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do art. 148, inciso III, do ECA. No caso presente, não apresentada a situação 
autorizadora da adoção, se mostra irrelevante e até mesmo inoportuna, a oitiva 
dos genitores para o fim de manifestarem seu consentimento. MÉRITO. Ausente 
qualquer irregularidade na situação dos infantes, cuja guarda vem sendo 
exercida pelos genitores, improcede o pedido de adoção, para o fim de beneficiar 
aos infantes na sucessão, eis que pode fazê-lo mediante testamento. 
Preliminares afastadas. Apelo desprovido. Unânime. (TJRS. 8ª C. Cív. Ac. 
nº 70009207747. Rel. Des. Walda Maria Melo Pierro. J. em 26/08/2004). A 
separação de grupos de irmãos, para fins de adoção por pessoais ou casais 
diversos, é considerada prejudicial às crianças e adolescentes, sendo atentatória 
ao princípio insculpido nos arts. 28, §4º e 100, caput, do ECA e também 
reproduzido no art. 92, inciso V, do ECA e art. 1733, caput, do CC. Neste 
sentido: Adoção de menores, órfãos de ambos os pais, por adotantes diferentes 
- quebra da unidade familiar - inconveniência. I. A adoção de irmãos órfãos a 
patre e a matre é de grande valia, preservando-se a unidade da família; II. A 
adoção de uma, separando das três outras irmãs, pode resultar frustração e não 
raro em conflito psicológico, devendo a todo custo ser evitado; III. A requerente, 
tia da menor, já cuida com carinho e desvelo da sua sobrinha, munida de Termo 
de Guarda e Responsabilidade, provisoriamente, ora mantido, levando-se em 
conta mais o interesse dos menores do que dos que o têm sob guarda; IV. 
Recurso conhecido e provido. Decisão por maioria. (TJGO. 2a C. Cív. Ap. 
nº 42.732-6/188. Rel. Des. Gonçalo Teixeira e Silva. J. em 04/09/1997). 
Art. 44. Enquanto não der conta de sua administração e saldar o seu alcance, não 
pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o curatelado [142]. 
142 Vide arts. 1755 e sgts., do CC. 
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do 
adotando [143]. 
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos 
pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar [144]. 
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também 
necessário o seu consentimento [145]. 
143 Vide arts. 8º, §5º, 19, §3º, 100, par. único, incisos I, IX a XII, 166, caput e §§ 
1º a 6º, do ECA. A previsão da possibilidade do \u201cconsentimento\u201d dos pais com a 
 
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adoção de seus filhos é de constitucionalidade, no mínimo, questionável, vez que 
o direito que está em jogo - o direito à convivência familiar - é um direito que 
pertence à criança ou adolescente, que não é \u201cpropriedade\u201d de seus pais (cf. art. 
100, par. único, inciso I, do ECA). Cabe ao Poder Público desenvolver políticas e 
programas voltados à proteção e promoção da família (cf. art. 226, da CF; arts. 
87, inciso VI, 90, caput, inciso I e §2º, 101, inciso IV e 129, incisos I a IV, do 
ECA e arts. 2º e 23, da LOAS), que permitam a esta criar e educar seus filhos 
com responsabilidade, em condições dignas de vida. Não por acaso disposição 
constitucional e legal (art. 227, caput, da CF e art. 4º, caput, do ECA) relaciona 
a família como a primeira das instituições a atuar na defesa dos direitos infanto-
juvenis. De uma forma ou de outra, ainda que se entenda como \u201cválido\u201d tal 
consentimento, é importante que seja desenvolvido um trabalho sério voltado a 
fazer com que os pais reflitam melhor sobre tal intenção, não devendo ser aceita 
qualquer condicionante, como a indicação da pessoa ou casal para o(s) qual(is) 
os pais querem \u201centregar\u201d seu filho (que como dito, não se trata de um \u201cobjeto\u201d 
de sua propriedade). A chamada \u201cadoção intuitu personae\u201d, por sinal, foi 
proscrita pela Lei nº 12.010/2009, não mais sendo juridicamente admissível, até 
mesmo por atentar contra os princípios da dignidade da pessoa humana e da 
condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos (cf. arts. 1º, 
inciso III, da CF e art. 100, par. único, inciso II, do ECA, respectivamente). A 
possibilidade jurídica do consentimento dos pais com a adoção de seus filhos, 
portanto, não os autoriza a \u201cescolher\u201d a pessoa ou casal adotante, ficando tal 
tarefa a cargo da Justiça da Infância e da Juventude, com todas as cautelas e 
critérios para tanto estabelecidos pelo ordenamento jurídico vigente. Sobre a 
matéria, vide também o disposto no art. 238, do ECA. 
144 Vide art. 166 e §§ 1º a 6º, do ECA. 
145 Vide art. 12, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989 e art. 
28, §2º, do ECA. Embora não se exija o consentimento da criança adotanda, sua 
oitiva, ainda que por intermédio de equipe interprofissional habilitada (o que é 
mesmo o mais recomendável, na maioria dos casos) é necessária, sempre que a 
mesma tiver condições de exprimir sua vontade, observado o disposto no art. 
100, par. único, incisos XI e XII, do ECA. 
Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou 
adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, observadas as 
peculiaridades do caso [146]. 
§ 1º. O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a 
tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja possível 
avaliar a conveniência da constituição do vínculo [147]. 
§ 2º. A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispensa da realização do 
estágio de convivência [148]. 
§ 3º. Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o 
estágio de convivência, cumprido no território nacional, será de, no mínimo, 30 
(trinta) dias [149]. 
§ 4º. O estágio de convivência será acompanhado pela equipe interprofissional a 
serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos 
técnicos responsáveis pela execução da política de garantia do direito à convivência 
familiar, que apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência do 
deferimento da medida [150]. 
 
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146 Vide arts. 28, §5º e 167, do ECA. Estágio de convivência é o período no qual a 
criança ou adolescente passa a ter um contato mais intensivo com a(s) 
pessoa(s) interessada(s) em sua adoção (o fato de a Lei não falar em \u201cguarda 
provisória\u201d sugere que a aproximação entre os mesmos deve ocorrer de forma 
gradativa, podendo o \u201cconvívio\u201d inicial ocorrer no âmbito da entidade de 
acolhimento, com saídas no período diurno, passando-se a seguir a pernoites e 
permanência no lar adotivo por um período mais prolongado - sempre de forma 
planejada e acompanhada por equipe técnica), para que seja possível avaliar a 
conveniência da constituição do vínculo paternofilial a partir, inclusive, da análise 
do relacionamento entre o adotando e os demais integrantes do núcleo familiar, 
com os quais este irá conviver. Por força do contido no caput do dispositivo, a 
realização do estágio de convivência será a regra (mesmo em relação a crianças 
recém-nascidas), como forma de aferir a adaptação da criança ou adolescente à 
família substituta e a constituição de uma relação de afinidade e afetividade 
entre os mesmos, que autorize o deferimento da adoção. Trata-se de um 
desdobramento natural do disposto nos arts. 28, §5º e 92, inciso VIII, do ECA 
(que prevêm a preparação gradativa para colocação de crianças e adolescentes 
em família substituta e o posterior acompanhamento da medida, como formas 
de assegurar seu bom resultado) e uma consequência lógica da constatação de 
que a simples aplicação da medida não basta, sendo necessário um 
compromisso efetivo da Justiça da Infância e da Juventude para com o seu êxito, 
como forma de proporcionar a proteção integral infanto-juvenil preconizada já 
pelo art. 1º estatutário e que deve servir de \u201cnorte\u201d, juntamente com os 
princípios relacionados no art. 100, caput e par. único, do mesmo Diploma Legal, 
a toda e qualquer intervenção