Curso vigilancia epidemiologica
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Curso vigilancia epidemiologica


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caracterizar o fenômeno em estudo. Essas técnicas incluem 
métodos estatísticos que procuram descrever a variação espacial do fenômeno em estudo, a partir 
de amostras disponíveis.
Atualmente, o geoprocessamento diz respeito a um conjunto de técnicas de processamento 
digital de dados geográ\ufb01cos ou espaciais, ou seja, dados que possuem uma localização espacial. Das 
diferentes técnicas de geoprocessamento, destaca-se: sensoriamento remoto, cartogra\ufb01a automatizada; 
Sistema de Posicionamento Global (GPS); e Sistemas de Informação Geográ\ufb01ca.
Alguns Municípios vêm-se dedicando à detecção de padrões na distribuição dos agravos de 
forma a discutir medidas preventivas, sejam elas de caráter assistencial, ambiental ou educativo.
A desigualdade no acesso aos serviços de saúde também pode ser observada, mediante a visua-
lização das trajetórias percorridas pelos pacientes. No caso da mortalidade pós-neonatal (de 28 dias 
a um ano de idade), mapear as longas trajetórias percorridas entre o local de residência da criança 
e o local onde veio a falecer indica a necessidade de melhorar a oferta de assistência nos locais mais 
distantes.
Quanto ao lugar de ocorrência, também são referenciais as características, fatores ou condicio-
nantes ambientais, naturais ou sociais, em que a doença aconteceu. O local onde as pessoas vivem 
ou trabalham pode determinar, em parte, o tipo de doença ou problema de saúde passível de ocor-
rência.
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Módulo III CBVE
Em relação ao local de transmissão, os casos podem ser classi\ufb01cados como:
Caso autóctone
É o caso con\ufb01rmado que foi detectado no mesmo local onde ocorreu a transmissão.
Casos alóctone
É o caso con\ufb01rmado que foi detectado em um local diferente daquele onde ocorreu a trans-
missão.
2. Formas de ocorrências das doenças
2.1. Caso esporádico
Quando, em uma comunidade, veri\ufb01ca-se o aparecimento de casos raros e isolados de uma certa 
doença, a qual não estava prevista, esses casos são chamados de casos esporádicos. Exemplo: peste.
2.2. Conglomerado temporal de casos
Um grupo de casos para os quais se suspeita de um fator comum e que ocorre dentro dos limites 
de intervalos de tempo, signi\ufb01cativamente, iguais, medidos a partir do evento que, supostamente, foi 
a sua origem. Exemplo: leptospirose.
2.3. Endemia
Quando a ocorrência de determinada doença apresenta variações na sua incidência de caráter 
regular, constante, sistemático. Assim, endemia é a ocorrência de uma determinada doença que, du-
rante um longo período de tempo, acomete, sistematicamente, populações em espaços delimitados 
e caracterizados, mantendo incidência constante ou permitindo variações cíclicas ou sazonais ou 
atípicas, conforme descrito anteriormente. Exemplo: tuberculose e malária.
2.4. Epidemia
As epidemias caracterizam-se pelo aumento do número de casos acima do que se espera, com-
parado à incidência de períodos anteriores. O mais importante, contudo, é o caráter desse aumento 
\u2013 descontrolado, brusco, signi\ufb01cante, temporário. Se, em uma dada região, inexiste determinada 
doença e surgem dois ou poucos casos, pode-se falar em epidemia, dado o seu caráter de surpresa 
\u2013 por exemplo, o aparecimento de dois casos de sarampo em uma região que, há muitos anos, não 
apresentava um único caso. Exemplo: epidemia de dengue.
Tal qual as situações endêmicas, as ocorrências epidêmicas são limitadas a um espaço de\ufb01nido, 
desde os limites de um surto epidêmico até a abrangência de uma pandemia.
2.5. Surto epidêmico
Costuma-se designar surto quando dois ou mais casos de uma determinada doença ocorrem 
em locais circunscritos, como instituições, escolas, domicílios, edifícios, cozinhas coletivas, bairros ou 
comunidades, aliados à hipótese de que tiveram, como relação entre eles, a mesma fonte de infecção 
ou de contaminação ou o mesmo fator de risco, o mesmo quadro clínico e ocorrência simultânea.
2.6. Pandemia
Dá-se o nome de pandemia à ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição 
espacial que atinge várias nações. São exemplos clássicos de pandemias: a epidemia de in\ufb02uenza de 
1918; e a epidemia de cólera, iniciada em 1961, que alcançou o continente americano em 1991, no 
Peru.
As epidemias ou surtos, geralmente, são ocasionados por dois fatores:
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Medidas em Saúde Coletiva e Método EpidemiológicoCBVE
a) Aumento do número de suscetíveis: quando o número de suscetíveis em um local é 
su\ufb01cientemente grande, a introdução de um caso (alóctone) de uma doença transmissível 
gera diversos outros, con\ufb01gurando um grande aumento na incidência. O aumento do 
número de suscetíveis pode apresentar diversas causas, como:
- Nascimentos
- Migrações
- Baixas coberturas vacinais
b) Alterações no meio ambiente que favorecem a transmissão de doenças infecciosas e não 
infecciosas:
- Contaminação da água potável por dejetos favorece a transmissão de febre tifóide, hepatite 
A, hepatite E, cólera, entre outras.
- Aglomeração de pessoas em abrigos provisórios, em situações de calamidade, facilita a 
eclosão de surtos de gripes, sarampo e outras doenças respiratórias agudas.
- Aumento no número de vetores infectados, responsáveis pela transmissão de algumas 
doenças em razão de condições ambientais favoráveis e inexistência ou ine\ufb01cácia das 
medidas de controle, facilita o crescimento do número de agravos, como no caso de 
malária, dengue.
- Contaminação de alimentos, por microorganismos patogênicos, ocasiona surtos de 
intoxicação, toxiinfecção e infecção alimentar, freqüentes em locais de refeições coletivas.
- Extravasamento de produtos químicos poluindo o ar, solo e mananciais leva a intoxicações 
agudas na comunidade local.
- Emissão descontrolada de gás carbônico por veículos motorizados leva a problemas 
respiratórios agudos na população.
Uma epidemia ou surto pode surgir a partir das seguintes situações:
- Quando inexiste uma doença em determinado lugar e aí se introduz uma fonte de infecção 
ou contaminação (por exemplo, um caso de cólera ou um alimento contaminado), dando 
início ao aparecimento de casos ou epidemia.
- Quando ocorrem casos esporádicos de uma determinada doença e começa a haver aumento 
na incidência além do esperado.
- A partir de uma doença que ocorre endemicamente e alguns fatores desequilibram a sua 
estabilidade, iniciando uma epidemia.
3. Quanto ao tipo de epidemias ou surtos
As epidemias podem ser: de fonte comum ou propagada, lentas ou explosivas.
3.1. Epidemia de fonte comum
Quando não há um mecanismo de transmissão de hospedeiro para hospedeiro. Na epidemia por 
fonte ou veículo comum, o fator extrínseco (agente infeccioso, fatores físico-químicos ou produtos 
do metabolismo biológico) pode ser veiculado pela água, por alimentos, pelo ar ou introduzido por 
inoculação. Todos os suscetíveis devem ter acesso direto a uma única fonte de contaminação, po-
dendo ser por curto espaço de tempo (fonte pontual) ou por um espaço de tempo mais longo (fonte 
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persistente). Trata-se, geralmente, de uma epidemia explosiva e bastante localizada, em relação ao 
tempo e lugar. Exemplo: intoxicação alimentar.
São variantes da epidemia de fonte comum:
3.2. Epidemia de fonte pontual
Na epidemia gerada por uma fonte pontual (no tempo), a exposição se dá durante um curto 
intervalo de tempo e cessa, não se tornando a repetir. Exemplo: exposição à alimento contaminado 
em evento.
3.3. Epidemia de fonte persistente
Na epidemia gerada por uma fonte persistente (no tempo), a fonte tem existência dilatada e a 
exposição da população prolonga-se por um largo lapso de tempo. Exemplo: exposição à Salmonella 
Typhi através de uma mina de água.
3.4.