Apostila   Bases Cirurgicas
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Apostila Bases Cirurgicas


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manter 
observação; Trombose venosa profunda \u2013 retirada do cateter e heparinização sistêmica; 
Flebite \u2013 retirada do cateter para enviar para cultura e na maior parte das vezes a flebite 
evolui para resolução espontânea. 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas: 
1. Neto,JB. Cirurgia de Urgência: Condutas. 1° Ed. Rio de Janeiro. Editora 
Revinter,1999: 134-143.ISBN: 85-7309-357-9. 
2. Netter,FH. Netter,Atlas de Anatomia. 4° Ed. Editora Elsevier,2006. 
3. Harold Ellis. Clinical Anatomy: A revision and applied anatomy for clinical 
students.11° Ed. Editora Blackwell,2006. 
4. Moore,KL; Dalley,AF. Anatomia orientada para clínica. 5° Ed.Editora Guanabara 
Koogan,2007. 
5. Colégio Americano de Cirurgiões-Comitê de Trauma. ATLS: Manual do curso de 
alunos. 8° Ed. ACS-USA,2008. 
6. PETROIANU, Andy; MIRANDA, Marcelo Eller; OLIVEIRA, Reynaldo Gomes 
de. Blackbook Cirurgia. Belo Horizonte: Blackbook Editora, 2008. 
 
 
 
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Capítulo 15 
Citostomia, Pericardiocentese, Drenagem torácica e 
Drenagem peritoneal 
Rebeca Reis da Rocha 
Mariana Roma Lima 
 
1. PERICARDIOCENTESE: 
É a retirada de volume fluido do saco pericárdico, tendo como principal objetivo 
aliviar qualquer compressão externa sobre o coração que possa dificultar seu 
relaxamento, ajudando assim, na eficiência deste órgão. 
 
a) Classificação: 
-Alívio 
-Terapêutica 
-Diagnóstica 
b) Indicações: 
 -Tamponamento cardíaco com choque refratário a volume 
-Parada cardíaca 
b) Cuidados: 
-Avaliar o estado cardiorrespiratório do paciente. 
-ECG antes, durante [se possível] e depois do procedimento. 
 
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-O paciente deve estar em suporte respiratório, desde cateter de O2 a respiração 
mecânica, que supra suas necessidades. 
 
c) Técnica de Marfan: 
\uf0b7 Equipamentos necessários: 
-Luvas estéreis 
-Solução tópica antisséptica (Ex. Iodopovidona). 
-Seringa 50 ml. 
-Torneira 3 vias. 
-Cateter agulhado 15 cm, calibre aproximado 16-18G. 
-Anestésico local (lidocaína 2% sem vasoconstrictor) + Água destilada. 
-Seringa p/ infiltrar o anestésico. 
 
 
\uf0b7 Técnica de punção: 
-Inicia-se a pericardiocentese pela antissepsia. Lembrando-se que mesmo que 
não seja usada toda essa área, faz-se necessária uma boa cobertura e margem de 
segurança para evitar infecções. 
-Caso haja tempo/condições do paciente: Deve-se proceder com a infiltração de 
um botão anestésico subcutâneo em região subxifoideana e paraesternal esquerda, 
contemplando o periósteo do rebordo costal esquerdo, na área próxima ao apêndice 
xifoide. 
 
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-Solução de lidocaína 2% [1 ampola de 5ml] + 5ml de água destilada. 
 
-Pela palpação, avaliar o deslocamento mediastinal do paciente em questão. 
-Puncionar a pele 1-2 cm abaixo e à esquerda da junção xifocondral numa 
angulação de 30º da pele com bisel da agulha voltado para cima e sua ponta direcionada 
à ponta da escápula esquerda. 
-Depois de penetrar a pele, é prudente que se diminua o ângulo entre a superfície 
e a agulha, pondo esta última mais próxima à parede torácica, o que diminui o risco de 
perfuração miocárdico. 
-A cada vez que avançar a agulha em direção à ponta da escápula esquerda, 
deve-se aspirar até que se atinja o saco pericárdico (resistência sutil adicional à 
perfuração); penetrar nele. 
-Aspirar o máximo de volume possível. 
-Retirar o guia. Conectar a torneira de 3 vias ao cateter e fixar este conjunto. 
 
Atenção! 
1) A resistência à penetração da agulha no saco pericárdico deve ser sutil, 
diferentemente da perfuração de qualquer outro órgão adjacente. Ex.: Miocárdio. 
2) Se a drenagem pericárdica for auxiliada por monitorização eletrocardiográfica, 
caso haja acentuada progressão da agulha aparecerá o padrão de \u201cCorrente de 
lesão\u201d; devendo então recuar a agulha até o desaparecimento da corrente, e 
depois continuar com a aspiração. 
 
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d) Lesões associadas: 
\uf0b7 Perfuração miocárdica. 
-No caso de uma leve inserção da agulha, comprovada pela pulsação do conjunto 
seringa-catéter, é só regredir com o cateter e proceder novamente à aspiração. 
-Sendo esta moderada/grave, o paciente deverá ser conduzido à toracotomia de 
emergência. 
\uf0b7 Laceração de artéria ou veia coronária: 
-Toracotomia de emergência. 
\uf0b7 Fibrilação atrial: 
-Atestada pela monitorização do eletrocardiograma. 
-A conduta varia da regressão do cateter a antiarrítmicos. 
\uf0b7 Pneumotórax: 
-Comprovado pelo Rx de controle. 
-A conduta varia da expectação à drenagem torácica. 
\uf0b7 Novo hemopericárdio: 
-O tratamento pode ir de uma nova punção ao aguardo da evolução da lesão 
iatrogênica. 
\uf0b7 Infecção da ferida. 
 
 
2. DRENAGEM TORÁCICA: 
É a instalação de um ou mais conjuntos dreno-coletor para descompressão 
torácica e melhora da mecânica respiratória, pelo escoamento da coleção seja ela 
líquida, gasosa ou mista. 
a) Classificação: 
-Alívio. 
-Terapêutica. 
-Diagnóstica. 
b) Indicações: 
 -Pneumotórax: espontâneo primário ou secundário, hipertensivo, traumático, 
iatrogênico. 
 
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 -Hemotórax: traumático ou residual. 
 -Derrame pleural: exsudato, empiema ou quilotórax. 
c) Cuidados: 
-Avaliar o estado cardiorrespiratório do paciente. 
d) Técnica de Seldinger: 
\uf0b7 Equipamentos necessários: 
-Luvas estéreis. 
-Solução tópica antisséptica (Ex. Iodopovidona). 
-Anestésico local [lidocaína 2% sem vasoconstrictor] + Água destilada. 
-Seringa p/ infiltrar o anestésico. 
-Gazes, compressas, campo fenestrado. 
-Bisturi. 
-Kit sutura + Fio nylon 3-0. 
-Kit coletor (dreno e recipiente coletor). O número do dreno varia de 32 a 40, 
dependendo do biótipo do paciente, da velocidade de fluxo de drenagem necessária e da 
gravidade do trauma. O tipo do dreno deve ser preferencialmente reto maleável, pois os 
angulados são de colocação mais difícil. 
-500 ml de qualquer solução cristalina, podendo ser Soro fisiológico, Ringer 
lactato ou Soro glicosado. 
 
\uf0b7 Técnica: 
 
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-Antes da inserção do dreno, deve-se zelar pela antissepsia, com preparo 
cirúrgico da face anterior e lateral do hemitórax doente para a intervenção. Lembrando-
se que mesmo que não seja usada toda essa área, faz-se necessária uma boa cobertura e 
margem de segurança para evitar infecções. 
-Caso haja tempo/condições do paciente: Deve-se proceder com a infiltração de 
um botão anestésico subcutâneo no 5ºEI do lado lesado, na região compreendida entre 
as linhas axilares anterior e média. 
-Deve-se contemplar com abundância todo o periósteo da borda superior da 6ª 
costela. 
-Solução de lidocaína 2% [1 ampola de 5ml] + 5ml de água destilada. 
-Perpetrar uma incisão romba de 2-3 cm, junto à borda superior da 6ª costela, de 
forma que o corte fique paralelo ao sentido das costelas. 
-Incisar apenas pele e subcutâneo. 
 
-A seguir pegar a pinça hemostática curva e divulsionar o tecido até chegar à 
pleura parietal, perfurando esta bolsa com a pinça. 
-Introduzir o dedo e conferir a profundidade/largura da fenda para confirmar ou 
não a entrada na cavidade pleural e se é possível o dreno passar. 
-Não fazer uma abertura muito grande, para que o dreno de certa forma fique um 
pouco \u201caderido\u201d à passagem. 
 
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-Pinçar a extremidade proximal do dreno e introduzi-lo na fenda, o tubo deve ser 
direcionado para face posterior junto à parede do tórax. 
-Embaçamento do tubo ou fluxo de líquidos. 
-No recipiente coletor, despejar a solução cristalina de mais rápido/fácil alcance. 
Conectar o dreno ao sistema coletor, tendo este sido previamente separado. 
-Fixar o dreno com o fio nylon 3-0 com pontos \u201cbailarina\u201d e fazer o