eca anotado 2013 6ed
540 pág.

eca anotado 2013 6ed


DisciplinaDireito Penal I63.241 materiais1.030.720 seguidores
Pré-visualização50 páginas
assistência aos silvícolas, a fim de que, tanto 
quanto possível, possa a criança ser mantida dentro do seu grupo étnico, 
respeitando-se sua organização social, costumes, crenças e tradições. Recurso 
provido em parte. (TJRS. 7ª C. Cív. A. I. nº 70016832586. Rel.: Sérgio Fernando 
de Vasconcellos Chaves. J. em 29/11/2006). 
Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por 
qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça 
ambiente familiar adequado [99]. 
 
34 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
99 Vide arts. 50, §§1º e 2º, 167 e 197-C, do ECA. Sobre a matéria: ADOÇÃO. 
FAMÍLIA SUBSTITUTA. ESTUDO SOCIAL CONTRÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS 
REQUISITOS LEGAIS (ARTIGOS 29 e 43 DO ECA). DECISÃO CONFIRMADA. 1. 
Para que uma criança seja colocada mediante adoção, em uma família 
substituta, é necessário a rigorosa comprovação dos critérios de compatibilidade 
da pessoa que deseja adotar com a natureza da medida, do ambiente familiar 
adequado, das vantagens para o adotando e da fundamentação calcada em 
motivos legítimos, previstos nos artigos 29 e 43, do ECA, vez que os interesses 
do menor prevalecem sobre a vontade dos adotantes. 2. Não elididos os pontos 
contrários à adoção constantes do estudo social, pelas provas produzidas pelos 
requerentes, deve ser rejeitada a pretensão de colocação da criança na família 
substituta. (TJPR. Rec.Ap.ECA nº 98.2581-2. Rel. Des. Accácio Cambi. Ac. 
nº 8346. J. em 08/03/1999). 
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou 
adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem 
autorização judicial [100]. 
100 Vide arts. 148, caput e inciso III e par. único, alínea \u201ca\u201d, do ECA. Em outras 
palavras, a colocação de criança ou adolescente em família substituta, em 
qualquer de suas modalidades, é medida de competência privativa da autoridade 
judiciária, não podendo ser aplicada pelo Conselho Tutelar (inteligência do art. 
136, inciso I, do ECA) e muito menos por entidades de acolhimento familiar, que 
embora devam estimular (sempre que esgotadas as possibilidades de retorno da 
criança ou adolescente à família de origem) a integração da criança ou 
adolescente que se encontre inserida em programa de acolhimento institucional 
em família substituta (conforme disposto no art. 92, inciso II do ECA), isto 
somente poderá ser concretizado mediante intervenção da autoridade judiciária 
competente, o que vale inclusive para transferência de crianças e adolescentes 
de uma entidade para outra. 
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, 
somente admissível na modalidade de adoção [101]. 
101 Vide arts. 50, §10, 51, 52 e 52-A a D, do ECA e art. 4º, alínea \u201cb\u201d, da 
\u201cConvenção de Haia\u201d (Convenção Relativa à Proteção das Crianças e Cooperação 
em Matéria de Adoção Internacional), datada de 1993, assinada e ratificada no 
Brasil, tendo sido promulgada pelo Decreto Legislativo nº 3.087/1999, de 
21/06/1999. 
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de 
bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos [102]. 
102 Vide art. 170, do ECA. Tal compromisso não é exigido dos adotantes, pois estes 
assumem, pleno jure, a condição de pais dos adotados, com todos os deveres 
inerentes ao poder familiar. 
 
 
35 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
Subseção II - Da guarda [103] 
Art. 33. A guarda obriga à prestação de assistência material, moral e educacional 
[104] à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a 
terceiros, inclusive aos pais [105]. 
§ 1º. A guarda destina-se a regularizar a posse de fato [106], podendo ser deferida, 
liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de 
adoção por estrangeiros [107]. 
§ 2º. Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, 
para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável 
[108], podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos 
determinados [109]. 
§ 3º. A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para 
todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários [110]. 
§ 4º. Salvo expressa e fundamentada determinação em contrário, da autoridade 
judiciária competente, ou quando a medida for aplicada em preparação para adoção, 
o deferimento da guarda de criança ou adolescente a terceiros não impede o 
exercício do direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar alimentos, 
que serão objeto de regulamentação específica, a pedido do interessado ou do 
Ministério Público [111]. 
103 Importante salientar que a guarda de que trata o ECA se constitui numa 
modalidade de colocação de criança ou adolescente em família substituta, não se 
confundindo, portanto, com a \u201cguarda\u201d decorrente do poder familiar que os pais 
exercem em relação a seus filhos, esta regulada pelo Código Civil (art. 1634, 
inciso II). Em ambos os casos se está falando no direito de uma pessoa ter uma 
criança ou adolescente em sua companhia, porém tratam-se de institutos 
distintos, regulados por leis diversas. O próprio Código Civil, em seu art. 1584, 
§5º, ao falar da \u201cguarda\u201d como modalidade de colocação em família substituta, 
se reporta expressamente à \u201clei específica\u201d, que não é outra senão o ECA. Sobre 
a matéria, vide ainda art. 227, §3º, inciso VI, da CF. 
104 Vide art. 32, do ECA. São estes os deveres do guardião, valendo observar que 
são mais restritos que o do tutor e dos pais, posto que a guarda pode coexistir 
com o poder familiar e não confere o direito de representação do guardião em 
relação ao guardado (vide art. 33, §2º, in fine, do ECA). Importante destacar 
que, por força do disposto no art. 33, §4º, do ECA, o fato de o guardião ser 
obrigado a prestar assistência material à criança não desobriga os pais deste 
mesmo dever (que decorre da relação de parentesco e encontra respaldo no art. 
229, da CF), podendo ser os mesmos demandados a prestar alimentos ao filho 
que estiver sob a guarda de terceiro, contribuindo com sua manutenção, 
atendendo aos critérios de necessidades do alimentado/ possibilidades do 
alimentante, próprios das ações de alimentos. Sobre a matéria, vide também a 
Lei nº 5.478/1968 e arts. 1694 a 1710, do CC. 
105 Da inteligência do presente dispositivo se extrai que ficam os pais desfalcados da 
prerrogativa de dirigir a criação e educação de seus filhos colocados sob guarda 
(art. 1634, inciso I, do CC), podendo, no entanto, recorrer à autoridade 
judiciária sempre que entenderem necessário, na defesa dos interesses de seus 
filhos. Vale também mencionar que a guarda pode ser revogada a qualquer 
tempo, na forma do previsto nos arts. 35 e 169, par. único, do ECA. 
 
36 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
106 Há uma nítida preocupação do legislador em privilegiar a regularização da 
situação de crianças e adolescentes sob a guarda de fato de terceiros, seja 
através da previsão da oferta de subsídios e outras vantagens (cf. art. 34, do 
ECA), seja ao considerar que apenas a guarda legal (ou seja, deferida pela 
autoridade judiciária) é reconhecida para fins de dispensa do prévio 
cadastramento da pessoa ou casal interessado em adoção (cf. art. 50, §13, 
inciso III, do ECA). A guarda pressupõe a permanência da criança ou 
adolescente na companhia do guardião, não havendo de ser deferida quando tal 
situação concretamente não se verificar. Em casos que um ou ambos os pais 
vivem em companhia dos avós, não há razão para que a guarda da criança ou 
adolescente seja a estes deferida ou se falar em \u201cguarda conjunta\u201d entre pais e 
avós. Neste sentido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA DE MENOR. PÓLO 
ATIVO INTEGRADO PELO PAI E AVÓS PATERNOS. EXCLUSÃO DOS AVÓS 
PATERNOS DA RELAÇÃO PROCESSUAL. IGUALDADE