eca anotado 2013 6ed
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DisciplinaDireito Penal I63.412 materiais1.031.959 seguidores
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estatal efetuada na defesa dos direitos de crianças 
e adolescentes. Assim é que, sempre que necessário, deverá ser providenciada a 
inserção dos adotantes e adotandos em programas e serviços de orientação e 
apoio (valendo mencionar o disposto no art. 87, incisos VI e VII, do ECA), como 
forma de assegurar uma inserção familiar bem sucedida. Para adoção nacional, o 
estágio de convivência não tem uma duração predefinida, devendo a autoridade 
judiciária, com a colaboração da equipe técnica interprofissional a serviço da 
Justiça da Infância e da Juventude (cf. arts. 150, 151 e 46, §4º, do ECA), fixar 
sua duração inicial, com possibilidade de prorrogação, a depender das 
peculiaridades de cada caso e da idade do adotando. 
147 Redação modificada pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 33, 
§§1º e 2º e 167, do ECA. Salienta-se que o dispositivo em questão se refere à 
adoção nacional, em que o estágio de convivência com a criança e adolescente 
não tem prazo mínimo fixado, ficando a cargo da autoridade judiciária a sua 
duração, conforme as necessidades de cada caso. Ao tornar dispensável a 
realização do estágio de convivência apenas para o detentor da guarda legal (ou 
seja, aquela regularmente deferida pela autoridade judiciária, em procedimento 
próprio previsto nos arts. 165 a 170, do ECA), o dispositivo evidencia a opção do 
legislador em não mais premiar a informalidade, que dá margem para tantas 
situações atentatórias aos direitos infanto-juvenis e à própria moralidade do 
instituto da adoção e à imagem do Poder Judiciário. 
148 Redação modificada pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 33 e 
sgts. e 201, inciso III, do ECA. O dispositivo procura privilegiar a regularização 
da guarda da criança ou adolescente, tornando obrigatório, quando da existência 
de simples guarda de fato, a realização de estágio de convivência. Trata-se de 
mais um dispositivo instituído na perspectiva de evitar a simples \u201chomologação 
judicial\u201d de situações criadas de maneira irregular, que devem ser analisadas 
com cautela e o quanto possível coibidas, inclusive para evitar que aqueles que 
obtém a guarda de crianças por meios escusos sejam beneficiados em 
detrimento dos que procuram seguir os meios legais para adoção. Neste sentido: 
APELAÇÃO CÍVEL. INFÂNCIA E JUVENTUDE. BUSCA E APREENSÃO DE MENOR. 
SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. - RECÉM-NASCIDO ENTREGUE PELA MÃE COM 1 
 
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MÊS DE VIDA. GUARDA DE FATO EXERCIDA POR 2 MESES. INTUITO DE 
ADOÇÃO. CADASTRO. OBSERVÂNCIA NECESSÁRIA. HIPÓTESES EXCEPCIONAIS 
DO ART. 50, §13, DO ECA AUSENTES. LAÇOS AFETIVOS DEFINITIVOS NÃO 
EVIDENCIADOS. - SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. Haja vista a 
não caracterização das hipóteses exceptivas do art. 50, §13, do Estatuto da 
criança e do adolescente, o exíguo tempo de convivência com o recém-nascido 
(pouco mais de dois meses), e a excepcionalidade da guarda prevista no art. 33 
do mesmo Diploma, impõe-se a busca E apreensão do menor a fim de que não 
surja e se consolide vínculo socioafetivo com o menor, de modo que reste 
preservada a isonômica e republicana ordem cronológica do cadastro de 
adotantes. (TJSC. 5ª Câm. Dir. Civ. AP. Cív. nº 2011.072917-3. Relator: Henry 
Petry Junior. Juiz Prolator: Brigitte Remor de Souza May. J. em 29/11/2011), e 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE GUARDA E RESPONSABILIADE. 
INSURGÊNCIA QUANTO À DECISÃO QUE INDEFERIU O PLEITO DOS AUTORES E 
MANTEVE O MENOR ABRIGADO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DE UM DOS 
RECORRENTES NO INSTRUMENTO DE OUTORGA DE MANDADO. AUSÊNCIA DE 
PROCURAÇÃO NOS AUTOS. INFRINGÊNCIA AO DISPOSTO NO ART. 525, INC. I, 
DO CPC. RECURSO CONHECIDO APENAS EM RELAÇÃO À PRIMEIRA AGRAVADA. 
RECÉM NASCIDO ENTREGUE AOS AUTORES APÓS O PARTO. SUSPEITA DE 
ADOÇÃO DIREITA OU À BRASILEIRA. RESPEITO AO CADASTRO DE 
INTERESSADOS À ADOÇÃO. AUSÊNCIA DE FORMAÇÃO DE LAÇOS AFETIVOS. 
MENOR QUE PERMANECEU COM OS DEMANDANTES POR PERÍODO DE UM MÊS. 
VISANDO O BEM ESTAR DA CRIANÇA, MANTÉM-SE A DECISÃO VERGASTADA. 
RECURSO CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO. (...) A petição de agravo de 
instrumento deverá ser instruída com as peças obrigatórias (cópia da decisão 
agravada, certidão de intimação, procuração das partes), bem como as 
facultativas. Desta forma, não tendo a parte agravante instruído seu recurso 
com os documentos imprescindíveis, deverá o reclamo não ser conhecido 
(Agravo de Instrumento n. 2010.074084-4, de Lages, Rel. Des. Marcus Tulio 
Sartorato, j. 25-1-2011). (...) Tendo em vista a idade ínfima do menor (quase 
cinco meses), a precariedade da guarda do ECA, o exíguo tempo de convivência 
com os guardiões de fato (pouco mais de hum mês), os indícios de adoção 
dirigida com suspeitas de pagamento de contraprestação, a pendência da ação 
de perda do poder familiar, a não consolidação dos laços afetivos com os 
postulantes ou configuração da posse do estado de filho, a manifesta intenção de 
adoção dos autores, bem como a necessidade de respeito ao cadastro de 
adotantes, mostra-se conveniente, in casu, o abrigamento da menor e a rejeição 
do pleito de regularização da guarda de fato da criança (Agravo de Instrumento 
n. 2009.014159-2, de Capivari de Baixo, Rel. Des. Henry Petry Junior, j. 23-6-
2009). (TJSC. 6ª C. Dir. Civ. A.I. nº 2011.024187-5. Rel. Des. Stanley da Silva 
Braga. J. em 27/09/2011). Vide também comentários ao art. 50, §13, do ECA. 
149 Redação modificada pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide art. 52, §8º, 
do ECA. Enquanto na adoção nacional não há previsão de um prazo determinado 
para duração do estágio de convivência, que pode ser até mesmo dispensado em 
determinadas circunstâncias, na chamada adoção internacional (cf. art. 51, 
caput, do ECA), a realização do estágio de convivência será indispensável e terá 
uma duração mínima previamente definida, o que se justifica diante da possível 
dificuldade de adaptação do adotado à família substituta estrangeira, por 
questões culturais, problemas de comunicação e/ou outros fatores. Vale destacar 
que por se tratar de um prazo legal mínimo obrigatório, sua duração não pode 
ser reduzida pelo Juiz ou pelas partes. É admissível, no entanto, sua 
prorrogação, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, por sugestão da 
equipe técnica que acompanha a execução do estágio de convivência e/ou caso 
ao seu término seja necessário mais tempo para avaliar a conveniência do 
deferimento da medida. Em qualquer caso, o estágio de convivência será 
obrigatoriamente cumprido no território nacional, vale observar que, antes de 
 
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transitada em julgado a sentença que defere a adoção internacional (cf. art. 47, 
§7º, do ECA), não poderá ser autorizada a saída adotando do território nacional 
(cf. art. 52, §8º, do ECA), autorização esta que somente pode ser expedida pela 
autoridade judiciária (cf. art. 85, do ECA). Por fim, vide art. 199-A, do ECA, que 
estabelece a obrigatoriedade do recebimento das apelações interpostas contra 
sentenças concessivas de adoção internacional tanto no efeito devolutivo quanto 
suspensivo. 
150 Redação modificada pela Lei nº 12.010/2009, de 03/08/2009. Vide arts. 86, 87, 
inciso VII, 88, inciso VI e 151, do ECA. Vale notar a intenção declarada do 
legislador na articulação de ações entre a equipe técnica que o Poder Judiciário 
deve dispor (cuja intervenção no feito é considerada imprescindível) e os 
técnicos responsáveis pela execução da política pública destinada à garantia do 
direito à convivência familiar, que todo município tem o dever de implementar, 
inclusive sob pena de responsabilidade do gestor omisso, ex vi do disposto nos 
arts. 208, inciso IX e 216, do ECA. 
Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial [151], que será 
inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão [152]. 
§ 1º. A inscrição consignará o nome dos adotantes