Curso vigilancia epidemiologica
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Curso vigilancia epidemiologica


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no canal de parto durante os exames 
de formação dos obstetras. Acreditava-se que os homens eram mais bruscos em seus 
exames.
4a O grande número de estudantes de obstetrícia molestaria, em excesso, as pacientes, 
resultando na febre puerperal.
5a A posição da mulher durante o parto in\ufb02uenciaria a febre puerperal.
6a Partículas cadavéricas, levadas ao canal de parto por ocasião do exame clínico, determinariam 
a febre puerperal, uma vez que os alunos que faziam estágio na Primeira Clínica vinham 
com as mãos sujas diretamente da aula prática de Anatomia Patológica.
Um dos momentos do raciocínio epidemiológico voltado para a explicação de um problema 
é o levantamento de hipóteses. Hipóteses são conjecturas com as quais se procuram explicar, por 
tentativa, fenômenos ocorridos ou ocorrentes.
Denomina-se hipótese epidemiológica, o enunciado que pretende buscar explicação para algum 
fenômeno, mediante o relacionamento de variáveis. É função da hipótese adiantar \u2018respostas-tentativas\u2019 a 
problemas novos ou revisitados. A hipótese orienta e determina a natureza dos dados a serem coletados 
e a metodologia da coleta. A formulação de hipóteses é indispensável em toda investigação epidemio-
lógica, estudo epidemiológico e pesquisa cientí\ufb01ca, seja de ordem experimental ou observacional.
5. Veri\ufb01cação da hipótese (análise)
Os estudos epidemiológicos referentes à distribuição da doença são fundamentais na elucidação 
de mecanismos causais. As hipóteses geradas nos estudos epidemiológicos objetivam de imediato 
dar explicação aos padrões de distribuição segundo pessoa, tempo e lugar, podendo identi\ufb01car os 
fatores de risco associados.
As variáveis que compõem o problema epidemiológico constituirão fatores de risco se estive-
rem associadas a doença/agravo à saúde. De\ufb01ne-se como fator de risco ou fator de exposição algum 
fenômeno de natureza física, química, orgânica, psicológica ou social, no genótipo ou fenótipo, ou 
alguma enfermidade anterior ao efeito que se está estudando, que, pela variabilidade de sua presença 
ou ausência, está relacionada com a doença investigada ou pode ser causa de seu aparecimento.
\u201cO mecanismo do descobrimento não é lógico e intelectual \u2013 é uma iluminação 
subitânea, quase um êxtase. Em seguida, é certo, a inteligência analisa e a experiência 
con\ufb01rma a intuição. Além disso há uma conexão com a imaginação\u201d.
Albert Einstein
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Módulo III CBVE
Epidemiologia descritiva
A epidemiologia descritiva é aplicada com o objetivo de compreender o comportamento de 
um agravo à saúde em uma população. Ela busca aprofundar o conhecimento sobre o problema 
epidemiológico respondendo a questões como: Quem? Quando? Onde?
Em seguida, passamos à formulação de hipótese ou hipóteses, ou seja, qual ou quais a(s) 
hipótese(s) mais provável(eis) para a explicação da associação entre causa (variável dependente) e 
efeito (variável independente).
Após o levantamento da hipótese, partimos para a sua validação, isto é, aplicamos um estudo 
analítico.
Desse modo, qualquer problema de saúde, sob a perspectiva epidemiológica, deve ser descrito 
a partir de determinadas características ou variáveis, antes que se possa analisá-lo. Análise, do ponto 
de vista epidemiológico, é elucidar relações etiológicas e causais. Em relação às variáveis, estas são 
de\ufb01nidas como os elementos do processo saúde-doença que se quer estudar.
A epidemiologia descritiva usa princípios básicos de outras ciências, como a sociologia, a an-
tropologia e as ciências políticas; além disso, utiliza o ferramental estatístico, objetivando revelar os 
problemas de saúde-doença em nível coletivo, possibilitando o detalhamento do per\ufb01l epidemiológico 
da população com vistas à promoção da saúde.
No enfoque temporal, a epidemiologia descritiva pode estudar o estado atual, a tendência his-
tórica ou a tendência prospectiva dos agravos à saúde.
1. Variáveis epidemiológicas
Os métodos e técnicas da epidemiologia são utilizados para detectar uma associação entre 
uma doença ou agravo e características de pessoa, tempo e lugar. Portanto, o primeiro passo para 
o entendimento de um problema de saúde ou de uma doença consiste em descrevê-lo por meio de 
variáveis de pessoa, tempo e lugar.
1.1. Pessoa: Quem?
Pessoas podem ser descritas em termos de: suas características herdadas ou adquiridas (ida-
de, sexo, cor, escolaridade, renda, estado nutricional e imunitário, etc.); suas atividades (trabalho, 
esportes, práticas religiosas, costumes, etc.); e circunstâncias de vida (condição social, econômica e 
do meio ambiente).
De acordo com a idade, elas se expõem, mais ou menos, aos fatores de risco. Por exemplo, ge-
ralmente os adultos expõem-se mais a eventos como hanseníase, tuberculose, acidentes de trânsito, 
homicídios, aids. As condições patológicas relacionadas ao baixo nível de imunidade são mais fre-
qüentes em idades extremas, ou seja, crianças e idosos.
Para conhecer uma possível relação entre determinada doença ou agravo e a idade, é preciso 
estrati\ufb01car a população em faixas etárias. 
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Medidas em Saúde Coletiva e Método EpidemiológicoCBVE
QUESTÃO 15: Correlacione as doenças e agravos à saúde da segunda coluna, de acordo com as respectivas características 
relativos à pessoa:
(1) Vida sedentária ( ) Acidentes de trânsito e homicídios
(2) Hábito de fumar ( ) Hepatite B, aids e sí\ufb01lis
(3) Crianças com idade de um a quatro anos ( ) Anemia falciforme
(4) Homens com idade acima de 60 anos ( ) Doenças cardiovasculares
(5) Adultos jovens com vida sexual ativa ( ) De\ufb01ciências nutricionais e parasitoses
(6) Homens de 20 a 29 anos de idade ( ) Câncer de pulmão
(7) População negra ( ) Câncer de próstata
1.2. Tempo: Quando?
A cronologia de uma doença é fundamental para a sua análise epidemiológica. A distribuição dos 
casos de determinada doença por períodos de tempo (semanal, mensal, anual) permite veri\ufb01car como 
a doença evolui, isto é, se apresenta variação cíclica, se está estacionária, decrescendo ou aumentando. 
Pode-se observar qual a semana ou mês em que, geralmente, ocorre o maior número de casos.
Para saber se houve mudanças, é necessária a existência de dados anteriores (série histórica). As 
variações das doenças no transcorrer do tempo (anos, meses, semanas, dias) são importantes, pois 
mostram alterações nos fatores causais. Casos de doenças agudas podem ocorrer em horas ou dias. 
Já as doenças crônicas devem ser estudadas de acordo com a incidência em meses ou anos.
A distribuição dos casos por períodos de tempo serve para orientar as intervenções cabíveis, 
fornecendo, por exemplo, informação sobre os melhores momentos para intensi\ufb01car a imunização 
e para prevenir um possível surto. No aspecto administrativo, serve para orientar quando se deve 
concentrar recursos materiais e humanos, facilitando as ações de controle necessárias.
Distribuição cronológica da mortalidade e morbidade
Segundo Rouquayrol, a distribuição cronológica da mortalidade e da morbidade é a relação 
entre uma seqüência de marcos temporais sucessivos (cronologia) e uma medida de freqüência de 
casos e óbitos. É o registro da história da doença.
São objetivos da descrição temporal:
I . Exibir a ação sobre um determinado agrupamento humano desde a atualidade, 
regredindo a um tempo passado.
II. Veri\ufb01car tipo de variação \u2013 cíclica ou sazonal.
III. Revelar tendência secular.
IV. Manifestar caráter endêmico ou epidêmico.
A distribuição cronológica é importante para a avaliação das medidas de controle, na compre-
ensão de eventos inusitados e na detecção de epidemias.
 
A distribuição cronológica apresenta-se como:
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Módulo III CBVE
Figura 3 -