caderno cpp comentado 1sem renato
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DisciplinaDireito Processual Penal I18.640 materiais138.127 seguidores
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nesse raciocínio, portanto, mesmo que o acusado tivesse perma-
necido solto durante todo o processo, impunha-se o recolhimento 
à prisão como efeito automático de um acórdão condenatório 
proferido pelo órgão jurisdicional de segundo grau, ainda que a 
sentença condenatória não tivesse transitado em julgado em virtude 
da interposição dos recursos extraordinário e especial.
Ocorre que, no julgamento do Habeas Corpus n. 84.078 no 
ano de 2009, o Plenário do Supremo, por maioria de votos (7 a 4), 
alterou sua orientação jurisprudencial até então dominante para 
concluir que a execução da pena só poderia ocorrer com o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória. Logo, a despeito de os 
recursos extraordinários não serem dotados de efeito suspensivo, 
enquanto não houvesse o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória, não seria possível a execução da pena privativa de 
liberdade, ressalvada a hipótese de prisão cautelar do réu, cuja 
decretação estaria condicionada à presença dos pressupostos do 
art. 312 do CPP.2 
Todavia, em julgamento histórico realizado no dia 17 de fe-
vereiro de 2016 (HC 126.292),3 e novamente por maioria de votos 
1. STF: \u201c(...) A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de ser 
possível a execução provisória da pena privativa de liberdade, quando os recursos 
pendentes de julgamento não têm efeito suspensivo. (...)\u201d. (STF, 1ª Turma, HC 91.675/
PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 04/09/2007, Dje 157 06/12/2007).
2. HC 84.078, Rel. Min. Eros Grau. Informativo n. 534 do STF \u2013 Brasília, 2 a 6 de fevereiro de 
2009. Ainda no sentido de que a prisão sem fundamento cautelar, antes de transitada 
em julgado a condenação, consubstancia execução antecipada da pena, violando o 
disposto no art. 5º, inciso LVII, da Constituição do Brasil: STF, 2ª Turma, HC 88.174/SP, 
Rel. Min. Eros Grau, j. 12/12/1996, DJe 092 30/08/2007. E também: STF, 2ª Turma, HC 
89.754/BA, Rel. Min. Celso de Mello, j. 13/02/2007, DJe 04 26/04/2007; STF, 2ª Turma, 
HC 91.232/PE, Rel. Min. Eros Grau, j. 06/11/2007, DJe 157 06/12/2007; STJ \u2013 HC 122.191/
RJ \u2013 5ª Turma \u2013 Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima \u2013 Dje 18/05/2009.
3. \u201c(...) PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (CF, ART. 5º, LVII). 
SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA CONFIRMADA POR TRIBUNAL DE SEGUNDO GRAU 
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(7 a 4), o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu que é 
possível a execução provisória de acórdão penal condenatório 
proferido por Tribunal de segunda instância no julgamento de 
apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, e 
mesmo que ausentes os requisitos da prisão cautelar, sem que se 
possa objetar suposta violação ao princípio da presunção de ino-
cência, já que é possível fixar determinados limites para a referida 
garantia constitucional. Assim, a execução da pena na pendência 
de recursos de natureza extraordinária não comprometeria o nú-
cleo essencial do pressuposto da não culpabilidade,4 conquanto o 
acusado tivesse sido tratado como inocente no curso de todo o 
processo ordinário criminal, observados os direitos e as garantias 
a ele inerentes, bem como respeitadas as regras probatórias e o 
modelo acusatório atual. Não se trata, portanto, de prisão caute-
lar. Cuida-se, na verdade, de verdadeira execução provisória da 
pena. Em seu voto, o Relator \u2013 Min. Teori Zavascki \u2013 apontou os 
seguintes fundamentos:
a) deve ser buscado o necessário equilíbrio entre o princípio 
da presunção de inocência e a efetividade da função jurisdicional 
penal, que deve atender a valores caros não apenas aos acusados, 
mas também à sociedade;
b) é no âmbito das instâncias ordinárias que se exaure a pos-
sibilidade de exame de fatos e provas e, sob esse aspecto, a própria 
fixação da responsabilidade criminal do acusado. É dizer, os recursos 
de natureza extraordinária não configuram desdobramentos do 
duplo grau de jurisdição, porquanto não são recursos de ampla 
devolutividade, já que não se prestam ao debate da matéria fática 
DE JURISDIÇÃO. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. POSSIBILIDADE. 1. A execução provisória de 
acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso 
especial ou extraordinário, não compromete o princípio constitucional da presunção 
de inocência afirmado pelo artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal. 2. Habeas 
corpus denegado\u201d. (STF, Pleno, HC 126.292/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 17/02/2016, 
DJe 100 16/05/2016).
4. Para mais detalhes acerca do princípio da presunção de inocência, remetemos o leitor 
ao nosso Manual de Processo Penal (4ª ed. Salvador: Editora Juspodvim, 2016, p. 43-48). 
e ao nosso Código de Processo Penal Comentado (Salvador: Editora Juspodivm, 2016, 
p. 466-471). 
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probatória.5 Noutras palavras, com o julgamento implementado 
pelo tribunal de apelação, ocorreria uma espécie de preclusão da 
matéria envolvendo os fatos da causa;
c) se houve, em segundo grau, um juízo de incriminação do 
acusado, fundado em fatos e provas insuscetíveis de reexame pela 
instância extraordinária, parece inteiramente justificável a relati-
vização e até mesmo a própria inversão, para o caso concreto, do 
princípio da presunção de inocência até então observado. Faria 
sentido, portanto, negar efeito suspensivo aos recursos extraordi-
nários, como o faz o art. 637 do CPP;
d) a Lei da Ficha Limpa (LC n. 135/2010) expressamente 
consagra como causa de inelegibilidade a existência de sentença 
condenatória por crimes nela relacionados quando proferidas por 
órgão colegiado;
e) em nenhum país do mundo, depois de observado o duplo 
grau de jurisdição, a execução de uma condenação fica suspensa, 
aguardando referendo da Corte Suprema;
f) a jurisprudência que assegurava a presunção de inocência até 
o trânsito em julgado de sentença condenatória vinha permitindo 
a indevida e sucessiva interposição de recursos da mais variada 
espécie, com indisfarçados propósitos protelatórios, visando, não 
raro, à configuração da prescrição da pretensão punitiva ou exe-
cutória, já que o último marco interruptivo do prazo prescricional 
5. As matérias fáticas que levariam apenas a um reexame da prova estão excluídas dos 
recursos especial e extraordinário, nos termos da súmula n. 279 do STF (\u201cPara simples 
reexame de prova não cabe recurso extraordinário\u201d) e da súmula n. 7 do STJ (\u201cA pretensão 
de simples reexame de prova não enseja recurso especial\u201d). A tese de que os recursos 
extraordinários não têm por finalidade específica examinar a justiça ou injustiça de 
sentenças em casos concretos, destinando-se, precipuamente, à tutela da Constituição 
Federal e da legislação federal ganhou reforço com a Emenda Constitucional n. 45/2004, 
que passou a exigir, em relação ao recurso extraordinário, a presença de uma \u201creper-
cussão geral\u201d da questão constitucional. Também não se pode olvidar do surgimento 
do mecanismo do sobrestamento dos recursos extraordinários e especiais repetitivos, 
para que o Tribunal julgue apenas um ou alguns recursos significativos da controvérsia.
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antes do início do cumprimento da pena é a publicação da sentença 
ou do acórdão recorríveis (CP, art. 117, IV);6
g) quanto a eventuais equívocos das instâncias ordinárias, 
não se pode esquecer que há instrumentos aptos a inibir conse-
quências danosas para o condenado, suspendendo, se necessário, 
a execução provisória da pena, como, por exemplo, medidas cau-
telares de outorga