eca anotado 2013 6ed
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que irão 
lhe afetar diretamente, ademais, decorre do principio da dignidade da pessoa 
humana, servindo o contido no presente dispositivo, que tem respaldo no art. 
12, da Convenção da ONU Sobre os Direitos da Criança, de 1989, de parâmetro 
para a aplicação de todas as demais medidas de proteção previstas no ECA (vide 
o princípio expressamente consignado no art. 100, par. único, inciso XII, do 
ECA). O dispositivo destaca ainda a importância da existência de uma equipe 
 
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interprofissional habilitada a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, cuja 
intervenção é de todo recomendável em se tratando de crianças de tenra idade 
ou como forma de evitar ou minorar os possíveis traumas decorrentes da oitiva. 
Por fim, resta destacar que os parâmetros aqui traçados são também aplicáveis, 
por analogia, a outras situações em que se faz necessário ouvir crianças e 
adolescentes, inclusive para fins de reintegração às suas famílias de origem, nos 
moldes do disposto nos arts. 19 e 101, §5º, do ECA. 
89 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 45, §2º e 100, 
par. único, inciso XII, do ECA. O dispositivo torna obrigatória a realização de 
audiência para a coleta do consentimento do adolescente com sua colocação em 
família substituta, em qualquer das suas modalidades. Vale observar que, pela 
sistemática anterior, o consentimento do adolescente era exigido apenas quando 
de sua adoção. 
90 Vide art. 165, inciso II, do ECA e arts. 1591 a 1595, do CC. 
91 Pode-se dizer que, para fins de colocação de crianças e adolescentes em família 
substituta, a relação de afinidade ou afetividade (sempre consideradas sob o 
ponto de vista da criança ou adolescente, que são os destinatários da medida), 
deve mesmo preponderar em relação ao grau de parentesco. 
92 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 25, par. único e 
100, par. único, inciso X (preferência na colocação ou manutenção de criança ou 
adolescente em sua família extensa). Valem aqui as mesmas observações feitas 
ao parágrafo anterior, razão pela qual a intervenção de uma equipe 
interprofissional, que por força do disposto nos arts. 150 e 151, do ECA, deve 
estar à disposição do Juízo, se torna imprescindível. 
93 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 87, incisos VI e 
VII, 92, inciso V e 197-C, §1º, do ECA e art. 1733, caput, do CC. O dispositivo 
encerra um verdadeiro princípio: deve-se procurar preservar os vínculos 
fraternais, ressalvada a comprovada ocorrência de situação excepcionalíssima 
que autorize solução diversa como, por exemplo, no caso de abusos praticados 
por um dos irmãos em relação ao outro. Assim sendo, não mais se deve colocar 
os irmãos em famílias substitutas diversas, o que realça a necessidade de 
investir em políticas destinadas à reintegração familiar e/ou à colocação familiar 
das crianças e adolescentes junto a parentes, que em regra são mais propensos 
a acolher grupos de irmãos, especialmente quando numerosos, sem prejuízo da 
realização de um trabalho de preparação psicossocial dos interessados em 
adotar, que contemple o estímulo à adoção de grupos de irmãos (cf. arts. 50, 
§§3º e 4º e 197-C, do ECA). 
94 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI, 92, inciso VIII; 151 e 166, §7º, do ECA. O dispositivo 
enaltece a importância de realização de um trabalho voltado à efetiva integração 
da criança ou adolescente à família substituta, na perspectiva de que a colocação 
familiar tenha êxito, evitando possível resistência à aplicação da medida ou 
problemas de adaptação daquela ao seu novo lar. Para tanto, é necessária uma 
articulação entre a equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da 
Juventude e a equipe técnica responsável pela execução da política municipal de 
garantia do direito à convivência familiar, sem prejuízo da participação também 
dos técnicos a serviço dos programas de acolhimento institucional e familiar que 
deverão integrar tal política. O contido no presente dispositivo deve ser também 
aplicado (por analogia) quando da reintegração da criança ou adolescente 
afastado do convívio familiar à sua família de origem, de modo que haja uma 
preparação adequada e um acompanhamento posterior, devendo-se, em 
qualquer caso, tomar as cautelas e providências necessárias para que a medida 
surta os resultados desejados e que a criança/adolescente cresça num ambiente 
familiar saudável, cercada de amor e cuidados. 
 
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95 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 161, §2º, do ECA e 
arts. 20 e 30, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. A 
preocupação do legislador foi destinar às crianças e adolescentes indígenas e 
oriundas de comunidades remanescentes de quilombos um tratamento 
diferenciado, que respeite suas peculiaridades (cf. art. 100, caput, do ECA). O 
diálogo e a articulação de ações (cf. art. 86, do ECA) entre os antropólogos e 
técnicos do órgão federal responsável pela política indigenista e a equipe 
interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude é fundamental, 
como forma de evitar ou minorar possíveis traumas decorrentes do afastamento 
da criança ou adolescente do seio de sua comunidade, em razão da diversidade 
cultural existente. A previsão da observância de certas cautelas e princípios 
quando do atendimento de indígenas está também presente em normas 
internacionais, como é o caso da Convenção nº 169/1989, da OIT, de 
27/06/1989, aprovada pelo Dec. Legislativo nº 143/2002, de 20/06/2002 e 
promulgada pelo Decreto nº 5.051/2004, de 19/04/2004. Cumpre observar, por 
fim, que a partir de uma interpretação extensiva do dispositivo, a intervenção de 
antropólogos e as cautelas adicionais nele referidas devem ser também 
observadas quando do atendimento de crianças, adolescentes e famílias 
provenientes de outros grupos étnicos e/ou cuja diversidade cultural assim o 
determine, a exemplo dos ciganos, devendo-se, em qualquer caso, respeitar o 
quanto possível sua cultura e seus costumes, livre de qualquer preconceito ou 
discriminação em razão da origem da família que, nunca é demais lembrar, será 
sempre destinatária de \u201cespecial proteção por parte do Estado\u201d (lato sensu), por 
força do disposto no art. 226, da CF. 
96 Vide arts. 215, §1º, 231 e 232, da CF, art. 100, par. único, do ECA e art. 6º, da 
Lei nº 6.001/1973, de 19/12/1973 (Estatuto do Índio). O respeito à cultura e os 
costumes dos povos indígenas e das comunidades remanescentes de quilombos 
passa a ser obrigatório. 
97 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 4º, caput (direito 
à convivência comunitária), 28, §3º e 100, caput, do ECA. 
98 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, incisos VI 
e VII, 88, inciso VI e 151, do ECA. Mesmo com a intervenção do órgão Federal 
responsável pela política indigenista, a competência para processar e julgar os 
pedidos de colocação em família substituta envolvendo crianças e adolescentes 
indígenas continua sendo da Justiça Estadual. Neste sentido: MEDIDA DE 
PROTEÇÃO. CRIANÇA INDÍGENA ABANDONADA. INTERESSE DA FUNAI. 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Tratando-se de uma criança 
abandonada pela família biológica, é cabível a adoção das providências 
protetivas pretendidas pelo Ministério Público. 2. Mesmo que a criança seja 
silvícola, deve o processo tramitar perante a Justiça Estadual, especializada nas 
questões da infância e da juventude, tendo incidência da norma do art. 227 da 
CFB, com a finalidade de assegurar a proteção integral à criança, prevista no 
ECA. 3. Precisamente por se tratar de criança indígena, a FUNAI tem 
legitimidade para figurar no processo, exercendo uma curatela especial, pois a 
sua função legal é a de prestar