eca anotado 2013 6ed
540 pág.

eca anotado 2013 6ed


DisciplinaDireito Penal I63.412 materiais1.031.959 seguidores
Pré-visualização50 páginas
3. É legítima a determinação da obrigação de fazer pelo Judiciário para 
tutelar o direito subjetivo do menor a tal assistência educacional, não havendo 
falar em discricionariedade da Administração Pública, que tem o dever legal de 
assegurá-lo. Precedentes do STJ e do STF. 4. Recurso Especial provido. (STJ. 2ª 
T. R.Esp. nº 511645/SP. Rel. Min. Herman Benjamin. J. em 18/08/2009). 
14 Vide art. 227, caput da CF e arts. 90, §2º, 100, par. único, inciso III e 260, §5º, 
do ECA. O cumprimento deste verdadeiro comando normativo, decorrente do 
princípio constitucional da prioridade absoluta à criança e ao adolescente, exige 
a adequação dos orçamentos públicos dos diversos entes federados às 
necessidades específicas da população infanto-juvenil, através da previsão dos 
recursos indispensáveis à implementação de políticas básicas (art. 87, inciso I do 
ECA), políticas e programas de assistência social (art. 87, inciso II, do ECA) e 
programas de prevenção, proteção especial e socioeducativos (arts. 88, inciso III 
c/c 90, 101, 112 e 129, todos do ECA), com foco prioritário no atendimento de 
crianças, adolescentes e suas respectivas famílias. Os orçamentos dos diversos 
órgãos públicos (cf. art. 90, §2º, do ECA) devem contemplar os planos de ação e 
de aplicação de recursos destinados à criação, manutenção e ampliação de uma 
\u201crede de proteção\u201d à criança e ao adolescente, nos moldes do que for deliberado 
pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente (art. 88, inciso II, do 
ECA e arts. 227, §7º c/c 204, da CF), de acordo com as demandas e prioridades 
apuradas junto aos Conselhos Tutelares (art. 136, inciso IX, do ECA), Justiça da 
Infância e da Juventude e demais órgãos de defesa dos direitos infanto-juvenis, 
bem como aquelas apontadas nas Conferências dos Direitos da Criança e do 
Adolescente, periodicamente realizadas. No Paraná, vide ainda o disposto na 
Resolução nº 14/2009, de 30/07/2009 e a Instrução Normativa nº 36/2009, de 
27/08/2009, ambas do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, relativas aos 
procedimentos a serem observados pelas administrações municipais para 
comprovação do efetivo respeito ao aludido princípio constitucional da prioridade 
 
9 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
absoluta à criança e ao adolescente, determinando sejam identificadas as 
despesas com ações, programas e serviços voltados ao atendimento da 
população infanto-juvenil em sede de previsão e execução orçamentárias, 
inclusive sob pena de desaprovação das contas prestadas. Vale dizer que, face o 
princípio jurídico-constitucional da prioridade absoluta à criança e ao 
adolescente, o administrador público (que na forma do art. 37, da CF, está 
vinculado ao princípio da legalidade) fica obrigado a destinar, no orçamento 
público, os recursos necessários à implementação das supramencionadas 
políticas públicas destinadas à garantia da plena efetivação dos direitos infanto-
juvenis assegurados pela lei e pela Constituição Federal, não podendo invocar 
seu suposto \u201cpoder discricionário\u201d para privilegiar área diversa, não amparada 
por semelhante mandamento constitucional. Neste sentido, e apenas a título de 
exemplo, vale transcrever o seguinte aresto, dentre tantos outros de teor 
semelhante contidos ao longo da presente obra: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INÉPCIA 
PODER DISCRICIONÁRIO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DESCUMPRIMENTO 
ORÇAMENTÁRIO. A peça vestibular do processo e muito clara e precisa ao indicar 
que pleiteia a formação de estrutura suficiente para concretização dos 
programas regionalizados de atendimento ao menor infrator, privado de 
liberdade. Apresenta, inclusive, minúcias sobre a postulação. Invoca o ECA, para 
amparar o pedido. Ademais, a matéria focada na preliminar, se confunde com o 
mérito. Não há um laivo sequer de afronta ou negação ao poder discricionário da 
administração pública, mas simples exigência do cumprimento da lei. 
Discricionariedade administrativa jamais poderá ser confundida com 
arbitrariedade é até irresponsabilidade. Para ela existe o controle das leis. O 
poder judiciário, no estrito cumprimento de sua função, estabelecida pela lei 
estadual acima mencionada, tomou todas as medidas cabíveis e colocou em 
pleno funcionamento aqueles juizados regionais. A administração pública 
estadual, de sua parte, não proporcionou as condições necessárias e 
imprescindíveis, para viabilizar que as decisões desses juizados pudessem ser 
cumpridas adequadamente. Sentença mantida. Recurso improvido. (TJRS. 8ª C. 
Cív. Ac. nº 595133596. Rel. Des. José Ataides Siqueira Trindade J. em 
18/03/1999). 
Art. 5º. Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de 
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão [15], punido 
na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos 
fundamentais [16]. 
15 Trata-se do desdobramento do contido no art. 227, caput, da CF e arts. 34 e 36, 
da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989. Vide também arts. 
18 e 70, do ECA, que impõem a todos o dever de velar pelos direitos 
assegurados a crianças e adolescentes, auxiliando no combate a todas as formas 
de violência, negligência ou opressão. 
16 Vide Princípios 9º, primeira parte e 10º, da Declaração dos Direitos da Criança, 
de 1959; arts. 2º, nº 2, 19 e 36, da Convenção da ONU sobre os Direitos da 
Criança, de 1989; arts. 208 e par. único, 216, 228 a 244-A e 245 a 258-B, do 
ECA e arts. 28 e 29 da Lei nº 12.594/2012, que institui o Sistema Nacional de 
Atendimento Socioeducativo - SINASE. O ECA relaciona inúmeras condutas 
atentatórias aos direitos de crianças e adolescentes que, se praticadas, podem 
caracterizar crimes (arts. 228 a 244-A) e outras que constituem as chamadas 
infrações administrativas (arts. 245 a 258-B). Ainda segundo os arts. 5º c/c 208, 
caput e par. único do ECA, a violação, por ação ou omissão, dos direitos infanto-
juvenis, pode levar à responsabilidade civil e administrativa do agente 
respectivo, cuja apuração deve ser inclusive provocada pela autoridade judiciária 
que impuser condenação ao Poder Público, ex vi do disposto no art. 216 do ECA. 
 
10 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
A defesa dos direitos infanto-juvenis, na forma da lei, deve ser proporcionada 
tanto pelos seus pais ou responsável legal (vide comentários ao art. 129, do 
ECA), quanto por qualquer cidadão (cf. arts. 18 e 70, do ECA). Existem, no 
entanto, órgãos oficiais que possuem tal incumbência de forma mais específica 
(como os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente - art. 88, inciso II, 
do ECA, Conselhos Tutelares - art. 131, do ECA e Ministério Público - art. 201, do 
ECA). Para defesa dos direitos infanto-juvenis no plano judicial, vide arts. 141, 
142, 148, inciso IV, 201, incisos III, V, VIII, IX, X e XI, e 210, todos do ECA. 
Vide também art. 227, §4º, da CF e art. 98, incisos I e II, do ECA. Ainda sobre a 
matéria, vide o Decreto nº 6.230/2007, de 11/10/2007, que estabelece o 
compromisso pela redução da violência contra crianças e adolescentes, com vista 
à implementação de ações de promoção e defesa dos direitos da criança e do 
adolescente, por parte da União Federal, em regime de colaboração com 
Municípios, Estados e Distrito Federal, institui o Comitê Gestor de Políticas de 
Enfrentamento à Violência contra Criança e Adolescente, e dá outras 
providências; e também o Decreto nº 6.231/2007, de 11/10/2007, que institui o 
Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte - PPCAAM. 
Art. 6º. Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais e a que ela se 
dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e 
a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento 
[17]. 
17 O presente dispositivo, que guarda alguma semelhança com o contido no art. 5º 
da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro