eca anotado 2013 6ed
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pelo art. 226, §6º, da CF. Tem especial relevância 
em relação à filiação adotiva, que uma vez consumada atribui ao adotado a 
condição de filho do(s) adotante(s), em absoluta igualdade de condições em 
relação aos filhos biológicos. A rigor, portanto, a expressão \u201cfilho adotivo\u201d 
somente subsiste para fins didáticos, não mais devendo ser empregada para 
designar pessoas adotadas, que para todos fins e efeitos são e devem ser pura e 
simplesmente tratadas como filhos de seus adotantes, sem qualquer designação 
complementar. 
Art. 21. O poder familiar [67] será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e 
pela mãe [68], na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer 
deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária 
competente para a solução da divergência [69]. 
67 Vide arts. 1630 a 1638 do CC. 
68 Vide arts. 5º, caput e inciso I e 226, §5º, da CF e art. 18, nº 1, da Convenção da 
ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. Importante destacar que um dos 
requisitos necessários ao exercício do poder familiar é a plena capacidade civil, 
pelo que os pais, enquanto adolescentes (e não emancipados), que estiverem 
ainda sob o poder familiar de seus pais ou tutela de outrem, não têm capacidade 
jurídica para tanto. Por via de consequência, não é juridicamente exigível o 
cumprimento, por parte de pais adolescentes, dos deveres relacionados nos arts. 
1634, do CC e 22, do ECA, cujo exercício demanda uma enorme 
responsabilidade, que a própria lei PRESUME que adolescentes - em especial os 
absolutamente incapazes - NÃO POSSUEM, tanto que, de maneira expressa, o 
art. 1633, do CC prevê que, quando a mãe de uma criança que não tem a 
paternidade reconhecida é INCAPAZ de exercer o poder familiar, \u201cdar-se á 
(obrigatoriamente) TUTOR ao menor\u201d (sic. nota explicativa e destaque dos 
autores). E caberá ao TUTOR do filho da adolescente (e não a ela própria), o 
papel de responsável e representante legal da criança, com todos os deveres 
inerentes a esta condição, nos moldes do previsto no art. 1740 e seguintes do 
CC. 
69 Vide arts. 5º, caput e inciso I e 226, §5º, da CF; art. 1631 caput e par. único do 
CC e Lei nº 12.318/2010, de 26/08/2010, que dispõe sobre a alienação parental. 
Sobre a competência para conhecer de tais pedidos, quando a criança ou 
adolescente se encontrar numa das hipóteses do art. 98, do ECA, vide art. 148, 
par. único, alínea \u201cd\u201d, deste Diploma Legal. Vale observar que, quando da 
solução do litígio, a autoridade judiciária deverá não apenas ouvir os pais, mas 
também a criança ou adolescente, respeitado, logicamente, seu grau de 
desenvolvimento e maturidade (cf. art. 100, par. único, incisos XI e XII, do 
ECA). 
 
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Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento [70], guarda [71] e educação [72] dos 
filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e 
fazer cumprir as determinações judiciais [73]. 
70 Vide art. 5º, inciso LXVII, da CF; arts. 1694 a 1710, do CC e Súmula nº 309, do 
STJ: \u201cO débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que 
compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que 
vencerem no curso do processo\u201d (Redação alterada por decisão da Segunda 
Seção do STJ, na sessão ordinária de 22/03/2006, julgando o HC 
nº 53.068/MS). Interessante observar que a obrigação alimentar não cessa com 
a eventual emancipação do adolescente (podendo mesmo, com fulcro na Lei 
Civil, se estender para além da adolescência), e o quantum devido deve atender 
às necessidades básicas de alimentação, educação, saúde, habitação, segurança 
etc., do filho, atendendo às possibilidades dos pais, para cuja aferição devem ser 
considerados, inclusive, sinais exteriores de riqueza por estes apresentados. 
Neste sentido: ALIMENTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. \u2018DISREGARD\u2019. 
\u2018QUANTUM\u2019. LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. 1. A verdadeira possibilidade do alimentante 
não decorre do que ela alega, mas do que evidenciam os sinais exteriores de 
riqueza. Bens registrados como fachada em nome de amigos, mas que saíram de 
fato do controle do alimentante caracterizam a \u2018disregard\u2019. 2. Evidenciada a 
intenção procrastinatória do alimentante através de reiterados recursos 
decorrentes dos alimentos, é de ser mantida a condenação à pena de litigância 
de má fé. Ambas apelações desprovidas (TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. 
nº 70000235325. Rel. Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. J. em 
17/11/1999). É também admissível, para apuração das reais possibilidades do 
alimentante, ser determinada sua quebra de sigilo bancário. Neste sentido: 
ALIMENTOS. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Para descobrir-se os ganhos do 
devedor visando a fixação dos alimentos de forma a atender ao critério da 
proporcionalidade, justifica-se a quebra do seu sigilo bancário, não configurando 
afronta ao seu direito à privacidade. Por maioria, deram provimento, vencido o 
relator. (TJRS. 7ª C. Cív. A.I. nº 70012864310. Rel. Maria Berenice Dias. J. em 
16/11/2005). Sobre os alimentos devidos pelos pais, após os filhos atingirem a 
maioridade civil, vide o disposto na Súmula nº 358, do STJ: \u201cO cancelamento de 
pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão 
judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos\u201d, não sendo assim 
o advento da maioridade causa de extinção automática do dever de prestar 
alimentos, fazendo apenas desaparecer a presunção de que são eles 
indispensáveis. Por fim, vale mencionar que mesmo quando da colocação da 
criança ou adolescente sob guarda ou, inclusive, quando de eventual suspensão 
ou destituição do poder familiar, o dever alimentar dos pais em relação a seus 
filhos persiste (como deixa claro o art. 33, §4º, do ECA), posto que decorre da 
relação de parentesco (cf. art. 1694, do CC), que em tais casos não é rompida 
(isto somente ocorre quando da consumação da adoção). Vide também 
comentários ao art. 155 e sgts., do ECA. 
71 Vide art. 1634, inciso II, do CC. A \u201cguarda\u201d a que se refere este dispositivo 
(direito dos pais terem seus filhos em sua companhia, como atributo natural do 
poder familiar), não se confunde com a guarda prevista no art. 33, do ECA, que 
se constitui numa das modalidades de colocação de criança ou adolescente em 
família substituta. 
72 Não apenas a obrigação de matrícula na escola (cf. art. 55, do ECA), mas 
também a de transmitir-lhes noções sobre os valores éticos e morais, 
preparando-os para o exercício da cidadania, nos exatos termos do previsto no 
art. 53, caput, do ECA e art. 205, da CF. 
73 Vide art. 229, primeira parte, da CF e arts. 1566, inciso IV e 1634, do CC. Para o 
exercício responsável das obrigações inerentes ao pode familiar, o ECA previu a 
 
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possibilidade de inserção da família em cursos e programas de apoio e 
orientação específicos, que o Poder Público tem o dever de oferecer (cf. arts. 90, 
incisos I e II, 101, inciso IV c/c 129, incisos I e IV e 208, inciso IX, do ECA), 
sendo o eventual descumprimento dos deveres respectivos, passível de sanções, 
como as previstas nos arts. 129, incisos VIII e X e 249, do ECA. 
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente 
para a perda ou a suspensão do poder familiar [74]. 
Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da 
medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem [75], a 
qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio [76]. 
74 Vide art. 9º, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. O 
presente dispositivo visa erradicar a odiosa prática, consagrada à época do 
revogado \u201cCódigo de Menores\u201d, do afastamento da criança/adolescente de sua 
família natural em razão da condição socioeconômica desfavorável em que esta 
se