eca anotado 2013 6ed
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e seus pais e parentes biológicos (o que 
não ocorre mesmo quando da destituição do poder familiar, nas hipóteses dos 
arts. 22 e 24 do ECA e 1638, do CC, da exclusão da sucessão, nas hipóteses do 
art. 1814, do CC e da deserdação, conforme previsto nos arts. 1961 a 1965, do 
CC). Uma vez consumada a adoção, a relação de parentesco original é extinta e, 
de forma concomitante, uma nova relação de parentesco é estabelecida, 
passando o adotado, a partir daí, a ter os mesmos direitos e obrigações que os 
filhos biológicos em relação a seus pais e parentes adotivos (sendo inclusive 
vedada qualquer designação discriminatória quanto à origem da filiação, por 
força do disposto no art. 227, §6º, da CF). 
131 Trata-se da chamada \u201cadoção unilateral\u201d, que se constitui numa exceção à regra 
do rompimento de vínculos parentais entre o adotando e seus pais e parentes 
consanguíneos. O mais adequado seria substituir a expressão \u201cconcubinos\u201d por 
\u201ccompanheiros\u201d, a exemplo do que ocorreu com o art. 42, §4º, do ECA, 
acrescido pela Lei nº 12.010/2009. 
132 Vide arts. 5º, incisos XXX e XXXI e 227, §6º, da CF. Disposição ociosa, na 
medida em que o direito sucessório decorre naturalmente da relação de 
parentesco civil que se estabelece com a adoção, nos moldes do que dispõem os 
já citados art. 227, §6º, da CF e art. 41, do ECA. Sobre a ordem de vocação 
hereditária, vide art. 1829, do CC, sendo certo que o adotado, na condição de 
filho, é parente do adotante na linha reta descendente, em primeiro grau, o que 
o torna herdeiro necessário, na forma do disposto no art. 1845, do CC. 
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do 
estado civil [133]. 
§ 1º. Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando [134]. 
§ 2º. Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados 
civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família [135]. 
§ 3º. O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando 
[136]. 
§ 4º. Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem 
adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas 
[137] e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do 
período de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade 
 
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e afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade 
da concessão [138]. 
§ 5º. Nos casos do § 4º deste artigo, desde que demonstrado efetivo benefício ao 
adotando, será assegurada a guarda compartilhada, conforme previsto no art. 1.584 
da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil [139]. 
§ 6º. A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de 
vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença 
[140]. 
133 Redação modificada pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 5º, 
caput, do CC. De acordo com a redação original da Lei nº 8.069/1990, a idade 
mínima para adoção era de 21 (vinte e um) anos (compatível com a idade da 
plena capacidade civil, à época). O art. 1618, caput, do Código Civil de 2002, já 
havia reduzido para 18 (dezoito) anos a idade mínima para adoção (de modo a 
também adequá-la à idade da plena capacidade civil instituída pelo art. 5º, 
caput, da nova Lei Civil). Ao revogar o referido dispositivo do Código Civil, a Lei 
nº 12.010/2009 procurou manter esta idade mínima, embora seja duvidoso que 
jovens adultos na faixa dos 18 (dezoito) anos manifestem interesse e/ou mesmo 
tenham maturidade suficiente para adotar (como é reconhecido pela legislação 
de outros países, que em geral estabelecem idades mínimas mais elevadas). 
Assim sendo, qualquer pessoa maior de 18 (dezoito) anos, mesmo que seja 
solteira, pode adotar, devendo, no entanto, se submeter ao procedimento de 
habilitação previsto nos arts. 197-A a 197-E, do ECA (ressalvadas as exceções 
previstas no art. 50, §13, do ECA) e demonstrar, em qualquer caso (cf. arts. 28, 
§3º, 29 - a contrariu sensu; 43 e 50, §14, do ECA), que possui maturidade e 
preparo para adoção. Vale também mencionar que, apesar de prever uma idade 
mínima para adoção, não há, no Direito Brasileiro, a previsão de uma idade 
máxima, tal qual ocorre em outros países. Interessante observar que, ao revogar 
o art. 1618, par. único, do Código Civil (onde constava que \u201ca adoção por ambos 
os cônjuges ou companheiros poderá ser formalizada, desde que um deles tenha 
completado dezoito anos de idade, comprovada a estabilidade da família\u201d), a Lei 
nº 12.010/2009 acabou por abolir (acertadamente, vale dizer) a possibilidade de 
consumação da adoção por uma pessoa com idade inferior a 18 (dezoito) anos 
(que como visto era facultada pela Lei Civil, em se tratando de adoção conjunta, 
quando um dos adotantes tivesse tal idade). Assim sendo, a idade mínima de 18 
(dezoito) anos para adoção prevalece em qualquer caso, valendo o registro de 
que eventual emancipação, nos termos do previsto no art. 5º, do CC, não 
confere ao emancipado, menor de 18 (dezoito) anos, o direito de adotar (vide 
comentários ao art. 2º, do ECA). 
134 O deferimento da adoção aos ascendentes e irmãos do adotando não lhe traria 
qualquer vantagem (o que de per se já se constituiria em impeditivo para a 
concretização da medida, ex vi do disposto no art. 43, do ECA), podendo em 
contrapartida lhe trazer prejuízos, seja devido à \u201cconfusão\u201d decorrente da 
transformação de avós e irmãos em \u201cpais\u201d, seja em razão da perda dos direitos 
sucessórios em relação a seus pais biológicos. Para o amparo de crianças e 
adolescentes afastados do convívio dos pais junto a seus avós e irmãos, 
suficiente e mais adequado o emprego dos institutos da guarda ou tutela, que 
não importam no rompimento de vínculos com seus pais biológicos, tal qual 
ocorre com a adoção. 
135 Acrescido pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 226 e §3º, da CF e 
art. 197-C, do ECA. Procurou-se aqui privilegiar a adoção por casais 
heterossexuais. Embora não haja previsão expressa da adoção por pares 
homossexuais, tem sido cada vez mais comum o reconhecimento de tal 
possibilidade, desde que preenchidos os demais requisitos legais e que a medida 
 
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se mostre vantajosa ao adotando (cf. art. 43, do ECA). Neste sentido: APELAÇÃO 
CÍVEL. ADOÇÃO. CASAL FORMADO POR DUAS PESSOAS DE MESMO SEXO. 
POSSIBILIDADE. Reconhecida como entidade familiar, merecedora da proteção 
estatal, a união formada por pessoas do mesmo sexo, com características de 
duração, publicidade, continuidade e intenção de constituir família, decorrência 
inafastável é a possibilidade de que seus componentes possam adotar. Os 
estudos especializados não apontam qualquer inconveniente em que crianças 
sejam adotadas por casais homossexuais, mais importando a qualidade do 
vínculo e do afeto que permeia o meio familiar em que serão inseridas e que as 
liga aos seus cuidadores. É hora de abandonar de vez preconceitos e atitudes 
hipócritas desprovidas de base científica, adotando-se uma postura de firme 
defesa da absoluta prioridade que constitucionalmente é assegurada aos direitos 
das crianças e dos adolescentes (art. 227 da Constituição Federal). Caso em que 
o laudo especializado comprova o saudável vínculo existente entre as crianças e 
as adotantes. NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. (SEGREDO DE JUSTIÇA). 
(TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70013801592. Rel. Luiz Felipe Brasil Santos. J. em 
05/04/2006). Em qualquer caso, é necessário avaliar se os postulantes 
apresentam um ambiente familiar estável, adequado e saudável, a partir de um 
estudo técnico criterioso realizado pela equipe interprofissional a serviço da 
Justiça da Infância e da Juventude. Como ao contrário do que ocorre em outros 
países não é fixado um período mínimo de convivência para adoção