algumas notas sobre microeconomia
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algumas notas sobre microeconomia


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grau de satisfação dado pela utilidade de uma mercadoria. O grau máximo seria 10. Assim, se um viajante está no deserto, sem água, e aparece um beduíno vendendo o precioso líquido, o primeiro copo de água é aquele que o salvará da morte, e terá, portanto, um valor enorme para ele. Ao beber o segundo copo, ainda haverá uma grande satisfação, visto que está há dois dias sem água. Porém esse grau de satisfação já será um pouco menor que o do primeiro copo. Ao consumir o terceiro, será menor ainda e, assim, sucessivamente, até o ponto em que o viajante estiver plenamente satisfeito e não conseguir mais ingerir uma gota de água. Nesse ponto a utilidade daquele copo de água adicional será igual a zero. Se ele insistir em consumir poderá passar mal e tiver, o que se chama em Economia, uma DESUTILIDADE MARGINAL, reduzindo seu nível de satisfação total.
A tabela abaixo retrata a situação:
	NÚMERO DE COPOS DE ÁGUA
	GRAU DE SATISFAÇÃO
	UTILIDADE TOTAL
	UTILIDADE MARGINAL
	1
	10,0
	10,0
	-
	2
	9,8
	19,8
	9,8
	3
	9,3
	29,1
	9,3
	4
	8,7
	37,8
	8,7
	5
	7,5
	45,3
	7,5
	6
	6,2
	51,5
	6,2
	7
	4,5
	56,0
	4,5
	8
	2,9
	58,9
	2,9
	9
	1,1
	60,0
	1,1
	10
	0,0
	60,0
	0,0
	11
	-2,0
	58,0
	-2,0
 
Os gráficos a seguir mostram o comportamento das curvas de Utilidade Total e Marginal, à medida que a quantidade demandada aumenta:
Perceba que na quantidade demandada 10 a Utilidade Total é máxima e a Utilidade Marginal é zero. Ou seja, o consumidor atinge sua máxima satisfação quando uma unidade adicional do bem não lhe proporciona mais nenhuma utilidade.
UMg = 0 \u2192 UT máx
TÓPICO II
 DECISÃO DE CONSUMIR: ESCOLHAS DO CONSUMIDOR, CURVAS DE INDIFERENÇA E RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA.
Presume-se que toda relação de consumo seja racional, uma vez que o agente do consumo é o ser humano. Portanto, deverá escolher as mercadorias de acordo com a importância que as mesmas possuem. Isso significa que o consumidor escolherá de acordo com o grau de satisfação que obtiver, ou seja, procurará obter a máxima utilidade das mercadorias por ele consumidas. Além disso, deverá consumir na quantidade necessária para sentir-se plenamente satisfeito. 
As quantidades das mercadorias constantes da cesta de consumo poderão variar em função de determinados elementos que serão comentados em item posterior. Portanto, o consumidor preocupar-se-á em satisfazer sua necessidade, combinando as quantidades de bens de acordo com sua conveniência.
Para exemplificar essa questão, suponha que sejam necessários 25 kg de alimentos para saciar a fome de um indivíduo durante um mês, e que os alimentos da sua cesta de consumo sejam X e Y. Ele poderá optar por diferentes combinações, desde que as mesmas somem, sempre, os quilogramas necessários. Veja a tabela abaixo:
	Kg do alimento X
	Kg do alimento Y
	Total em kg consumidos
	10,0
	15,0
	25,0
	9,0
	16,0
	25,0
	8,0
	17,0
	25,0
	7,0
	18,0
	25,0
	6,5
	18,5
	25,0
	5,0
	20,0
	25,0
	4,0
	21,0
	25,0
	1,0
	24,0
	25,0
As combinações não se esgotam. Existem infinitas possibilidades que conferem o mesmo grau de satisfação ao consumidor. Essas combinações são expressas pela CURVA DE INDIFERENÇA.
BEM 
X
C
B
A
BEM 
Y 																																																																																																																																																																																	
	Os pontos A, B e C da curva acima representam três das infinitas combinações que conferem ao consumidor o nível de satisfação requerido. Note que o nível de satisfação é o mesmo, ou seja, o consumidor sempre consome os 25 kg necessários. O que varia é a quantidade dos bens X e Y. Quando o consumo de X aumenta, o de Y diminui e vice-versa. Por isso chama-se à curva que reúne os pontos de mesma satisfação do consumidor de CURVA DE INDIFERENÇA, pois, em termos de satisfação, é indiferente ao consumidor consumir em um ou outro ponto da curva.
Apesar de haver infinitos pontos à disposição do indivíduo, ele escolhe apenas um. Por que? O que o fará consumir no ponto A, B ou C?
Perceba que ao deixar de consumir no ponto A para consumir no ponto B, o consumidor deixou de consumir X e aumentou o consumo de Y, ou seja, houve substituição de uma mercadoria por outra. Isso pode ocorrer por variações nominais ou reais na renda.
Entende-se por variação nominal da renda o aumento da quantidade de moeda em poder do indivíduo. Se essa quantidade aumenta/diminui, logicamente o consumo aumentará/diminuirá, respectivamente.
A variação real da renda representa o aumento ou diminuição do poder aquisitivo derivado da diminuição ou elevação do preço de um determinado bem. Isso significa que, se o preço de um bem aumentar, a renda REAL dos indivíduos diminuirá, já que os mesmos poderão demandar menores quantidades do bem. Ao contrário, se os preços diminuírem, os consumidores demandarão mais unidades da mercadoria com a mesma quantidade de renda. 
Portanto fica claro que os consumidores, além dos seus desejos e necessidades, levarão em consideração o seu poder aquisitivo na hora de adquirirem alguma mercadoria. Fica a pergunta: como resolver o problema das múltiplas possibilidades de escolha?
TÓPICO III
O EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR
Vimos que, baseado em suas necessidades, o consumidor realiza suas escolhas de modo a obter o maior nível de satisfação possível. Dessa forma, procura combinar as quantidades das diferentes mercadorias de acordo com seus gostos e preferências. No entanto, se as mercadorias possuírem algum grau de substitutibilidade, existirão infinitas combinações que atendem ao interesse do consumidor.
Veremos que o consumidor somente poderá optar por um par ordenado, ou seja, por uma das combinações de quantidades dos bens. Para isso é necessário entender o conceito de RESTRIÇÃO ORÇAMENTÁRIA.
A reta de orçamento indica o limite de gastos por parte do consumidor, em caso de maximização de sua renda. Como o consumidor desejará maximizar sua satisfação, utilizará toda a sua renda para isso.
Suponha, para simplificar o raciocínio, que a cesta de consumo do indivíduo é composta apenas pelos bens A e B. Logo o gasto total do consumidor (que será igual à sua renda em caso de maximização), é dado por:
M = PA\u2219 QA + PB\u2219 QB
M = renda do consumidor
PA = preço do bem A	QA = quantidade do bem A
PB = preço do bem B	QB = quantidade do bem B
BEM
 
ADa equação apresentada pode-se traçar a reta orçamentária, atribuindo-se às quantidades o valor zero. Assim, quando não se consome nada de A, aloca-se toda a renda em B, e quando nada se consome de B, aloca-se toda a renda em A. O gráfico é apresentado a seguir:
BEM B
Q
A
MAXX
 
Q
B
MAX																																																																																																																																														
Como o consumidor possui o limite de renda, as diversas possibilidades mostradas no item sobre a curva de indiferença ficam restritas a esse limite. Portanto, não basta ao consumidor querer consumir, ele deve poder consumir. Busca-se, então, um ponto de tangência dos desejos e das possibilidades, ou seja, um ponto que atenda aos critérios de satisfação e de renda do consumidor.
EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR:
BEM A
BEM B
 
Q
A
MAX
 É dado pelo ponto que atende, SIMULTANEAMENTE, aos desejos e possibilidades do consumidor. É ilustrado pelo gráfico abaixo:
EQUILÍBRIO
DO 
CONSUMIDOR
E
 
Q
B
MAX																																																																																																																																																																																			
VARIAÇÕES NO EQUILÍBRIO DO CONSUMIDOR:
O ponto de equilíbrio do consumidor pode variar, permitindo que ele consuma maior quantidade dos dois bens simultaneamente. Isso pode ocorrer de duas maneiras: 
Variação na renda