Curso vigilancia epidemiologica
210 pág.

Curso vigilancia epidemiologica


DisciplinaVigilância em Saúde173 materiais961 seguidores
Pré-visualização50 páginas
vacina utilizada era a DTP. Em 2002, foram utilizadas a DTP e a tetravalente; e em 2003, somente a tetravalente.
3) Implantação iniciada em 1999 \u2013 dados de 1999 a 2001, referentes à vacina Hib. Em 2002, foram utilizadas a vacina Hib e a vacina tetravalente. Em 2003, foi utilizada apenas a 
vacina tetravalente.
4) Utilização a partir de 1999.
Figura 18 - Cobertura vacinal (%) em menores de um ano de idade por tipo de produto imunobiológico 
no Município de Portais, Estado de Paraíso. Brasil, 1998 a 2003
O incremento da cobertura vacinal em menores de um ano, nos últimos anos, demonstra um 
melhor desempenho do programa de imunização no Município de Portais, possivelmente atribuído 
à descentralização da aplicação dos imunobiológicos a todas as unidades básicas de saúde e à im-
plantação da vacinação dos recém-nascidos na própria maternidade.
Após a discussão das informações apresentadas, a coordenadora de Vigilância em Saúde de 
Portais relata a sua preocupação diante da ocorrência de vários casos de hepatite A no Município e 
sugere que essa situação seja discutida em outra reunião, a ser realizada no dia seguinte.
4. Análise da ocorrência de um surto de hepatite A em Portais
A coordenadora da Vigilância em Saúde do Município de Portais relatou que, no dia 05 de 
janeiro de 2004, recebeu a noti\ufb01cação da ocorrência de vários casos de hepatite A na creche Nossa 
Senhora, localizada no Bairro do Baixo Jaciporé.
QUESTÃO 32: Como você orientaria a investigação dessa situação?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
\u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf 39 
Módulo IV CBVE
Os seguintes passos devem ser seguidos em uma investigação de surto:
- Con\ufb01rmação da ocorrência dos casos.
- Caracterização da doença mediante levantamento dos principais sinais e sintomas, além dos 
possíveis exames laboratoriais já realizados.
- De\ufb01nição de caso suspeito e caso con\ufb01rmado.
- Busca de novos casos.
- Descrição dos casos segundo tempo, lugar e pessoa.
- Procura de evidências de relação epidemiológica entre os casos.
- Determinação das possíveis fontes de infecção e do modo de transmissão.
- Determinação dos fatores de risco para o adoecimento.
- Proposição de medidas de prevenção e controle.
A equipe do PSF, juntamente com o técnico da vigilância sanitária, iniciou a investigação na 
Creche Nossa Senhora e realizou visitas domiciliares a todos os casos noti\ufb01cados. Eis o resumo das 
informações obtidas:
a) A creche é freqüentada por 83 crianças de zero a seis anos de idade, na sua maioria residentes 
do Bairro do Baixo Jaciporé e do Centro Velho. A creche permaneceu fechada no período 
de 24 de dezembro de 2003 a 4 de janeiro de 2004, em razão das festas natalinas e de ano 
novo. A festa de Natal aconteceu no sábado, dia 20, porque muitas famílias viajaram para 
outros Municípios próximos durante as festas de \ufb01nal do ano. Nos dias 22 e 23, como sempre 
ocorre neste período do ano, muitas crianças não compareceram à creche.
b) No \ufb01nal do mês de novembro de 2003, LTS, de cinco anos de idade, apresentou mal-estar, 
cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, náuseas, vômitos e dor abdominal. No Pronto-
Socorro Municipal, a criança recebeu tratamento de apoio. No dia 3 de dezembro, como 
LTS apresentou coloração amarelada nos olhos, foi levada, novamente, ao pronto-socorro, 
onde foi solicitada dosagem das aminotransferases. Con\ufb01rmada a hipótese de hepatite, a 
mãe de LTS foi orientada sobre a necessidade de manter a criança sob dieta e em repouso. 
A direção da creche, entretanto, não foi comunicada do diagnóstico, apenas informada de 
que LTS iria para a casa da avó, motivo pelo qual só voltaria à creche no mês de janeiro do 
ano seguinte. O caso não foi noti\ufb01cado à Vigilância em Saúde do Município.
c) Durante a investigação, foi veri\ufb01cada, entre 21 e 28 de dezembro de 2003, a ocorrência de 
mais 11 casos em crianças que freqüentam a Creche Nossa Senhora. Todos esses casos foram 
atendidos no Pronto-Socorro Municipal de Portais, por médicos plantonistas.
40 \u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf
Análise de Situação de SaúdeCBVE
Caso Nome
Idade
(anos)
Data do início dos sintomas Bairro de residência
1 CFF 6 22/12/2003 Baixo Jaciporé
2 MMS 5 22/12/2003 Baixo Jaciporé
3 ACN 6 23/12/2003 Centro Velho
4 LRB 6 23/12/2003 Baixo Jaciporé
5 MCM 4 23/12/2003 Baixo Jaciporé
6 MCP 5 25/12/2003 Centro Velho
7 PCF 3 28/12/2003 Baixo Jaciporé
8 KAJ 4 28/12/2003 Centro Velho
9 JSS 5 28/12/2003 Baixo Jaciporé
10 SAG 6 29/12/2003 Centro Velho
11 JLD 3 01/01/2004 Baixo Jaciporé
Figura 19 - Casos suspeitos de hepatite A noti\ufb01cados segundo idade, data do início dos sintomas e 
bairro de residência no Município de Portais, Estado de Paraíso. Brasil, dezembro de 2003
QUESTÃO 33: Qual a importância das de\ufb01nições de caso suspeito e de caso con\ufb01rmado?
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
Sintomas/sinais No %
Febre baixa 8 72,7
Colúria 3 27,3
Icterícia 4 36,4
Acolia 1 9,1
Náuseas 8 72,7
Vômitos 8 72,7
Mal-estar 11 100
Dor abdominal 5 45,5
Figura 20 - Quantitativo e percentual de sintomas e sinais apresentados pelos casos suspeitos de 
hepatite A da Creche Nossa Senhora, Município de Portais, Estado de Paraíso. Brasil, dezembro de 
2003
\u25cf \u25cf \u25cf CBVE - Curso Básico de Vigilância Epidemiológica \u25cf \u25cf \u25cf 41 
Módulo IV CBVE
Foram utilizadas as de\ufb01nições de caso suspeito e de caso con\ufb01rmado preconizadas no \u201cGuia de 
Vigilância Epidemiológica do Estado de Paraíso\u201d, que segue as normas do Ministério da Saúde.
Suspeito sintomático
Indivíduo com uma ou mais manifestações clínicas agudas: febre; icterícia; mal-estar geral; 
fadiga intensa; anorexia; náuseas; vômitos; dor abdominal (predominantemente no hipocôndrio 
direito); fezes de cor esbranquiçada (acolia fecal); urina de cor marrom escura (colúria). E indiví-
duo que, laboratorialmente, apresente atividades das aminotransferases (transaminases): aspartato 
aminotransferase (AST/TGO); e alanino aminotransferase (ALT/TGP) maior ou igual a três vezes o 
valor normal do método utilizado.
Suspeito assintomático
Indivíduo assintomático e sem história clínica sugestiva de hepatite viral, que apresente ativi-
dades de aminotransferases elevadas, em qualquer valor.
Agudo con\ufb01rmado
Paciente que, na investigação sorológica, apresente o marcador sorológico para hepatite A, de 
fase aguda, isto é, anti-HAV IgM positivo; ou pessoa sintomática que tenha vínculo epidemiológico 
com caso de hepatite A con\ufb01rmado por exame sorológico. Considera-se vínculo clínico-epidemio-
lógico o contato com pessoa infectada 15 a 50 dias antes do início dos sintomas; ou caso suspeito 
sintomático, na vigência de uma epidemia.
A médica que atendeu MCP e PCF no dia 28/12/2003 (domingo), deixou anotação nas \ufb01chas de 
atendimento de que esses casos deveriam ser noti\ufb01cados à vigilância epidemiológica do Município;