eca anotado 2013 6ed
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irmãos em relação ao outro. Assim sendo, não mais se deve colocar 
os irmãos em famílias substitutas diversas, o que realça a necessidade de 
investir em políticas destinadas à reintegração familiar e/ou à colocação familiar 
das crianças e adolescentes junto a parentes, que em regra são mais propensos 
a acolher grupos de irmãos, especialmente quando numerosos, sem prejuízo da 
realização de um trabalho de preparação psicossocial dos interessados em 
adotar, que contemple o estímulo à adoção de grupos de irmãos (cf. arts. 50, 
§§3º e 4º e 197-C, do ECA). 
94 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI, 92, inciso VIII; 151 e 166, §7º, do ECA. O dispositivo 
enaltece a importância de realização de um trabalho voltado à efetiva integração 
da criança ou adolescente à família substituta, na perspectiva de que a colocação 
familiar tenha êxito, evitando possível resistência à aplicação da medida ou 
problemas de adaptação daquela ao seu novo lar. Para tanto, é necessária uma 
articulação entre a equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da 
Juventude e a equipe técnica responsável pela execução da política municipal de 
garantia do direito à convivência familiar, sem prejuízo da participação também 
dos técnicos a serviço dos programas de acolhimento institucional e familiar que 
deverão integrar tal política. O contido no presente dispositivo deve ser também 
aplicado (por analogia) quando da reintegração da criança ou adolescente 
afastado do convívio familiar à sua família de origem, de modo que haja uma 
preparação adequada e um acompanhamento posterior, devendo-se, em 
qualquer caso, tomar as cautelas e providências necessárias para que a medida 
surta os resultados desejados e que a criança/adolescente cresça num ambiente 
familiar saudável, cercada de amor e cuidados. 
 
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95 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 161, §2º, do ECA e 
arts. 20 e 30, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. A 
preocupação do legislador foi destinar às crianças e adolescentes indígenas e 
oriundas de comunidades remanescentes de quilombos um tratamento 
diferenciado, que respeite suas peculiaridades (cf. art. 100, caput, do ECA). O 
diálogo e a articulação de ações (cf. art. 86, do ECA) entre os antropólogos e 
técnicos do órgão federal responsável pela política indigenista e a equipe 
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude é fundamental, 
como forma de evitar ou minorar possíveis traumas decorrentes do afastamento 
da criança ou adolescente do seio de sua comunidade, em razão da diversidade 
cultural existente. A previsão da observância de certas cautelas e princípios 
quando do atendimento de indígenas está também presente em normas 
internacionais, como é o caso da Convenção nº 169/1989, da OIT, de 
27/06/1989, aprovada pelo Dec. Legislativo nº 143/2002, de 20/06/2002 e 
promulgada pelo Decreto nº 5.051/2004, de 19/04/2004. Cumpre observar, por 
fim, que a partir de uma interpretação extensiva do dispositivo, a intervenção de 
antropólogos e as cautelas adicionais nele referidas devem ser também 
observadas quando do atendimento de crianças, adolescentes e famílias 
provenientes de outros grupos étnicos e/ou cuja diversidade cultural assim o 
determine, a exemplo dos ciganos, devendo-se, em qualquer caso, respeitar o 
quanto possível sua cultura e seus costumes, livre de qualquer preconceito ou 
discriminação em razão da origem da família que, nunca é demais lembrar, será 
sempre destinatária de \u201cespecial proteção por parte do Estado\u201d (lato sensu), por 
força do disposto no art. 226, da CF. 
96 Vide arts. 215, §1º, 231 e 232, da CF, art. 100, par. único, do ECA e art. 6º, da 
Lei nº 6.001/1973, de 19/12/1973 (Estatuto do Índio). O respeito à cultura e os 
costumes dos povos indígenas e das comunidades remanescentes de quilombos 
passa a ser obrigatório. 
97 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 4º, caput (direito 
à convivência comunitária), 28, §3º e 100, caput, do ECA. 
98 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI e 151, do ECA. Mesmo com a intervenção do órgão Federal 
responsável pela política indigenista, a competência para processar e julgar os 
pedidos de colocação em família substituta envolvendo crianças e adolescentes 
indígenas continua sendo da Justiça Estadual. Neste sentido: MEDIDA DE 
PROTEÇÃO. CRIANÇA INDÍGENA ABANDONADA. INTERESSE DA FUNAI. 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Tratando-se de uma criança 
abandonada pela família biológica, é cabível a adoção das providências 
protetivas pretendidas pelo Ministério Público. 2. Mesmo que a criança seja 
silvícola, deve o processo tramitar perante a Justiça Estadual, especializada nas 
questões da infância e da juventude, tendo incidência da norma do art. 227 da 
CFB, com a finalidade de assegurar a proteção integral à criança, prevista no 
ECA. 3. Precisamente por se tratar de criança indígena, a FUNAI tem 
legitimidade para figurar no processo, exercendo uma curatela especial, pois a 
sua função legal é a de prestar assistência aos silvícolas, a fim de que, tanto 
quanto possível, possa a criança ser mantida dentro do seu grupo étnico, 
respeitando-se sua organização social, costumes, crenças e tradições. Recurso 
provido em parte. (TJRS. 7ª C. Cív. A. I. nº 70016832586. Rel.: Sérgio Fernando 
de Vasconcellos Chaves. J. em 29/11/2006). 
Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por 
qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça 
ambiente familiar adequado [99]. 
 
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99 Vide arts. 50, §§1º e 2º, 167 e 197-C, do ECA. Sobre a matéria: ADOÇÃO. 
FAMÍLIA SUBSTITUTA. ESTUDO SOCIAL CONTRÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS 
REQUISITOS LEGAIS (ARTIGOS 29 e 43 DO ECA). DECISÃO CONFIRMADA. 1. 
Para que uma criança seja colocada mediante adoção, em uma família 
substituta, é necessário a rigorosa comprovação dos critérios de compatibilidade 
da pessoa que deseja adotar com a natureza da medida, do ambiente familiar 
adequado, das vantagens para o adotando e da fundamentação calcada em 
motivos legítimos, previstos nos artigos 29 e 43, do ECA, vez que os interesses 
do menor prevalecem sobre a vontade dos adotantes. 2. Não elididos os pontos 
contrários à adoção constantes do estudo social, pelas provas produzidas pelos 
requerentes, deve ser rejeitada a pretensão de colocação da criança na família 
substituta. (TJPR. Rec.Ap.ECA nº 98.2581-2. Rel. Des. Accácio Cambi. Ac. 
nº 8346. J. em 08/03/1999). 
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou 
adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem 
autorização judicial [100]. 
100 Vide arts. 148, caput e inciso III e par. único, alínea \u201ca\u201d, do ECA. Em outras 
palavras, a colocação de criança ou adolescente em família substituta, em 
qualquer de suas modalidades, é medida de competência privativa da autoridade 
judiciária, não podendo ser aplicada pelo Conselho Tutelar (inteligência do art. 
136, inciso I, do ECA) e muito menos por entidades de acolhimento familiar, que 
embora devam estimular (sempre que esgotadas as possibilidades de retorno da 
criança ou adolescente à família de origem) a integração da criança ou 
adolescente que se encontre inserida em programa de acolhimento institucional 
em família substituta (conforme disposto no art. 92, inciso II do ECA), isto 
somente poderá ser concretizado mediante intervenção da autoridade judiciária 
competente, o que vale inclusive para transferência de crianças e adolescentes 
de uma entidade para outra. 
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, 
somente admissível na modalidade de adoção [101]. 
101 Vide arts. 50, §10, 51, 52 e 52-A a D, do ECA e art. 4º, alínea \u201cb\u201d, da 
\u201cConvenção de Haia\u201d (Convenção Relativa