Curso vigilancia epidemiologica
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Curso vigilancia epidemiologica


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casos de dengue e leishmaniose tegumentar americana em áreas livres 
dessas doenças há várias décadas; e as investigações que levaram à identi\ufb01cação de novos agentes 
etiológicos, como o HTLV-1 (vírus linfotrópico de células T humanas, do tipo I) e o HIV (vírus da 
imunode\ufb01ciência humana), o virus da hantavirose e a bactéria da febre maculosa.
Em vigilância epidemiológica, são muito utilizados os conceitos de Levantamento, Inquérito e 
Investigação, os quais são entendidos como:
2.2.1. Inquérito epidemiológico
Em geral, trata-se de estudo seccional de uma amostra de indivíduos, estatisticamente repre-
sentativos do total, escolhidos de maneira aleatória. É utilizado quando as informações existentes são 
inadequadas ou insu\ufb01cientes, em virtude de diversos fatores, entre os quais se destacam:
- noti\ufb01cação imprópria ou de\ufb01ciente
- mudança no comportamento epidemiológico de uma determinada doença
- di\ufb01culdade em avaliar coberturas vacinais ou e\ufb01cácia de vacinas
- necessidade de avaliar e\ufb01cácia das medidas de controle de um programa
- descoberta de agravos inusitados
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Sistema Nacional de Vigilância EpidemiológicaCBVE
2.2.2. Levantamento epidemiológico
É um estudo realizado com base nos dados existentes nos registros dos serviços de saúde ou 
de outras instituições (dados secundários). Não é um estudo amostral e destina-se a coletar dados 
para complementar a informação já existente. A recuperação de séries históricas, para análise de 
tendências, e a busca ativa de casos, para aferir a e\ufb01ciência do sistema de noti\ufb01cação, são exemplos de 
levantamentos epidemiológicos. Como mais um exemplo de levantamento epidemiológico, pode-se 
citar o levantamento dos dados de hipertensão arterial por meio de prontuários médicos existentes 
nos serviços de saúde de determinada região.
2.2.3. Monitorização
O termo monitorização, recentemente introduzido no idioma português, signi\ufb01ca \u201cacompanhar 
e avaliar\u201d ou \u201ccontrolar mediante acompanhamento\u201d. Ele é utilizado em textos técnicos da área da 
Saúde com o mesmo signi\ufb01cado da palavra inglesa monitoring, ou seja, \u201ccontrolar e, às vezes, ajustar 
programas\u201d ou \u201colhar atentamente, observar ou controlar com propósito especial\u201d. Ex. monitorização 
da doença diarréica aguda (MDDA).
2.2.4. Investigação laboratorial
Investigação laboratorial ou vigilância laboratorial é toda e qualquer atividade de vigilância 
epidemiológica cuja tomada de decisão ou informação dependa, exclusivamente, dos resultados 
laboratoriais.
Vigilância ou investigação laboratorial é um dos componentes ou variações de ações da vigilância 
epidemiológica, pois a vigilância pode ser feita com ou sem laboratório. Por exemplo, na monitoriza-
ção da doença diarréica aguda (MDDA), não são utilizados exames laboratoriais; o mesmo acontece 
com a vigilância de alguns efeitos adversos a vacinas.
Utilizando-se um modelo de doenças de noti\ufb01cação compulsória, a con\ufb01rmação da suspeita, 
muitas vezes, depende do diagnóstico laboratorial \u2013 por exemplo, a malária \u2013, mas isso, não neces-
sariamente, caracteriza vigilância ou investigação laboratorial.
Das atividades de vigilância, aquela que pode ser caracterizada como vigilância laboratorial seria 
uma vigilância sindrômica de doenças exantemáticas, também a título de exemplo. A cada suspeito 
noti\ufb01cado, cabe ao laboratório esclarecer a suspeita processando exames \u2013 como para rubéola, sa-
rampo e dengue \u2013 e, ainda, agregar mais um bom número de outros patógenos \u2013 como Parvovírus 
B19 ou Herpes 6 ou quaisquer patógenos que, em sua manifestação clínica no indivíduo, possam 
causar exantema, de acordo com critérios estabelecidos pelo Programa. O mesmo raciocínio pode 
ser estendido para síndromes íctero-hemorrágicas, doença febril aguda, etc.
Uma faceta da vigilância laboratorial pode ser exempli\ufb01cada pelos sistemas sentinelas que 
monitoram variação de subtipos de patógenos, como in\ufb02uenza; subtipos H1N1, H2N3, H2N2; etc. 
Monitora-se quais cepas estão circulando, para efeito de composição da vacina. São eleitas unidades 
sentinelas, cuja função é captar o \u201cswab\u201d nasal e enviá-lo ao laboratório para isolamento e caracte-
rização do vírus da gripe. Essa informação, exclusivamente de interesse epidemiológico, não muda 
em nada, a conduta com o paciente. Outro exemplo de investigação laboratorial seria a avaliação da 
resistência dos patógenos à medicação utilizada, para auxiliar políticas de Estado na modi\ufb01cação de 
esquemas de tratamento.
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Módulo II CBVE
QUESTÃO 13: No laboratório de referência de seu Município, existe um protocolo estabelecido para realização do diagnóstico 
diferencial?
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A investigação laboratorial, parte integrante da investigação epidemiológica, é realizada pelos 
Laboratórios de Saúde Pública, aos quais compete, além da execução dos exames, o trabalho de 
promoção e proteção à saúde. Suas atividades são centradas na vigilância, prevenção e controle de 
doença, gerenciamento integrado de dados, realização de testes especializados, padronização de 
metodologias analíticas e desenvolvimento de pesquisas, para que os resultados obtidos sejam con-
\ufb01áveis e comparáveis, em resposta às emergências de risco à saúde, associando os resultados obtidos 
às investigações epidemiológicas.
Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab)
O Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab) é um conjunto de redes nacio-
nais de laboratórios, organizadas em subredes por agravo ou programas, de forma hierarquizada, 
nas esferas nacional, estadual e municipal e do Distrito Federal, por grau de complexidade das 
atividades realizadas em consonância com os princípios estabelecidos no SUS, visando acompa-
nhar e viabilizar a execução das ações laboratoriais, quando superada a capacidade dos Estados 
ou Municípios.
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