Curso vigilancia epidemiologica
210 pág.

Curso vigilancia epidemiologica


DisciplinaVigilância em Saúde162 materiais944 seguidores
Pré-visualização50 páginas
Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf
Sistema Nacional de Vigilância EpidemiológicaCBVE
\ufb01nalidade de recomendar e adotar medidas de promoção da saúde ambiental, prevenção e controle 
dos fatores de riscos relacionados às doenças e outros agravos à saúde, em especial:
I. água para consumo humano;
II. ar;
III. solo;
IV. contaminantes ambientais e substâncias químicas;
V. desastres naturais;
VI. acidentes com produtos perigosos;
VII. fatores físicos; e
VIII.ambiente de trabalho.
Parágrafo Único - Os procedimentos de vigilância epidemiológica das doenças e agravos à saúde 
humana associados à contaminantes ambientais, especialmente os relacionados com a exposição a 
agrotóxicos, amianto, mercúrio, benzeno e chumbo serão de responsabilidade da Coordenação Geral 
de Vigilância Ambiental em Saúde (CGVAM).
Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica 1
Na Lei Federal nº 6.259, de 30 de outubro de 1975, que cria o Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica, destacam-se os seguintes artigos:
\u201cArt. 8º \u2013 É dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local a ocorrência 
de fato, comprovado ou presumível, de caso de doença transmissível, sendo obrigatória 
a médicos e outros pro\ufb01ssionais de saúde, no exercício da pro\ufb01ssão, bem como aos 
responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e 
ensino, a noti\ufb01cação de casos suspeitos ou con\ufb01rmados de doenças e agravos. (nosso 
grifo)
Art. 9º \u2013 É obrigatório proceder a investigação epidemiológica pertinente à elucidação 
do diagnóstico e tomar medidas de controle cabíveis, no caso das doenças do elenco 
de Doenças de Noti\ufb01cação Compulsória (DNC).
Art. 14º \u2013 A inobservância da presente lei constitui infração, sujeitando o infrator a 
penalidades previstas na Lei nº 6437, de 20/8/1977, artigo 10, itens VI e VII.\u201d
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica é um subsistema do Sistema Único de Saúde (SUS), 
baseado na informação-decisão-controle de doenças e agravos especí\ufb01cos. Seus principais objetivos são 
elaborar, recomendar e avaliar as medidas de controle e o planejamento.
1 Sistema: é o conjunto de subsistemas que cumprem suas funções obedecendo, cada um deles, as leis especí\ufb01cas, constituindo-se de atividades inter-relacionadas; é mais que a 
soma das partes e busca atingir um objetivo comum, podendo partir de condições diversas.
\u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf 7 
Módulo II CBVE
QUESTÃO 1: Cite três atividades que você desenvolve na vigilância epidemiológica
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
2. Atividades da vigilância epidemiológica
a) coleta, consolidação;
b) investigação epidemiológica;
c) interpretação de dados e análise de informação;
d) recomendação e adoção de medidas de controle;
e) avaliação do sistema de vigilância epidemiológica; e
f) retroalimentação e divulgação de informações.
2.1. Coleta e consolidação de dados
Essas atividades ocorrem em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. A força e o valor da 
informação (dado trabalhado) dependem da qualidade e \ufb01dedignidade com que os dados são gerados 
e coletados, bem como da sua representatividade em relação ao problema existente.
O sistema de vigilância epidemiológica trabalha diversos tipos de dados. Sua base é a noti\ufb01ca-
ção de casos suspeitos e/ou con\ufb01rmados de doenças, objetos de noti\ufb01cação compulsória, embora 
ele possa, também, utilizar dados de mortalidade ou dados coletados em prontuários médicos, por 
exemplo.
2.1.1. Noti\ufb01cação compulsória
Os serviços de saúde devem estar preparados para identi\ufb01car, em grupos populacionais (con-
glomerados), a ocorrência de sintomas e sinais que possam sugerir uma doença ou agravo de causa 
desconhecida; ou o comportamento não usual de uma doença de\ufb01nida, como também nos casos de 
doenças emergentes.2 A detecção precoce desses fenômenos é fundamental para o desencadeamento 
de ações que visem solucioná-los.
As noti\ufb01cações são úteis em pelo menos quatro situações:
a) como ponto de partida para investigação que venha a bene\ufb01ciar o paciente e toda a 
comunidade, em face das evidências encontradas no local e das medidas de controle 
implementadas;
Noti\ufb01cação compulsória consiste na comunicação obrigatória à autoridade sanitária da ocorrência de 
determinada doença ou agravo à saúde ou surto, feita por pro\ufb01ssional de saúde ou qualquer cidadão, 
visando à adoção das medidas de intervenção pertinentes.
2 Doenças emergentes são aquelas associadas à descoberta de agentes até então desconhecidos, ou que se expandem ou ameaçam se expandir para áreas consideradas indenes. 
A aids e a hantavirose são exemplos de doenças novas que emergiram. Já a doença de Chagas, que apresenta considerável redução de casos novos em amplas faixas do território 
brasileiro, está emergindo na Amazônia, região que, até poucos anos atrás, era considerada livre dessa doença. São denominadas de reemergentes aquelas doenças bastante 
conhecidas, que estavam controladas, ou eliminadas de uma determinada região onde vieram a ser reintroduzidas (cólera, dengue).
8 \u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf
Sistema Nacional de Vigilância EpidemiológicaCBVE
b) para averiguação, quando da investigação dos casos, das falhas nas medidas de controle 
adotadas;
c) para fornecimento, junto com os dados de outras fontes, de elementos para a composição 
de indicadores que re\ufb02itam o quadro epidemiológico da doença na coletividade; e
d) avaliação do impacto das medidas de controle.
Os pro\ufb01ssionais de saúde devem ser estimulados a noti\ufb01car de forma oportuna, para assegurar 
que as medidas de controle sejam adotadas com prontidão e efetividade.
 
Deve-se noti\ufb01car a simples suspeita da doença, não se aguardando a con\ufb01rmação do caso, pois 
isso pode implicar a perda da oportunidade de adotar as medidas de prevenção e controle indica-
das.
A noti\ufb01cação deve ser sigilosa, não podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sanitário 
\u2013 em caso de risco para a comunidade \u2013, sendo respeitado o direito de anonimato dos cidadãos.
Assim, quando não forem registrados casos de doenças noti\ufb01cáveis no decorrer do período, 
deve-se proceder à noti\ufb01cação negativa.
QUESTÃO 2: Com base em seu julgamento, proponha uma lista com dez doenças ou agravos que devam ser objeto de ações 
prioritárias em seu Município/Estado. O que você faria para reconhecer a ocorrência de casos dessas doenças?
Doença/Agravo Motivo da seleção Fonte Critérios
Noti\ufb01cação negativa é a noti\ufb01cação da Não-ocorrência de doenças de noti\ufb01cação compulsória na área 
de abrangência da unidade de saúde; demonstra que o sistema de vigilância e os pro\ufb01ssionais da área 
estão alertas para a ocorrência de tais eventos.
\u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf 9 
Módulo II CBVE
Critérios para seleção de doenças e agravos prioritários à vigilância epidemiológica:
a) Magnitude
Traduz-se pela incidência, prevalência, mortalidade, anos potenciais de vida perdidos.
b) Potencial de disseminação
Expressa-se pela transmissibilidade da doença, possibilidade da sua disseminação por vetores e 
demais fontes de infecção, colocando sob risco outros indivíduos ou coletividades.
c) Transcendência
Tem sido de\ufb01nida como um conjunto de características apresentadas por doenças e agravos, 
de acordo com a sua especi\ufb01cidade clínica e epidemiológica, destacando-se:
- Severidade \u2013 medida pelas taxas de letalidade, hospitalizações e seqüelas;
- Relevância social \u2013 signi\ufb01ca o valor que a sociedade imputa à ocorrência do evento, por 
estigmatização dos doentes, medo e indignação; e
- Relevância econômica \u2013