eca anotado 2013 6ed
540 pág.

eca anotado 2013 6ed


DisciplinaDireito Penal I59.373 materiais997.614 seguidores
Pré-visualização50 páginas
(antiga Lei de Introdução ao 
Código Civil - Dec. Lei nº 4.657/1942, com a redação do enunciado alterada pela 
Lei nº 12.376/2010, de 30/12/2010), traz uma importante regra de 
interpretação, que por sua vez deve ser analisada em conjunto com os arts. 1º, 
5º e 100 caput e par. único (notadamente seu inciso II), do ECA. Como 
resultado, reputa-se inadmissível que qualquer das disposições estatutárias seja 
interpretada - e muito menos aplicada - em prejuízo das crianças e/ou 
adolescentes que, em última análise, são as destinatárias da norma e da integral 
proteção por parte do Poder Público (inclusive do Poder Judiciário). Vide também 
art. 121, caput, terceira parte, do ECA. Neste sentido: ESTATUTO DA CRIANÇA E 
DO ADOLESCENTE - INTERPRETAÇÃO. O Estatuto da Criança e do Adolescente 
há de ser interpretado dando-se ênfase ao objetivo visado, ou seja, a proteção e 
a integração do menor no convívio familiar e comunitário, preservando-se-lhe, 
tanto quanto possível, a liberdade. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 
- SEGREGAÇÃO. O ato de segregação, projetando-se no tempo medida de 
internação do menor, surge excepcional, somente se fazendo alicerçado uma vez 
atendidos os requisitos do artigo 121 da Lei nº 8.069/90. (STF. 1ª T. HC 
nº 88945/SP. Rel. Min. Marco Aurélio Melo. J. em 04/03/2008). 
TÍTULO II - DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CAPÍTULO I - DO DIREITO À VIDA E À SAÚDE [18] 
Art. 7º. A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a 
efetivação de políticas sociais públicas [19] que permitam o nascimento e o 
desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência [20]. 
 
11 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
18 Vide Princípios 4º e 5º, da Declaração dos Direitos da Criança, de 1959; arts. 6º 
e 24, da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, de 1989; arts. 196 a 
200 e 227, §1º, da CF e art. 77, do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias. Vide também Lei nº 8.080/1990, de 19/09/1990, que dispõe sobre 
as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização 
e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências e Lei 
nº 8.142/1990, de 28/12/1990, que dispõe sobre a participação da comunidade 
na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências 
intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras 
providências. Ainda sobre a matéria, vide Portaria nº 3.277/2006/GM/MS, de 
22/12/2006, que dispõe sobre a participação complementar dos serviços 
privados de assistência à saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde e Portaria 
nº 2.048/2009, de 03/09/2009, que aprova o Regulamento do Sistema Único de 
Saúde. Em se tratando de adolescentes em cumprimento de medida 
socioeducativa, vide também o disposto nos arts. 60 a 64, da Lei 
nº 12.594/2012, que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo 
- SINASE. 
19 Vide arts. 4º, caput e par. único, alíneas \u201cb\u201d, \u201cc\u201d e \u201cd\u201d, e 87, inciso I, do ECA. O 
Poder Público, em todos os níveis (municipal, estadual e Federal), tem o dever 
de desenvolver políticas públicas voltadas à proteção integral da saúde de 
crianças e adolescentes, em regime da mais absoluta prioridade. Para tanto, 
deve prever os recursos necessários diretamente junto ao orçamento dos órgãos 
públicos encarregados da saúde, que por força do disposto no art. 198, da CF 
(com a nova redação que lhe deu a Emenda Constitucional nº 29/2000, de 
13/09/2000), devem ser contemplados com determinados percentuais mínimos 
do produto da arrecadação dos impostos, hoje (e até a promulgação da Lei 
Complementar a que se refere o §3º, do citado dispositivo constitucional) fixados 
pelo art. 77, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Os referidos 
recursos orçamentários devem ser utilizados tanto para implementação da 
política social básica de saúde, cujo planejamento e ações priorizem crianças e 
adolescentes, quanto para as políticas de proteção especial correlatas, como é o 
caso de programas de orientação e tratamento psicológico e psiquiátrico, 
prevenção e tratamento para drogadição etc., nos moldes do previsto nos arts. 
101, incisos V e VI e 129, incisos II, III e IV, do ECA. Sobre a matéria, vale 
transcrever o seguinte aresto: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 
ORÇAMENTO ESTADUAL. SAÚDE PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PERCENTUAL 
MÍNIMO. REGRA CONSTITUCIONAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. DESNECESSIDADE 
DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A norma constitucional determinou a aplicação de um 
mínimo, de doze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se 
refere o artigo 155 e dos recursos de que tratam os artigos 157 e 159, inciso I, 
alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos 
respectivos Municípios. 2. Em se tratando de direito fundamental, a regra que 
estabelece um gasto mínimo também ostenta a mesma natureza fundamental, 
e, como tal, tem aplicabilidade imediata. 3. Não é possível restringir direitos 
fundamentais, como também não se pode interpretar um direito fundamental de 
maneira restritiva. Em outras palavras, normas constitucionais devem ser 
interpretadas à luz do princípio da máxima eficiência. Apelação Cível provida. 
Maioria. (TJPR. 5ª C. Cív. Ac. nº 567006-8. Rel. Des. Rosene Arão de Cristo 
Pereira. J. em 01/09/2009). 
20 Vide arts. 17, 18, 101, incisos V e VI, 112, §3º e 129, incisos II e III, c/c art. 
208, inciso VII, todos do ECA, bem como art. 227, §1º e §3º, inciso VII, da CF. 
Art. 8º. É assegurado à gestante [21], através do Sistema Único de Saúde [22], o 
atendimento pré e perinatal [23]. 
 
12 
P
a
rt
e
 G
e
ra
l 
§ 1º. A gestante será encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, segundo 
critérios médicos específicos, obedecendo-se aos princípios de regionalização e 
hierarquização do Sistema [24]. 
§ 2º. A parturiente será atendida preferencialmente pelo mesmo médico que a 
acompanhou na fase pré-natal [25]. 
§ 3º. Incumbe ao Poder Público propiciar apoio alimentar à gestante e à nutriz que 
dele necessitem [26]. 
§ 4º. Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à 
mãe, no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as 
consequências do estado puerperal [27]. 
§ 5º. A assistência referida no §4º deste artigo deverá ser também prestada a 
gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção 
[28]. 
21 Vide art. 226, §§7º e 8º, da CF; art. 2º, do CC e Portaria nº 426/2005/MS, de 
22/03/2005, que institui, no âmbito do SUS, a Política Nacional de Atenção 
Integral em Reprodução Humana Assistida e dá outras providências. 
Interessante observar a preocupação do legislador em garantir o bem estar do 
feto, através do cuidado prestado à mãe/gestante, que deve ocorrer tanto no 
plano físico quanto emocional, começando já pelo planejamento familiar, valendo 
sobre a matéria observar o disposto na Lei nº 9.263/2003, de 12/01/2003, que 
regula o art. 226, §7º, da CF. 
22 Vide art. 198, da CF e art. 4º, da Lei nº 8.080/1990, de 19/09/1990 e Portaria 
nº 2.048/2009/MS. 
23 No estado do Paraná, a Lei Estadual nº 14.523/2004, de 26/10/2004, assegura à 
gestante o direito de realização de exames de detecção do HIV durante o pré-
natal e/ou parto, bem como, em sendo positivada a enfermidade, o direito a 
acompanhamento especializado. A referida lei também assegura a crianças 
recém-nascidas, de mães portadoras de HIV, direito à assistência adequada que 
inclua: investigação diagnóstica e monitoramento para HIV até o segundo ano de 
vida; garantia de fornecimento de fórmula infantil para alimentação até o sexto 
mês de vida, bem como o uso correto de terapêutica anti-retroviral conforme 
indicação médica. 
24 Vide Lei nº 8.080/1990, de 19/09/1990. 
25 Vide Lei nº 11.634/2007, de 27/12/2007, que dispõe sobre o direito da gestante 
ao conhecimento e a vinculação à maternidade