eca anotado 2013 6ed
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DisciplinaDireito Penal I63.241 materiais1.030.720 seguidores
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de passageiros estão 
impossibilitados de trafegar ou não há disponibilidade de veículos próprios para o 
transporte de passageiros). Vide também o disposto na Resolução nº 02/2009, 
do FNDE, que estabelece as normas para que os Municípios, Estados e o Distrito 
Federal possam aderir ao Programa Caminho da Escola para pleitear a aquisição 
de ônibus e embarcações para o transporte escolar. 
249 Vide art. 208, §1º, da CF e arts. 4º, inciso I, 5º e 10, da LDB. Dada amplitude 
do disposto no art. 205, da CF, que estabelece ser a educação \u201c...direito de 
todos e dever do Estado...\u201d, é de se considerar que o acesso a todos os níveis de 
ensino é um direito público subjetivo, servindo o presente dispositivo apenas 
para realçar a preocupação do legislador com o ensino fundamental (sendo certo 
que, como visto acima, com o advento da Lei nº 12.796/2013 e da alteração por 
esta promovida ao art. 5º, da LDB, até mesmo o acesso à pré-escola - que se 
constitui na primeira etapa da educação básica - passou a ser expressamente 
considerado \u201cdireito público subjetivo\u201d, o mesmo ocorrendo com o ensino 
médio). 
250 Vide art. 208, §2º, da CF; arts. 5º, 208, inciso I e 216, do ECA e art. 5º, §4º, da 
LDB. O não oferecimento ou a oferta irregular dos demais níveis de ensino, 
notadamente a educação infantil e o ensino médio, também pode (e deve) gerar 
a responsabilidade do agente público omisso, dada amplitude do contido no art. 
205, da CF e arts. 5º e 208, incisos III, IV e par. único, do ECA. 
251 Vide art. 5º, §1º, da LDB inciso I da LDB, que torna obrigatório o recenseamento 
não apenas dos alunos do ensino fundamental, mas de toda educação básica 
(englobando a pré-escola, o ensino fundamental e o ensino médio). 
 
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252 Vide art. 12, inciso VII, da LDB e arts. 100, par. único, inciso IX e 129, incisos IV 
e V, do ECA. 
253 Vide art. 208, §3º, da CF e art. 129, inciso V, do ECA (valendo lembrar que tal 
obrigação do Poder Público agora também abrange a pré-escola e o ensino 
médio). 
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos 
na rede regular de ensino [254]. 
254 Vide art. 4º, inciso I e 6º, da LDB e art. 129, inciso V, do ECA. Com a nova 
redação dada aos arts. 4º, inciso I e 6º, da LDB, pela Lei nº 12.796/2013, de 
04/04/2013, a matrícula de crianças na educação básica passou a ser obrigatória 
a partir dos 04 (quatro) anos de idade, persistindo enquanto não concluído o 
ensino médio e não atingidos os 18 (dezoito) anos de idade. A falta de matrícula 
do filho ou pupilo, enquanto criança ou adolescente, na educação básica (da pré-
escola até a conclusão do ensino médio) configura, em tese, o crime de 
abandono intelectual, previsto no art. 246, do CP. Por determinação do Conselho 
Tutelar ou autoridade judiciária, no entanto, pais ou responsável podem ser 
obrigados a matricular seus filhos ou pupilos e acompanhar sua frequência e 
aproveitamento escolar também na creche, sob pena da prática da infração 
administrativa prevista no art. 249, do ECA (cf. art. 129, inciso V, do ECA). 
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao 
Conselho Tutelar os casos de: 
I - maus-tratos envolvendo seus alunos [255]; 
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos 
escolares [256]; 
III - elevados níveis de repetência [257]. 
255 Vide art. 19, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989; arts. 
5º, 13, 18, 70 e 245, do ECA e art. 136, do CP. A simples suspeita de que a 
criança ou adolescente foi vítima de maus-tratos (termo que deve ser 
interpretado de forma ampliativa, compreendendo a violência e/ou o abuso 
sexual), já torna a comunicação obrigatória, sob pena da prática da infração 
administrativa prevista no art. 245, do ECA. A exemplo do que foi dito em 
comentários ao art. 13, do ECA, em que pese a alusão ao Conselho Tutelar, é 
mais adequado que os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos sejam 
comunicados diretamente ao Ministério Público, ao qual incumbe, em última 
análise, propor ação penal contra os autores da infração, o afastamento do 
agressor da moradia comum (cf. art. 130, do ECA) e mesmo a suspensão ou 
destituição do poder familiar (cf. art. 201, inciso III c/c arts. 155 a 163, do ECA), 
medidas que somente poderão ser decretadas pela autoridade judiciária. 
Ademais, como não incumbe ao Conselho Tutelar a investigação criminal acerca 
da efetiva ocorrência de maus-tratos e/ou a decisão acerca da propositura, ou 
não, das aludidas ações, uma vez acionado somente caberia ao órgão proceder 
na forma do disposto no art. 136, inciso IV, do ECA, ou seja, encaminhar a 
notícia do fato ao Ministério Público. Interessante também observar que o art. 
245, do ECA não se refere especificamente ao Conselho Tutelar, apenas, mas 
sim à \u201cautoridade competente\u201d, que no caso para apuração da prática de 
infração penal contra criança ou adolescente, será o Ministério Público (poder-se-
ia falar também da polícia judiciária, porém, pela sistemática estabelecida pelo 
ECA, e pelos desdobramentos do fato, que podem, como dito, resultar em 
medias de cunho extrapenal, é preferível acionar diretamente o MP). De uma 
 
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forma ou de outra, a simples suspeita da ocorrência de maus-tratos já torna 
obrigatória a aludida comunicação, sob pena da prática da infração 
administrativa respectiva, devendo os gestores responsáveis pela educação 
promover a devida orientação (e conscientização) dos profissionais da área, bem 
como fornecer mecanismos destinados a facilitar as denúncias, como \u201cfichas de 
notificação obrigatória\u201d ou similares. As denúncias de abuso ou violência sexual 
contra crianças e adolescentes podem ser também efetuadas através do telefone 
\u201c100\u201d (um, zero, zero), que é o número do \u201cDisque-denúncia Nacional de 
Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes\u201d, 
mantido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos - SEDH. No estado do 
Paraná, o número do disque-denúncia estadual (que também é o número 
utilizado em outros estados) é 181. 
256 Vide art. 12, inciso VIII, da LDB, que estabelece ser dever dos estabelecimentos 
de ensino \u201cnotificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da 
Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos 
alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do 
percentual permitido em lei\u201d (dispositivo incluído pela Lei nº 10.287/2001, de 
20/09/2001). Importante destacar que, como está expresso na lei, a 
comunicação ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público somente deve ocorrer 
após esgotados os recursos escolares (diga-se, os recursos disponíveis no 
próprio Sistema de Ensino), para o retorno da criança ou adolescente à escola. 
Desta forma, cada Sistema de Ensino deve desenvolver uma política própria de 
combate à evasão escolar, devendo prever ações a serem desencadeadas no 
âmbito da escola e do próprio Sistema, se necessário com a colaboração de 
outros órgãos públicos (como é o caso das Secretarias de Assistência Social, 
Saúde, Cultura, Esporte e Lazer - de acordo com a estrutura administrativa de 
cada Ente Federado), com ações a serem deflagradas desde o momento em que 
são registradas as primeiras faltas reiteradas e/ou injustificadas. A comunicação 
ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público somente deve ocorrer, portanto, após 
constatado que tais iniciativas não surtiram o efeito desejado, devendo ser o 
relato efetuado a tempo de permitir o retorno à escola, ainda com 
aproveitamento do ano letivo, com a informação acerca de todas as ações 
desencadeadas junto à criança ou adolescente e também junto a seus pais ou 
responsável. 
257 A constatação da ocorrência de elevados índices de repetência é um claro 
indicativo da necessidade