Curso vigilancia epidemiologica
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Curso vigilancia epidemiologica


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de saúde na investigação epidemiológica.
Objetivos especí\ufb01cos
I. Realizar a descrição epidemiológica necessária à investigação do evento.
II. Utilizar os dados e interpretar as informações para avaliação de um surto.
III. Levantar e justi\ufb01car hipóteses.
IV. Identi\ufb01car, aplicar e avaliar as medidas de controle.
V. Elaborar relatório de encerramento da investigação.
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Investigação de SurtoCBVE
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde de Paraíso
Figura 1 - Mapa da Regional de Saúde de Quimeras, Estado de Paraíso. Brasil, 2004
Rio das Pedras
Perene
Rio das Pedras
Pedrinhas do 
Porto
Quebravento
Recanto da 
Senhora
Morro do Sol
Rodovia 919
Quimeras
Sereno da Serra
Portal dos Ipês
Alto do Rio
Lua
Arco das Rochas
Benvinda
Rio Jaciporé
Rodovia PS 115
Arco de Pedra
Portais
Arcos de Pedra
A Regional de Saúde de Quimeras, que tem como sede o próprio Município de Quimeras, possui 
15 Municípios e população total de 423.812 habitantes. O Município de Arcos de Pedra, pertencente 
a essa Regional de Saúde, está localizado a 53 km da sua sede, possui uma área territorial de 417,65 
Km2 e população de 21.012 habitantes. Sua economia é baseada na agricultura, com predomínio das 
culturas de arroz, feijão, mandioca, milho e frutas (como abacaxi e manga), e no extrativismo vegetal 
(carvoaria), o que causa queimadas e desorganiza o meio ambiente local. O Município é cortado por 
dois rios: o rio das Pedras, mais ao norte; e o rio Jaciporé, ao sul.
O Município conta, entre seus equipamentos de saúde, com um hospital \ufb01lantrópico e um centro 
de saúde na região central da cidade; e três unidades de Saúde da Família, nos bairros de Cachoeirinha 
e Fortaleza, na área rural e no Jardim Brasil, na região urbana.
O Município também possui uma equipe de vigilância em saúde, composta de uma enfermeira, 
uma auxiliar de enfermagem e um auxiliar administrativo.
No dia 24 de fevereiro de 2004, foram noti\ufb01cados três casos à Vigilância em Saúde 
do Município, atendidos no hospital do Município, entre os dias 15 e 19 de fevereiro, 
com histórias semelhantes de febre, icterícia e hemorragia, os quais, após a internação, 
evoluíram para óbito rapidamente. A equipe de vigilância em saúde, de posse dessas 
informações, organizou-se para investigar o caso com as condições de que dispunha.
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Módulo V CBVE
QUESTÃO 1: Como a equipe de vigilância municipal deve-se organizar para iniciar a investigação desses óbitos?
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A equipe local iniciou sua investigação logo após tomarem conhecimento dos casos, 
realizando visita ao local de internação do paciente para coletar mais dados. Por 
tratar-se de um agravo inusitado, os casos foram noti\ufb01cados à Regional que também 
recebeu solicitação para colaborar com a investigação.
Os primeiros casos de uma epidemia, em uma determinada área, sempre devem ser submetidos 
a investigação em profundidade. A magnitude, extensão e natureza do evento, forma de transmissão e 
tipos de medidas de controle indicadas (individuais, coletivas ou ambientais) são alguns elementos que 
orientam a equipe sobre a necessidade de se investigar todos ou apenas uma amostra dos casos.
O principal objetivo da investigação de uma epidemia ou surto de determinada doença infecciosa 
é identi\ufb01car formas de interromper a transmissão e prevenir a ocorrência de novos casos.
As epidemias devem ser encaradas como experimentos naturais, cuja investigação permite a 
identi\ufb01cação de novas questões a serem objeto de pesquisa. Seus resultados, ademais, poderão con-
tribuir para o aprimoramento das ações de controle.
Em uma situação epidêmica, quando o volume de casos é muito grande, torna-se necessária, 
quase sempre, a formação de equipes maiores; a depender da complexidade da ocorrência, pode-se, 
também requerer a presença de outros pro\ufb01ssionais, de diversas áreas de conhecimento.
Planejamento do trabalho de campo
Antes de iniciar o trabalho de investigação, os pro\ufb01ssionais da vigilância epidemiológica deverão 
buscar o conhecimento disponível sobre a doença suspeita de estar causando a epidemia (quadro 
clínico, vias de transmissão, diagnóstico diferencial, exames laboratoriais, tratamento, medidas de 
controle) e, ainda:
- preparar o material e equipamentos necessários à investigação;
- prever a necessidade de viagens, insumos e outros recursos que dependam de aprovação de 
terceiros, para as devidas providências;
- estabelecer o papel e as tarefas de cada um dos pro\ufb01ssionais envolvidos, em conjunto com os 
seus superiores, no processo de investigação (executor, assessor da equipe local, coordenador 
da investigação, etc.); e
- formar equipes multipro\ufb01ssionais, se necessário; nestes casos, o problema e as atividades 
especí\ufb01cas a serem desenvolvidas deverão ser discutidos previamente, pelo conjunto desses 
pro\ufb01ssionais, bem como as suas respectivas atribuições;
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Investigação de SurtoCBVE
A equipe deve partir para o trabalho de campo com as referências de atendimento e encaminha-
mento de pacientes para tratamento de\ufb01nidas (unidades básicas e de maior complexidade, quando 
indicado), munidas de material para coleta de amostras biológicas, roteiro de procedimentos de 
coletas, orientações para o transporte de amostras, conhecimento dos laboratórios de referências, 
entre outros.
Epidemia
Elevação do número de casos de uma doença ou agravo em um determinado lugar e período 
de tempo, que caracterize, de forma clara, um excesso em relação à freqüência esperada.
Surto epidêmico
Tipo de epidemia em que os casos se restringem a uma área geográ\ufb01ca pequena e bem delimitada 
ou a uma população institucionalizada (creches, quartéis, escolas, etc).
A investigação epidemiológica envolve várias etapas.
ETAPA 1 - Con\ufb01rmação da ocorrência de casos e caracterização da doença
Quando da ocorrência de uma epidemia, torna-se necessário veri\ufb01car se a suspeita inicial en-
quadra-se na de\ufb01nição de caso suspeito ou con\ufb01rmado da doença em questão, à luz dos critérios 
de\ufb01nidos pelo sistema de vigilância epidemiológica. Para tanto, deve-se proceder a coleta dos dados 
que servirão para fundamentar os passos da investigação.
As informações são obtidas mediante entrevista com o paciente, familiares, médicos e outros 
informantes, quando são coletados dados de: identi\ufb01cação do paciente, anamnese e exame físico, 
suspeita diagnóstica, meio ambiente e exames laboratoriais.
Cabe ao investigador, considerando os dados já coletados, estabelecer que outras informações 
são importantes para o esclarecimento do evento. É relevante, portanto, identi\ufb01car:
- a fonte de contágio;
- o período de incubação do agente;
- faixa etária, gênero, raça e grupos sociais mais acometidos;
- a presença, ou não, de outros casos na localidade (abrangência da transmissão);
- a possibilidade da existência de vetores ligados à transmissão da doença;
- os fatores de risco associados; e
- viagens e deslocamentos realizados e locais freqüentados pelo paciente.
As equipes de outras áreas devem ser acionadas para troca de informações e complementação 
de dados a