal. 
Complicações: 
- Intubação esofágica, levando a hipóxia e morte. 
- Intubação seletiva do brônquio fonte direito, resultando em ventilação apenas do 
pulmão direito e colapso do pulmão esquerdo. 
- Incapacidade para intubar, levando a hipóxia e morte. 
- Lesão das vias aéreas resultando em hemorragia e possível aspiração. 
- Ruptura ou vazamento do balão da sonda, resultando em perda da vedação durante a 
ventilação e exigindo reintubação. 
- Conversão de lesão vertebral cervical sem déficit neurológico em lesão medular 
cervical com déficit neurológico. 
 
 
 
 
 
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4. Via Aérea Difícil 
 Existem situações associadas a dificuldade na intubação traqueal como trauma 
de vias aéreas ou face, instabilidade da coluna cervical, pequena abertura da boca,