Apostila   Bases Cirurgicas
180 pág.

Apostila Bases Cirurgicas


DisciplinaCirúrgica I176 materiais1.830 seguidores
Pré-visualização48 páginas
2.4 Instrumentais de Hemostasia 
A hemostasia é um dos tempos fundamentais da cirurgia. Têm por objetivo prevenir ou 
corrigir as hemorragias, evitando dessa maneira o comprometimento hemodinâmico do 
 
17 
 
paciente, além de impedir a formação de coleções sanguíneas e coágulos no período 
pós-operatório, complicações que predispõe o paciente a infecções. Os instrumentais 
utilizados nas hemostasias são as pinças hemostáticas, essas se apresentam em vários 
modelos e tamanhos. No caso das hemostáticas, sua identificação ocorre pelo nome do 
seu idealizador. Essas pinças são bem semelhantes estruturalmente às tesouras, porém 
possuem uma característica bem relevante, que é uma cremalheira entre as argolas. 
Cremalheira é uma estrutura que tem por finalidade manter o instrumental fechado de 
maneira auto-estática, oferecendo diferentes níveis de pressão de fechamento. A 
empunhadura desse instrumento se assemelha com a descrita para as tesouras. 
\uf0b7 Pinça de Kelly: pode ser reta ou curva e apresenta ranhuras transversais até a 
metade da face interna de suas pontas. A reta é utilizada para pinçamento de 
materiais cirúrgicos como fios e drenos de borracha; a curva é utilizada para o 
pinçamento de vasos e tecidos pouco grosseiros. 
\uf0b7 Pinça de Crille: pode ser reta ou curva e apresenta ranhuras em toda face 
interna de suas pontas. Sua utilização é semelhante à pinça de Kelly. 
\uf0b7 Pinça de Halstead ou Pinça Mosquito: recebe essa segunda nomenclatura por 
causa de seu tamanho reduzido. É utilizada em vasos de pequeno calibre. 
\uf0b7 Pinça de Mixter: apresenta ponta em ângulo reto, sendo largamente utilizada na 
passagem de fios ao redor de vasos para efetuar ligaduras, assim como na 
dissecção de vasos e outras estruturas. 
\uf0b7 Pinça de Kocher: essa pinça é classificada como instrumental hemostático, 
porém seu uso não condiz com a sua classificação, pois apresenta dentes nas 
extremidades, sendo assim, empregada como instrumental de preensão. Seu uso 
mais habitual é na preensão e tração de tecidos grosseiros como aponeuroses. 
 
Pinça de Kelly à esquerda e Pinça de Crille à direita. 
 
18 
 
Pinça de Halstead 
Pinça de Kocher 
Pinça de Mixter 
2.5 Instrumentais Especiais 
Esses materiais são utilizados para finalidades específicas nos tempos operatórios 
propriamente ditos. Existem inúmeros tipos e variam de acordo com a especialidade 
cirúrgica. 
Para exemplificar serão descritos abaixo alguns instrumentais especiais que são 
utilizados em cirurgias abdominais: 
\uf0b7 Pinça de Allis: apresenta edentações na sua extremidade distal, o que a torna 
consideravelmente traumática, sendo utilizada, portanto, em tecidos grosseiros 
 
19 
 
ou naqueles que irão sofrer a exérese, ou seja, os que serão retirados do 
organismo. 
\uf0b7 Pinça de Duval: apresenta a extremidade distal semelhante ao formato de uma 
letra \u201cD\u201d, com ranhuras longitudinais ao longo da face interna da sua ponta. Por 
apresentar ampla superfície de contato, é utilizada em diversas estruturas, a 
exemplo das alças intestinais. 
\uf0b7 Clamp intestinal: pode apresentar ranhuras transversais e longitudinais, este é 
menos traumático, ao longo da face interna da sua ponta. É utilizado na 
interrupção do trânsito intestinal, o que o classifica como instrumental de 
coproestase. 
\uf0b7 Pinça de Babcock: possui argolas e cremalheiras. Na extremidade distal possui 
uma pequena superfície de contato o que a torna pouco traumática. Dessa forma, 
pode ser utilizada na manipulação de alças intestinais. 
Pinça de Allis 
Pinça de Duval 
 
20 
 
Clamp intestinal 
Pinça de Babcock 
2.6 Instrumentais de Síntese 
A síntese normalmente é o tempo final da cirurgia e consiste na aproximação dos 
tecidos seccionados no decorrer do ato operatório com o intuito de favorecer a 
cicatrização dos tecidos de maneira estética, evitar herniações de vísceras e minimizar 
os riscos de infecções no pós-operatório. O instrumental usado nesta etapa é o porta 
agulha. Os dois modelos mais importantes são: 
\uf0b7 Mayo-Hegar: estruturalmente semelhante às tesouras e às hemostáticas. 
Apresentam cremalheira para fixação e é mais utilizado para síntese em 
cavidades. Sua empunhadura é semelhante à descrita para os outros 
instrumentais com argolas. 
\uf0b7 Mathieu: possui hastes curvas, semelhantes a um alicate. Possui uma 
cremalheira pequena e central. Utilizada em suturas de tecido superficial, 
principalmente na pele em cirurgias plásticas ou ainda em cirurgias 
odontológicas. Este modelo possui uma empunhadura espalmada. 
Esses dois tipos de instrumentais e os outros dessa mesma classe possuem duas 
características em comum: a face interna marcada por ranhuras em xadrez, as quais 
evitam o deslizamento da agulha, melhorando, dessa forma, sua fixação, e um sulco 
 
21 
 
longitudinal também na face interna, o qual possui a mesma finalidade das ranhuras. Os 
outros materiais utilizados para síntese são os fios, agulhas e fios agulhados. 
Porta agulha de Mayo-Hegar 
Porta agulha de Mathieu 
2.7 Pinças de Campo 
As pinças de campo têm por finalidades fixar o campo, fenestrado ou não, impedindo 
que a sua posição seja alterada durante o ato cirúrgico. Sua extremidade é aguda, curva 
para preensão do campo e da pele do paciente. As mais comuns são as pinças de 
Backhaus. 
Pinça Backhaus 
3.0 Arrumação da Mesa de Instrumentação 
 
22 
 
A mesa de instrumentação tem uma arrumação padronizada conforme a ordem de 
utilização de cada instrumental durante o ato operatório, pois desta forma os acessos aos 
materiais são facilitados. Sendo assim, os instrumentais serão organizados segundo a 
sua classificação: diérese, preensão, hemostasia, exposição, especial e sínese. Para 
facilitar o entendimento, deve-se imaginar a mesa dividida em seis setores, porém essa 
divisão deve ser feita proporcionalmente ao tamanho e ao número dos instrumentos. É 
relevante lembrar que em alguns setores existem alguns critérios na disposição dos 
instrumentos, como exemplo o setor de preensão. Nesse, a arrumação é iniciada pelo 
instrumento menos traumático, seguindo-se com os mais traumáticos. A escolha da 
arrumação dos materiais varia de acordo com o tipo de cirurgia. 
 
O posicionamento do cirurgião em relação ao paciente irá interferir na disposição dos 
instrumentais. Nas intervenções em que o cirurgião se posiciona à direita do doente, no 
caso de cirurgias supraumbilicais, a disposição dos instrumentos inicia-se da direita para 
esquerda. Além disso, o auxiliar deve ficar em sua frente e o instrumentador ao lado 
desse, ocorrendo o inverso quando o cirurgião coloca-se à esquerda, no caso de 
cirurgias infraumbilicais. 
O posicionamento da mesa de instrumental também sofre diversas variações, as quais 
dependem da preferência do cirurgião. Alguns preferem tê-la ao seu lado para 
autonomia na preensão do instrumental, outros adotam a mesa de Mayo, que é uma 
mesa auxiliar, a qual é colocada sobre os pés do enfermo, o que facilita o acesso. 
 
23 
 
 
4.0 Sinalização Cirúrgica 
A sinalização cirúrgica é um conjunto de manobras que tem como objetivos diminuir o 
diálogo durante a cirurgia, facilitar a entrega dos materiais, manter a assepsia e, além 
disso, mostra-se como um sistema de padronização mundial para instrumentação 
cirúrgica. Esse sistema se aplica apenas aos instrumentais mais comumente utilizados, 
sendo os demais solicitados de maneira verbal. 
Bisturi: Pede-se com a mão direita com a face palmar voltada para baixo, os três 
últimos dedos fletidos, de forma que o indicador se apoia no polegar. Esse é entregue 
com a lâmina voltada para baixo pelo instrumentador para que sejam evitados acidentes.