Curso vigilancia epidemiologica
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Incidência de tuberculose segundo o ano. Brasil, 1980 a 2002
1.2.1. Tendência secular
São as variações na incidência/prevalência ou mortalidade/letalidade de doenças observadas 
por um longo período de tempo, geralmente dez anos ou mais.
Na análise da tendência secular para medir a doença, devem ser usados coe\ufb01cientes e não nú-
meros absolutos, pois a população pode sofrer aumento em seu tamanho e, com isso, possivelmente, 
aumentar o número de casos.
Estudos de tendência secular podem ser feitos com doenças transmissíveis e não transmissíveis. 
Os coe\ufb01cientes de incidência de doenças como tuberculose, difteria, cardiovasculares ou acidentes do 
trânsito mostram que suas tendências vêm mudando, ao longo das últimas décadas.
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Fonte: MS/SVS/, SES e Sinan estadual nos anos 2000 e 2002.
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Medidas em Saúde Coletiva e Método EpidemiológicoCBVE
QUESTÃO 16: Observe e analise a tabela e o grá\ufb01co a seguir e comente a tendência secular da difteria.
Tabela 2 - Número de casos e óbitos, taxas de incidência, mortalidade e letalidade por difteria. Brasil, 
1980 a 2003
Ano População
Nº Taxa
Casos Óbitos
Incidência por 100.000 
habitantes
Mortalidade por 
100.000 habitantes
Letalidade
(%)
1980 119.002.706 4646 518 3,90 0,44 11,15
1981 121.154.159 3848 476 3,18 0,39 12,37
1982 123.774.229 3297 448 2,66 0,36 13,59
1983 126.403.352 3345 413 2,65 0,33 12,35
1984 129.025.577 2914 358 2,26 0,28 12,29
1985 131.639.272 2023 251 1,54 0,19 12,41
1986 134.228.492 1580 165 1,18 0,12 10,44
1987 136.780.739 1284 143 0,94 0,10 11,14
1988 139.280.140 987 93 0,71 0,07 9,42
1989 141.714.953 801 67 0,57 0,05 8,36
1990 144.090.756 640 64 0,44 0,04 10,00
1991 146.825.475 495 18 0,34 0,01 3,64
1992 148.684.120 276 19 0,19 0,01 6,88
1993 151.556.521 252 23 0,17 0,02 9,13
1994 153.726.463 245 20 0,16 0,01 8,16
1995 155.822.296 171 18 0,11 0,01 10,53
1996 157.070.163 181 19 0,12 0,01 10,50
1997 159.636.413 134 13 0,08 0,01 9,70
1998 161.790.311 81 13 0,05 0,01 16,05
1999 163.947.554 56 6 0,03 0,00 10,71
2000 166.112.518 58 5 0,03 0,00 8,62
2001 168.288.748 32 4 0,02 0,00 12,50
2002 168.288.748 49 10 0,03 0,01 20,41
2003 176.876.251 49 5 0,03 0,00 10,20
Fonte: MS/SE/Datasus/SIM, referentes aos anos 1980 a 1999; e MS/SVS/Devep/CGDT/Cover/Sinan, referentes aos anos 2000 a 2003
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Módulo III CBVE
Figura 4 - Taxa de incidência, mortalidade e letalidade por difteria. Brasil, 1980 a 2003
Comente a tendência secular da difteria:
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Taxa de letalidade
Fonte: MS/Secretaria Executiva/Datasus/SIM; MS/SVS/DEVEP/CGDT/COVER/Banco Sinan
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Medidas em Saúde Coletiva e Método EpidemiológicoCBVE
A difteria no Brasil
O técnico responsável pela área de Difteria, da Coordenação de Vigilância das Doenças de 
Transmissão Respiratória e Imunopreveníveis (Cover/CGDT/Devep/SVS/MS), analisa:
\u201cNo Brasil, o número de casos noti\ufb01cados de difteria apresentou diminuição importante, nos 
últimos 20 anos, passando de 4646 casos em 1980 para 175 em 2003; ou seja, houve uma queda de 
mais de 20 vezes, o que corresponde a uma queda do coe\ufb01ciente de incidência/100.000 habitantes 
de 3,90, em 1980, para 0,03 em 2003. 
O coe\ufb01ciente de mortalidade (por 100.000 habitantes) apresentou declínio importante, a par-
tir de 1980, com alguns períodos marcantes de queda: 1980 (0,44)-1984 (0,28), 1984-1986 (0,12), 
1986-1990 (0,04), 1990-1991 (0,01). Ademais, se o coe\ufb01ciente de incidência também declinou em 
igual período, a curva não foi tão brusca, provavelmente em função da melhoria da assistência aos 
casos. Em relação à letalidade, observa-se o aumento dessa taxa a partir de 1995, contrapondo-se à 
tendência decrescente do coe\ufb01ciente de incidência, o que demanda um aprofundamento da análise 
epidemiológica, inclusive para identi\ufb01car subnoti\ufb01cação de casos, um dos fatores que estaria rela-
cionado a essa situação. No período 1980-1987, a taxa média de letalidade foi de 12,0%, caindo para 
7,9% no período de 1988 a 1994; e subindo para 12,1%, de 1995 a 2003.\u201d
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Módulo III CBVE
1.2.2. Variação cíclica
Variações cíclicas são variações com ciclos periódicos e regulares. O comportamento cíclico das 
doenças resulta de recorrências nas suas incidências, que podem ser anuais ou de periodicidade mensal 
ou semanal. Na variação cíclica, portanto, um dado padrão é repetido de intervalo em intervalo.
Tabela 3 - Número de casos e óbitos de sarampo, taxas de incidência e mortalidade no Estado do 
Paraná. Brasil, 1965 a 2004
Anos População
Casos Óbitos
Letalidade(%)
Nº
Taxa de incidência por 
100.000 habitantes
Nº
Taxa de mortalidade 
por 100.000 habitantes
1965 5.438.583 2.259 41,5 270 5,0 12,0
1966 5.708.646 4.255 74,5 0 0,0 0,0
1967 5.992.121 3.556 59,3 0 0,0 0,0
1968 6.289.671 5.462 86,8 283 4,5 5,2
1969 6.601.998 3.415 51,7 0 0,0 0,0
1970 6.918.208 5.030 72,7 228 3,3 4,5
1971 6.988.241 4.432 63,4 253 3,6 5,7
1972 7.058.274 2.962 42,0 158 2,2 5,3
1973 7.128.307 5.515 77,4 360 5,1 6,5
1974 7.198.340 3.421 47,5 187 2,6 5,5
1975 7.268.373 2.499 34,4 244 3,4 9,8
1976 7.338.405 7.222 98,4 456 6,2 6,3
1977 7.408.439 6.729 90,8 404 5,5 6,0
1978 7.478.471 3.988 53,3 195 2,6 4,9
1979 7.548.503 9.694 128,4 332 4,4 3,4
1980 7.629.392 21.276 278,9 345 4,5 1,6
1981 7.649.617 7.106 92,9 161 2,1 2,3
1982 7.680.856 5.168 67,3 68 0,9 1,3
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