eca anotado 2013 6ed
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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ 
Centro de Apoio Operacional das Promotorias 
da Criança e do Adolescente 
 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
Anotado e Interpretado 
 
Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 
(atualizado até a Lei nº 12.796/2013, de 04 de abril de 2013) 
Murillo José Digiácomo e 
Ildeara de Amorim Digiácomo 
 
novembro de 2013
 
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ 
Procurador-Geral de Justiça 
Gilberto Giacoia 
Subprocuradores-Gerais de Justiça: 
Assuntos Jurídicos 
Samia Saad Gallotti Bonavides 
Assuntos Administrativos 
José Deliberador Neto 
Assuntos de Planejamento Institucional 
Bruno Sérgio Galatti 
Corregedor-Geral 
Moacir Gonçalves Nogueira Neto 
Subcorregedor-Geral 
Geraldo da Rocha Santos 
Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional 
Samia Saad Gallotti Bonavides 
Centro de Apoio Operacional das Promotorias 
da Criança e do Adolescente e da Educação: 
Adolfo Vaz da Silva Júnior 
Hirmínia Dorigan de Matos Diniz 
Márcio Teixeira dos Santos 
Murillo José Digiácomo 
Ficha Catalográfica 
Digiácomo, Murillo José, 1969- 
 Estatuto da criança e do adolescente anotado e interpretado / 
Murillo José Digiácomo e Ildeara Amorim Digiácomo.- 
Curitiba .. Ministério Público do Estado do Paraná. Centro de 
Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do 
Adolescente, 2013. 6ª Edição. 
 
 1. Direitos da criança - legislação - Brasil 2. Direitos da 
criança - jurisprudência - Brasil I. Digiácomo, Ildeara Amorim 
CDU 347.63(81)(094.46) 
Ministério Público do Estado do Paraná 
Centro de Apoio Operacional das Promotorias 
da Criança e do Adolescente e da Educação 
(Subsede Marechal) 
Av. Marechal Floriano Peixoto, nº 1.251 
Rebouças - Curitiba - Paraná 
CEP 80230-110 
Fone (41) 3250-4703 / Fax (41) 3250-4723 caopca@mp.pr.gov.br 
 
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PREFÁCIO 
É com extraordinária satisfação e indisfarçável orgulho que me 
vejo na condição de prefaciar obra que o Promotor de Justiça Murillo José 
Digiácomo produziu, em parceria com sua esposa, a Professora Ildeara de 
Amorim Digiácomo, consistente em comentários sobre o Estatuto da Criança e 
do Adolescente. 
Para além de uma amizade de longa data, minha admiração pelo 
autor reside no fato de estar ele, como jurista orgânico que é, dedicando sua 
existência à causa da infância e juventude, com a crença sincera de que a 
instalação de desejada sociedade melhor e mais justa só se dará com a real 
implementação das promessas de cidadania contempladas no ordenamento 
jurídico - especialmente na Constituição Federal e na Lei nº 8.069/1990 - 
para as nossas crianças e adolescentes. Esse verdadeiro ideal de vida é 
também compartilhado por sua esposa, professora das disciplinas Direito da 
Criança e do Adolescente e Direito de Família, que tem sido sua parceira de 
todas as horas na busca de uma melhor compreensão e de uma adequada 
aplicação da lei por todos aqueles que militam na área infanto-juvenil. 
Assim, a qualidade dos comentários do casal Murillo e Ildeara 
ultrapassa aquela que adviria apenas de um mero conhecimento acadêmico, 
completando-se sobremaneira com a oriunda da labuta cotidiana de ambos 
para a efetivação - seja na esfera administrativa ou judicial - dos direitos das 
crianças e adolescentes. 
Com o orgulho do reconhecimento de que estamos diante de 
situação em que o aluno suplantou o mestre, recordo-me dos diálogos acerca 
de temas importantes para nossa luta pela infância e juventude e que, desde 
logo, a afirmação do Murillo me tranquilizava: \u201cJá escrevi um artigo sobre 
isso\u201d. 
A presente obra contempla então, de forma compilada, as 
corretas reflexões de Murillo e Ildeara sobre as matérias mais relevantes para 
a área da infância e juventude, especialmente aquelas que surgem no 
cotidiano da aplicação da Lei nº 8.069/1990 (especialmente diante das 
recentes alterações introduzidas a seu texto pela Lei nº 12.010/2009), 
complementada pela legislação nacional e internacional correlata, por parte 
de todos aqueles que integram o denominado \u201cSistema de Garantia dos 
Direitos da Criança e do Adolescente\u201d. 
Como melhor doutrina, a significativa contribuição para o 
encaminhamento correto das questões pertinentes ao Estatuto da Criança e 
do Adolescente se apresenta indisputável, assim como sua leitura exsurge 
indispensável aos operadores do direito, integrantes dos Conselhos de Direitos 
e Tutelares, professores, equipes técnicas vinculadas à área da infância, 
entidades da sociedade civil organizada, enfim a todos que militam no campo 
da infância e juventude. 
Como se sabe, o Estatuto da Criança e do Adolescente comparece 
no nosso ordenamento jurídico enquanto forma de regulamentação do art. 
 
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227, da Constituição Federal, que absorveu os ditames da doutrina da 
proteção integral e contempla o princípio da prioridade absoluta. 
Formulado com o objetivo de intervir positivamente na tragédia 
de exclusão experimentada pela nossa infância e juventude, o Estatuto da 
Criança e do Adolescente apresenta duas propostas fundamentais, quais 
sejam: a) garantir que as crianças e adolescentes brasileiros, até então 
reconhecidos como meros objetos de intervenção da família e do Estado, 
passem a ser tratados como sujeitos de direitos; b) o desenvolvimento de 
uma nova política de atendimento à infância e juventude, informada pelos 
princípios constitucionais da descentralização político-administrativa (com a 
consequente municipalização das ações) e da participação da sociedade civil. 
Entretanto, no quadro real de marginalidade em que se encontra 
a grande maioria da população brasileira (integrante do país que se 
transformou em \u2018campeão mundial\u2019 das desigualdades sociais), sabemos que 
padecem especialmente as nossas crianças e adolescentes, vítimas frágeis e 
vulneradas pela omissão da família, da sociedade e, principalmente, do 
Estado, no que tange ao asseguramento dos seus direitos fundamentais. 
Diante de um contexto de desassistência e abandono (calcula-se 
a existência de cerca de 40 milhões de carentes e abandonados), almeja-se 
que as regras de cidadania contempladas no ordenamento jurídico em prol da 
população infanto-juvenil não permaneçam meras \u2018declarações retóricas\u2019, 
\u2018exortações morais\u2019, singelos \u2018conselhos\u2019 ao administrador e, porque assim 
tomadas, postergadas na sua efetivação ou relegadas ao abandono. 
É que as crianças e adolescentes vítimas do holocausto 
permanente ditado pelas absurdas taxas de mortalidade, as que apresentam 
lesões celebrais irreversíveis decorrentes da subnutrição, as que sobrevivem 
nas ruas através da esmola degradante, bem como as que não têm acesso à 
educação ou à saúde, não podem mais aguardar que a \u2018natureza das coisas\u2019 
ou o \u2018processo histórico\u2019 venham a intervir para a materialização daquilo que 
lhes foi prometido no ordenamento jurídico brasileiro como garantia de 
dignidade a quem se encontra em peculiar fase de desenvolvimento. 
Então, convém admitir que a lei - ainda que de reconhecida 
excelência - não tem o condão de, por si só, alterar a realidade social. O que 
transforma a sociedade é, na verdade, o efetivo exercício dos direitos 
previstos na lei, a partir de uma atuação firme e decidida daqueles que, de 
uma forma ou de outra, detém o poder e, por via de consequência, a 
responsabilidade para criar as condições e os meios indispensáveis ao 
exercício de tais direitos. 
Dessa maneira, consideradas nossas iniquidades (políticas, 
sociais e econômicas) e na perspectiva da construção de condições mais 
justas e igualitárias (capazes, por isso mesmo, de instalar relações sociais 
solidárias e pacíficas), pretende-se, nessa atual quadra histórica, que as 
forças progressistas da sociedade brasileira venham a intervir de maneira 
mais incisiva (e positiva) na implementação das regras