Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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de acesso subclávio e jugular. 
 
Vantagens 
\uf0b7 Na parada cardiorrespiratória, não interfere na reanimação. 
\uf0b7 Permite hemostasia por compressão. 
\uf0b7 Inserção (e retirada) no leito por técnica através de agulha ou por técnica de 
Seldinger. 
\uf0b7 Possibilidade de troca com guia dos cateteres com defeito, ou troca por cateteres 
mais calibrosos, com mais lumens ou mal posicionados (sob radioscopia). 
 
Desvantagens 
\uf0b7 Edema de membros inferiores. 
\uf0b7 Risco de trombose (10 vezes maior que na subclávia). 
\uf0b7 Risco de 5 a 10 % de punção arterial. 
\uf0b7 Risco de infecção muito maior que o acesso pela subclávia ou jugular. 
\uf0b7 Obstrução por dobra do cateter. 
\uf0b7 Impede ou limita a deambulação. 
\uf0b7 Punção da artéria femoral comum: Conduta idêntica às descritas anteriormente. 
\uf0b7 Infecção: A taxa de infecção gira em torno de 34%, sendo Estafilococos e 
Pseudomonas os germes mais frequentes. 
\uf0b7 Trombose Venosa Profunda: Não é comum, mas caso ocorra, retira-se o cateter e 
realiza-se heparinização sistêmica. 
\uf0b7 Embolia gasosa. 
 
Evitar a femoral quando: 
\uf0b7 No trauma de membro inferior ou pelve, massa abdominal com compressão da 
veia cava, malformação da extremidade inferior, infecção local e hérnia femoral. 
\uf0b7 Distúrbios severos de coagulação (plaquetas<50.000). 
 
Técnica 
1. Colocar o paciente em decúbito dorsal. 
2. Remoção da gordura com resina ou éter. 
3. Antissepsia com álcool iodado ou iodopovidine. 
 
4. Colocação de campos estéreis. 
5. Utilização de máscaras, gorros, avental e luvas estéreis (embora seja um 
procedimento que deve ter todos esses equipamentos, a realidade local aponta só 
o uso de luvas estéreis). 
6. Anestesia com Xylocaína 1% sem vasoconstrictor no caminho a ser percorrido 
pelo cateter. 
7. Palpar e desviar lateralmente a artéria femoral comum. Puncionar a veia femoral 
comum, um centímetro abaixo do ligamento inguinal. 
8. Introduzir lentamente e fazer a aspiração para verificar o refluxo de sangue. 
9. Desconectar a seringa da agulha de punção e introduzir o cateter até o nível do 
átrio direito. 
 
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10. Retirar a agulha de punção da veia puncionada e conectar o cateter com o equipo 
de soro. 
11. Fixação do cateter na pele com fio inabsorvível e curativo. 
 
 
 
 
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3) Acesso venoso por flebotomia 
Conceito: Consiste na colocação de um cateter na luz venosa utilizando como técnica 
cirúrgica para a abertura da veia, a secção \u2013 flebotomia ou venotomia. 
 
Regra de Preferência: 1)Acesso venoso periférico; 2)Acesso venoso central; 
3)Flebotomia. A escolha preferencial para dissecção venosa é a veia safena magna e a 
segunda opção é a veia basílica medial antecubital. Estas regras gerais podem ser 
quebradas em situações especificas. 
 
Indicações e contraindicações: Nos pacientes com síndrome hemorrágica, o acesso 
venoso por flebotomia é a segunda escolha. Caso não se consiga inserir um cateter 
calibroso e curto (n°14 ou 16), deve-se executar a flebotomia. Em pacientes sem 
síndrome hemorrágica, a ordem é a mesma da Regra de Preferência. A flebotomia é 
utilizada em pacientes com distúrbios de coagulação, pois permite uma hemostasia 
eficaz. As contraindicações são relativas ao membro de escolha para realização do 
procedimento: membro traumatizado, com queimaduras, cicatrizes, presença de 
infecções e trajeto vascular danificado devem ser evitados. 
 
Veias disponíveis 
-Membros superiores: Veia basílica que pode ser abordada no 1/3 inferior e médio do 
braço. Veia cefálica pode ser acessada no 1/3 inferior do antebraço, 1/3 médio do braço 
e no sulco deltopeitoral. Veias braquial medial e lateral podem ser acessadas no 1/3 
inferior, médio e superior do braço. 
-Membros inferiores: A veia safena magna é a única utilizada para flebotomia, ela é 
abordada ao nível do maléolo medial da tíbia ou ao nível da sua croça. 
 
 
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-Região cervical: Jugular externa pode ser acessada na face ântero-lateral do pescoço, 
quando esta cruza o ventre do músculo esternocleidomastoideo. Jugular interna é 
acessada na borda medial no 1/3 inferior do músculo esternocleidomastoideo. Veia 
facial acessada na transição do 1/3 médio e superior do músculo 
esternocleidomastóideo. 
 
Instrumentos necessários: Cateteres (no caso de falta, pode-se usar sonda de Nelaton, 
mas por ser feita de PVC pode causar flebite), gaze, fios cirúrgicos, soro, seringas, 
agulhas, bisturi, tesoura, pinças hemostáticas, pinça anatômica, porta-agulha e Farabeuf. 
 
Técnica: Envolve 15 etapas: 
1. Informação do paciente. 
2. Preparação da região: Desgorduramento com éter ou resina, tricotomia, 
antissepsia com iodopovidona e colocação de campos estéreis. 
3. Anestesia: Xylocaina 1% sem vasoconstrictor. 
4. Acesso cirúrgico: Realiza-se uma incisão transversa em uma extensão suficiente 
para a realização do procedimento. 
5. Dissecção e isolamento: Com auxilio do Farabeuf, tesoura ou pinça hemostática, 
realiza-se divulsão de subcutâneo e fáscias até a visualização da veia. Após 
separar a veia dos tecidos vizinhos, deve-se isolá-la colocando fios nas 
extremidades distal e proximal. 
6. Contra-abertura: Medida importante para reduzir a taxa de infecção. Deve ser 
realizada uma pequena incisão de 1 cm na pele, seguida da tunelização com 
pinça hemostática e passagem do cateter. 
7. Flebotomia: Após a realização de teste de esvaziamento e reenchimento, análise 
da cor e presença de pulso para confirmação de que é realmente uma veia, 
segue-se a flebotomia. Mantendo-se tracionados ambos os fios de reparo, toma-
se a lâmina de bisturi, com a parte cortante virada para cima, perfura-se a veia 
fazendo uma secção parcial transversa (a extensão da secção em formato de \u201cT\u201d 
invertido pode facilitar o procedimento). Em seguida, faz-se uma leve dilatação 
com a pinça hemostática. 
 
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8. Cateterização venosa: Introdução do cateter no interior da veia de forma 
contínua e lenta. Manter o cateter cheio de soro para evitar embolia gasosa. 
Testar o bom fluxo com uma seringa. A cateterização é finalizada com um nó 
circunferencial com o fio de reparo proximal. 
9. Fixação e revisão: Revisar a presença de hemorragias na ferida cirúrgica e fazer 
suas hemostasias. Fixar o cateter na pele com fio de sutura usando a técnica do 
nó em sapato de bailarina. 
10. Síntese da ferida cirúrgica: Fazer em dois planos \u2013 Fáscia com fio absorvível 
(geralmente Vicryl) e pele com fio inabsorvível (Nylon ou Prolene). 
11. Curativo 
12. Venóclise: Terminado o curativo, o cateter deve ser conectado ao sistema de 
venóclise, que terá um gotejamento de acordo com as necessidades do paciente. 
13. Descrição do procedimento: tipo de acesso, veia abordada, região utilizada, 
cateter usado, tamanho, calibre e material, além da data, hora e assinatura. 
14. Manutenção do acesso venoso: Troca de curativo diário, realização de teste de 
fluxo e refluxo, retirada dos pontos da pele em cinco dias, na região cervical, e 
sete dias nas demais regiões. 
15. Retirada do cateter: Realizar a assepsia da região. Compressão ao nível da 
cicatriz cirúrgica e tração contínua do cateter até sua retirada completa; manter 
uma compressão durante aproximadamente dez minutos seguida de curativo. 
 
Complicações: Quanto à técnica cirúrgica, temos secção total da veia, lesão de artérias 
e nervos, hematomas locais, infecção. Quanto à permanência do cateter, microembolia 
pulmonar, infecção, flebite e trombose. 
Condutas para as complicações: Lesão arterial \u2013 fazer a hemostasia temporária para 
reconstrução por um especialista; Lesão nervosa \u2013 evitar manipulações e encaminhar 
para um especialista; Hematomas decorrentes de perfuração venosa \u2013 deve-se