Direito Penal   2ª Fase   2ª Prova
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Direito Penal 2ª Fase 2ª Prova


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a Liberdade Provisória, esta peça é encaminhada à 
1ª instância (a um Juiz de Direito Competente de uma Vara Criminal, ou 
a um Juiz Federal).
Denominação do postulante
Também, na mesma esteira da Liberdade Provisória, o indivíduo que ingressa 
\u2013 via procurador \u2013 com o pedido de Relaxamento de Prisão em Flagrante recebe 
a denominação de REQUERENTE.
Prazo
Como, na Liberdade Provisória, o pedido de Relaxamento de Prisão em 
Flagrante não possui momento oportuno para ser requerido, podendo ser feito 
enquanto perdurar a situação de ilegalidade.
Hipótese
Essa peça é utilizada em casos em que haja prisão em flagrante ilegal, ou 
seja, quando o auto e prisão em flagrante possuir irregularidades, como no caso 
em que a pessoa após cometer algum crime se apresenta espontaneamente e 
é presa em flagrante delito, ou então quando não é realizada a entrega de nota 
de culpa no prazo de 24 horas, após a prisão.
Forma
Compõe-se de uma única peça, onde serão demonstradas as máculas exis-
tentes no auto de prisão em flagrante. Não se discute o mérito da causa.
Observações imprescindíveis
Caberá relaxamento de prisão em flagrante em casos de prisão ilegal, ou 
seja, o auto de prisão em flagrante conterá vícios, como no caso do flagrante 
preparado, ou quando não é expedida e entregue ao indiciado sua nota de 
culpa, dentre outros.
A ilegalidade da prisão é imprescindível. A diferença desta peça para 
com a liberdade provisória é que no relaxamento o auto de prisão em fla-
grante a prisão é ilegal, já na liberdade provisória a prisão é legal, porém, o 
preso possui os requisitos inerentes à concessão de tal liberdade. Atenção: 
PODEM SER CUMULADOS OS PEDIDOS DE RELAXAMENTO DE 
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FLAGRANTE E LIBERDADE PROVISÓRIA, QUANDO, SIMULTANEA-
MENTE, HOUVER VÍCIO DO FLAGRANTE E ESTIVEREM AUSEN-
TES OS REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA.
Casos práticos
A \u2013 preso em flagrante delito, não houve a expedição da nota de culpa.
B \u2013 policiais preparam o flagrante, vindo a autuar o indivíduo em fla-
grante delito.
Modelo prático
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da 
Comarca de _______________, Estado de São Paulo,
(pular 2 linhas)
Processo nº __/__
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________, qualificado nos autos de prisão em flagrante em epígrafe, via de 
seu advogado e procurador que esta subscreve (procuração inclusa), vem, mui 
respeitosamente à Douta presença de Vossa Excelência, requerer RELAXA-
MENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE, com fulcro no art. 5º, inciso LXV, 
da Constituição Federal c/c o art. 310, I do CPP, pelos fatos e fundamentos que 
a seguir aduz:
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DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE
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(especificar os motivos da prisão e os vícios do auto, tudo de acordo com os 
dados fornecidos pelo caso sorteado).
Do Direito \u2013 Ausência de situação flagrancial (ou vício formal do 
flagrante)
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(especificar toda a matéria de direito, jurisprudência, súmulas etc. ...)
 REQUERIMENTO
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Assim sendo, requer:
Vista ao ilustre representante do Ministério Público;
A concessão do pedido, determinando o relaxamento da prisão ilegal noticiada;
A expedição do competente alvará de soltura, em favor do requerente.
 Termos em que, 
 Pede deferimento.
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 Local e data
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 Advogado ______________
 OAB / SP nº ________
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22. Casos Referentes à Matéria
3 \u2013 (FGV/OAB \u2013 1) No dia 10 de março de 2011, após ingerir um litro de 
vinho na sede de sua fazenda, José Alves pegou seu automóvel e passou a con-
duzi-lo ao longo da estrada que tangencia sua propriedade rural. Após percor-
rer cerca de dois quilômetros na estrada absolutamente deserta, José Alves foi 
surpreendido por uma equipe da Polícia Militar que lá estava a fim de procurar 
um indivíduo foragido do presídio da localidade. Abordado pelos policiais, José 
Alves saiu de seu veículo trôpego e exalando forte odor de álcool, oportunidade 
em que, de maneira incisiva, os policiais lhe compeliram a realizar um teste 
de alcoolemia em aparelho de ar alveolar. Realizado o teste, foi constatado que 
José Alves tinha concentração de álcool de um miligrama por litro de ar expe-
lido pelos pulmões, razão pela qual os policiais o conduziram à Unidade de 
Polícia Judiciária, onde foi lavrado Auto de Prisão em Flagrante pela prática do 
crime previsto no art. 306 da Lei nº 9.503/1997, c/c art. 2º, inciso II, do Decreto 
nº 6.488/2008, sendo-lhe negado no referido Auto de Prisão em Flagrante o 
direito de entrevistar-se com seus advogados ou com seus familiares.
Dois dias após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, em razão de 
José Alves ter permanecido encarcerado na Delegacia de Polícia, você é pro-
curado pela família do preso, sob protestos de que não conseguiram vê-lo e 
de que o delegado não comunicara o fato ao juízo competente, tampouco à 
Defesnoria Pública.
Com base somente nas informações de que dispõe e nas que podem ser 
inferidas pelo caso concreto acima, na qualidade de advogado de José Alves, 
redija a peça cabível, exclusiva e advogado, no que tange à liberdade de seu 
cliente, questionando, em juízo, eventuais ilegalidades praticadas pela Autori-
dade Policial, alegando para tanto toda a matéria de direito pertinente ao caso.
23. Gabarito Comentado
O examinando deverá redigir uma petição de relaxamento de prisão, fun-
damentado no art. 5º, LXV, da CRFB/1988, ou art. 310, I, do CPP (embora 
os fatos narrados na questão sejam anteriores à vigência da Lei nº 12.403/2011, 
a Banca atribuirá a pontuação relativa ao item também ao examinando que 
indicar o art. 310, I, do CPP como dispositivo legal ensejador ao pedido de 
relaxamento de prisão. Isso porque estará demonstrada a atualização jurídica 
acerca do tema), a ser endereçada ao Juiz de Direito da Vara Criminal. 
Na petição, deverá argumentar que: 
1. O auto de prisão em flagrante é nulo por violação ao direito à não autoin-
criminação compulsória (princípio do nemo tenetur se detegere), previsto no 
art. 5º, LXIII, da CRFB/1988 ou art. 8º, 2, \u201cg\u201d do Decreto nº 678/1992. 
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2. A prova é ilícita em razão da colheita forçada do exame de teor alcoólico, 
por força do art. 5º, LVI, da CRFB/1988 ou art. 157 do CPP. 
3. O auto de prisão em flagrante é nulo pela violação à exigência de comu-
nicação da medida à Autoridade Judiciária, ao Ministério Público e à Defenso-
ria Pública dentro de 24 horas, nos termos do art. 306, § 1º, do CPP ou art. 5º, 
LXII, da CRFB/1988, ou art. 6º, inciso V, c/c. art. 185, ambos do CPP (a banca 
também convencionou aceitar como fundamento o art. 306, caput, do CPP, 
considerando-se a legislação da época dos fatos). 
4. O auto de prisão é nulo por violação ao direito à comunicação entre 
o preso e o advogado, bem como familiares, nos termos do art. 5º, LXIII, da 
CRFB ou art. 7º, III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil ou art. 8º, 
2, \u201cd\u201d do Decreto nº 678/1992.
Ao final, o examinando deverá formular pedido de relaxamento de prisão 
em razão da nulidade do auto de prisão em flagrante, com a consequente expe-
dição de alvará de soltura. 
Exercícios
1. José da Silva foi preso em flagrante pela polícia militar quando trans-
portava em seu carro grande quantidade de drogas. Levado pelos 
policiais à delegacia de polícia mais próxima, José telefonou para seu 
advogado, o qual requereu ao delegado que aguardasse sua chegada 
para lavrar o flagrante. Enquanto esperavam o advogado, o delegado 
de polícia conversou informalmente com José, o qual confessou que 
pertencia a um grupo que se dedicava ao tráfico de drogas e declinou 
o nome de outras cinco pessoas que participavam desse