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QUIMICA ANALITICA

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boa tolerância, fraca estabilidade, podendo provocar ruptura da emulsão; devido ao alto percentual de água, sofre desidratação, sendo importante adicionar à formulação substâncias bactericidas, fungicidas e antioxidantes. Seu poder penetrante é variável. A adição de surfactantes, molhantes e emulsionantes facilitam a penetração na pele.
Géis são constituídos por líquidos gelificados, com ajuda de agentes gelificantes apropriados. Gel hidrófobo, também chamado de óleo-gel, é aquele constituído por excipientes, como parafina líquida, adicionada de polietileno, por óleos graxos gelificados, óleo de óxido de silício coloidal ou por sabões de alumínio ou de zinco.
8.6 ESCOLHA DOS EXCIPIENTES PARA AS FORMAS FARMACÊUTICA SEMISSÓLIDA
Um bom excipiente deve ter uma boa consistência, ser bem tolerado pela pele ou mucosa e apresentar pouca ou nenhuma incompatibilidade com os outros constituintes da formulação. Deve em geral facilitar a penetração do princípio ativo, deve ser estável, para permitir uma boa conservação. Os excipientes utilizados na preparação de formas farmacêuticas semissólidas podem ser subdivididos em anidros, hidratados e emulsionantes, conforme descritos a seguir:
8.6.1 Excipientes anidros a) Glicerídeos óleos vegetais: são utilizados em associação com as ceras ou sob forma de emulsão – óleos hidrogenados; são utilizados em função da sua consistência. Os glicerídeos em geral são bem tolerados pela pele. Suas principais características são: miscibilidade, facilitar a penetração do principio ativo, instabilidade, necessidade da adição de antioxidantes, não são laváveis em água, são oclusivos e favorecem a hidratação da pele. b) Ceras: o maior destaque deste grupo é a lanolina, dado sua boa consistência e boa aderência à pele, permitindo a incorporação de soluções aquosas. A lanolina é miscível com a vaselina. Os produtos de fracionamento da lanolina são cada vez mais utilizados. Ao lado da lanolina, são também muito utilizados a cera de carnaúba e o espermacete, que pela consistência dura são utilizados quando se deseja obter uma pomada de maior consistência, e também com finalidade de retenção de água. As ceras são mais estáveis que os glicerídeos e não são laváveis em água. c) Hidrocarbonetos e silicone – dentre os hidrocarbonetos o mais utilizado pela sua consistência e facilidade de envase é a vaselina. A parafina é utilizada por sua consistência, dando forma às pomadas mais fluidas. As principais características dos hidrocarbonetos são boa tolerância pela pele, inerte quimicamente, compatíveis com a maioria dos excipientes, obtenção da forma anidra – razão pela qual são utilizados quando o principio ativo é sensível à umidade; não se pode incorporar diretamente os princípios ativos aquosos, é necessário juntar colesterol ou lanolina, o seu poder de penetração é muito fraco, formam um revestimento oclusivo, são perfeitamente estáveis, não são laváveis com água. O domínio da utilização do silicone é muito reduzido, são utilizados em cremes protéticos, em misturas ou emulsões, por suas propriedades hidrófobas; são estáveis e inertes fisiologicamente. Pomadas a base de silicone são utilizadas como proteção das mãos contra produtos agressivos. d) Polietilenoglicóis e homólogos: são hidrófilos, aderem bem à pele; a consistência conveniente é obtida por mistura de polímeros sólidos e líquidos, em proporções determinadas. A consistência pode ser modificada pela adição de água. Ao juntar 5% a 10% de água numa mistura de PEG 4000 e 400, se obtém um excipiente mais cremoso, diminuindo sensivelmente a higroscopicidade da preparação. O poder higroscópico dos PEG é mais fraco que o da glicerina. Os PEG não são oclusivos quando associados a outros excipientes anidros, como a vaselina, lanolina e óleos; formam uma mistura homogênea ao microscópio, a imiscibilidade é evidente. A penetração de medicamentos na pele fica prejudicada devido à sua hidrofilia. Portanto, são utilizados em ações superficiais, juntamente com antissépticos ou fungicidas. Os PEG apresentam incompatibilidade com os conservantes fenólicos. São estáveis e laváveis com água. Os PEG e seus homólogos são utilizados em emulsões óleo/água, para ajustar a consistência e para retardar a evaporação da fase aquosa.
8.6.2 Excipientes hidratados (hidrogéis)
São os excipientes formados por gel aquoso. Distinguem-se neste grupo os géis de produtos minerais, como betonite e sílica. Géis de polímero orgânico: alginatos, gelose, pectina, metilcelulose, carboximetilcelulose.
As vantagens dos hidrogéis são muito reduzidas: são bem tolerados e são laváveis. Os inconvenientes: são incompatíveis com grande número de princípios ativos, são instáveis, tem tendência ao ressecamento, a água pode ser parcialmente retida por adição de glicerina. Os géis de substâncias orgânicas constituem excelentes meios de cultura, devem-se juntar antifúngicos. O seu poder de penetração na pele é praticamente nulo.
8.6.3 Excipientes emulsionados
Por apresentar duas fases, estes excipientes podem ser lipófilos e hidrófilos.
Na composição da fase oleosa encontram-se os glicerídeos, as ceras, os hidrocarbonetos, os ácidos graxos, e os alcoóis graxos; na fase aquosa, a água adicionada de polialcoóis como: glicerina, dietilenoglicol, propilenoglicol e PEG.
Os emulsionantes têm suas vantagens e inconvenientes. Emulsões água no óleo: são em particular os cold-creams que têm o seu nome relacionado com a sensação refrescante quando da sua aplicação, como exemplo tem-se a cera cosmética ou cold-cream oficinal. Existem numerosas fórmulas de cold-cream que contêm ceras e óleos, que são utilizados, seja por suas propriedades emolientes e adoçantes, seja como excipientes para diversos princípios ativos. A lanolina hidratada é um exemplo de base emulsionada, tipo água no óleo, para pomadas. Estes excipientes emulsionados água no óleo são geralmente bem tolerados, apresentam as incompatibilidades dos seus diversos constituintes. O seu poder penetrante é discutível, pois podem por vezes facilitar a penetração de certos princípios ativos. Devem-se adicionar antioxidantes neste tipo de formulação; não são laváveis com água.
8.7 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS
Dentre as formas farmacêuticas líquidas produzidas em uma indústria farmacêutica, podemos citar os xaropes, soluções orais e suspensões.
Soluções são misturas de uma ou mais substâncias, normalmente um soluto totalmente disperso em um solvente ou veículo, resultando em fármacos de fase única. O processo de fabricação desta forma farmacêutica é relativamente simples, dependendo basicamente da escolha do solvente adequado para determinado principio ativo. O tamanho de lote industrial pode variar entre 100 e 10.0 litros, dependendo do volume de vendas do produto. Desta forma, o maior desafio na produção industrial de soluções reside na homogeneização dos componentes da fórmula, em especial o princípio ativo, que depende da agitação oferecida por cada equipamento, tipo de hélice, número, potência de motor, aquecimento, dentre outros. A figura 17 mostra equipamentos comumente utilizados na produção de formas farmacêuticas líquidas.
A produção de xaropes é um pouco mais complexa, já que requer a preparação da base açucarada, o que demanda aquecimento, além da incorporação do princípio ativo, evitando a precipitação. Algumas plantas industriais não dispõem de caldeiras para o aquecimento e circulação da água purificada e, neste caso, o tanque de produção de soluções deve ser equipado com camisa de aquecimento, acoplada a um termostato.
Dentre as formas farmacêuticas líquidas, a única que necessita de estudos de bioequivalência para ser registrada na ANVISA é a suspensão. Esta exigência é recente e tem tornado o processo de desenvolvimento e produção de suspensões bastante complexo, quando comparados a outras formas farmacêuticas líquidas. Além disso, uma boa suspensão depende de um maior número de excipientes, como por exemplo agentes suspensores, estabilizantes e espessantes, o que requer