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(e 
conscientização) dos profissionais da área, bem como fornecer mecanismos 
destinados a facilitar as denúncias, como \u201cfichas de notificação obrigatória\u201d ou 
similares. As denúncias de abuso ou violência sexual contra crianças e 
adolescentes podem ser também efetuadas através do telefone \u201c100\u201d, que é o 
número do \u201cDisque-Denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração 
Sexual contra Crianças e Adolescentes\u201d, mantido pela Secretaria Especial dos 
Direitos Humanos - SEDH. Nos estados, denúncias podem ser também 
encaminhadas ao número 181, e a Lei nº 12.003/2009, de 29/07/2009 criou um 
número de telefone único para o Conselho Tutelar em todo Brasil, ainda a ser 
definido. 
43 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 8º, §5º, 238 e 
258-B, do ECA. O objetivo do legislador foi coibir práticas ilegais, abusivas e 
 
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mesmo criminosas como a \u201cadoção à brasileira\u201d e a entrega de filho com vista à 
adoção mediante paga ou promessa de recompensa. As gestantes que 
manifestam interesse em entregar seus filhos para adoção devem receber a 
devida orientação psicológica e também jurídica, de modo que a criança tenha 
identificada sua paternidade (nos moldes do previsto na Lei nº 8.560/1992) e lhe 
sejam asseguradas condições de permanência junto à família de origem ou, se 
isto por qualquer razão não for possível, seja então encaminhada para adoção 
legal, junto a pessoas ou casais regularmente habilitados e cadastrados (cf. art. 
50, §§ 3º e 13, do ECA). 
Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e 
odontológica para a prevenção [44] das enfermidades que ordinariamente afetam a 
população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais [45], educadores e 
alunos [46]. 
Parágrafo único. É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados 
pelas autoridades sanitárias [47]. 
44 Vide art. 70, do ECA. A prevenção, tanto sob o prisma geral (coletivo), quanto 
no plano individual, é uma preocupação constante da sistemática introduzida 
pelo ECA, na perspectiva de evitar a ocorrência de danos a crianças e 
adolescentes. O não oferecimento ou a oferta irregular deste programa (que na 
verdade se constitui num serviço público, que deve possuir um caráter 
permanente), pode levar à responsabilidade civil e administrativa do gestor da 
saúde, conforme previsto pelo art. 208, inciso VII, do ECA). 
45 Vide arts. 100, par. único, incisos IX e XI e 129, inciso IV, do ECA. 
46 Vide art. 205, da CF e arts. 53, caput e 101, inciso II, do ECA. O dispositivo 
evidencia a necessidade de articulação entre os setores da educação e saúde 
(nos moldes do previsto no art. 86, do ECA), para que as ações de saúde sejam 
executadas no âmbito das escolas, numa perspectiva eminentemente 
preventiva. No Paraná, vide Lei Estadual nº 16.105/2009, de 18/05/2009, que 
institui a Semana de Orientação Sobre a Gravidez na Adolescência, na primeira 
semana do mês de maio. 
47 Vide Lei nº 6.259/1975, que dispõe sobre a organização das ações de vigilância 
epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas 
relativas à notificação compulsória de doenças, e dá outras providências; 
Decreto nº 78.231/1976 e Portaria nº 1.602/2006/GM (que institui os 
calendários de vacinação). 
 
CAPÍTULO II - DO DIREITO À LIBERDADE, AO RESPEITO E À 
DIGNIDADE 
Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade 
como pessoas humanas [48] em processo de desenvolvimento [49] e como sujeitos 
de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis [50]. 
48 Vide art. 1º, inciso III, da CF e art. 1º da Declaração Universal dos Direitos do 
Homem, Adotada e proclamada pela Resolução nº 217-A (III), da Assembléia 
Geral das Nações Unidas em 10/12/1948. O princípio da dignidade da pessoa 
humana é universalmente consagrado, sendo inerente a todo ser humano, 
independentemente da idade. 
 
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49 Vide art. 6º, in fine, do ECA. 
50 Vide arts. 1º, inciso III, 5º, 227, caput e §3º, inciso V, da CF e arts. 3º, 4º, 
caput, 5º, 6º, 100, par. único, inciso I e 121, caput, terceira parte, do ECA. Os 
direitos de crianças e adolescentes contemplados pela Lei nº 8.069/90 são, 
essencialmente, direitos humanos, aos quais se somam direitos civis e sociais 
que também são previstos em outras leis e na própria Constituição Federal. A 
violação de tais direitos, assim como ocorre em relação aos demais, é passível 
de reparação, inclusive, a título de danos morais, ainda que os agentes sejam os 
próprios pais da criança ou adolescente. Neste sentido: INDENIZAÇÃO DANOS 
MORAIS. RELAÇÃO PATERNO-FILIAL. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA 
HUMANA. PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE. A dor sofrida pelo filho, em virtude do 
abandono paterno, que o privou do direito à convivência, ao amparo afetivo, 
moral e psíquico, deve ser indenizável, com fulcro no princípio da dignidade da 
pessoa humana. (TA/MG. 7ª C. Civ. Ap. Civ. nº 408.550-5. Rel. Juiz Unias Silva. 
J. em 01/04/2004). 
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: 
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as 
restrições legais [51]; 
II - opinião e expressão [52]; 
III - crença e culto religioso [53]; 
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se [54]; 
V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação [55]; 
VI - participar da vida política, na forma da lei [56]; 
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação [57]. 
51 Vide art. 5º, inciso XV, da CF. Vide também arts. 106 e 230, do ECA. Sobre as 
restrições ao acesso de crianças e adolescentes aos locais de diversão vide 
comentários aos arts. 74, 75, 80 e 149, do ECA. 
52 Vide arts. 12, 13 e 14, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 
1989; art. 5º, incisos IV e IX, da CF e arts. 28, §1º, 45, §2º, 111, inciso V, 100, 
par. único, inciso XII, 124, incisos I, II, III e VIII, 161 §2º e 168, do ECA. Tal 
dispositivo reafirma a obrigatoriedade da oitiva da criança ou adolescente 
quando da aplicação de medidas de proteção e socioeducativas, conforme arts. 
101 e 112, do ECA, também prevista no princípio contido no art. 100, par. único, 
inciso XII, também do ECA. 
53 Vide art. 12, nºs 1 e 2, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 
1989; art. 5º, incisos VI, VII e VIII, da CF e arts. 94, inciso XII e 124, inciso 
XIV, do ECA. Embora a religiosidade e a espiritualidade se constituam em 
valores positivos, que mereçam ser cultivados, não é admissível que a religião 
seja o foco central das atividades desenvolvidas com crianças e adolescentes em 
situação de risco ou vinculados a medidas socioeducativas, muito menos que 
determinada crença ou culto religioso seja imposto às crianças, adolescentes e 
famílias atendidas por determinada entidade, ainda que seja esta vinculada a 
alguma igreja, congregação ou seita. Devem os Conselhos Municipais de Direitos 
da Criança e do Adolescente (cf. arts. 88, incisos II e III, 90, §§1º e 3º e 91, 
caput e §1º, do ECA), zelar para que os programas de atendimento 
desenvolvidos por qualquer entidade sejam de caráter laico ou ecumênico (ou ao 
menos que não tenham a religião como \u201cfoco central\u201d de sua atuação e nem 
obriguem a pessoa atendida frequentar cultos, adotar determinada religião ou 
deixem de aceitar/excluam aqueles que professam religião diversa), ficando cada 
 
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criança, adolescente e/ou família atendidos livres para seguirem (ou não) a 
religião ou crença que melhor lhes aprouver. 
54 Vide art. 31, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989; arts. 
71 e 94, inciso XI, do ECA. Vide também Lei nº 10.891/2004, de 09/07/2004, 
que institui a Bolsa-Atleta, destinada aos atletas praticantes do desporto de 
rendimento