48403 OABDPE2 11122013
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DisciplinaDireito Penal I63.616 materiais1.033.132 seguidores
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não comete crime 
contra a honra, pois não houve o firme propósito de ofender.
A consumação dos crimes contra a honra se dá da seguinte forma:
I \u2013 calúnia: quando um terceiro toma conhecimento;
II \u2013 difamação: quando um terceiro toma conhecimento;
III \u2013 injúria: quando a própria vítima toma conhecimento da qualidade 
negativa atribuída a ela.
A tentativa de crimes contra a honra é possível se for na forma escrita. Na 
forma verbal, não é possível segundo a doutrina dominante.
A injúria se consuma quando a própria vítima toma conhecimento.
Há o posicionamento de que não há tentativa, pois a vítima tomou conheci-
mento. Também pode ser o caso de a vítima não tomar conhecimento, quando 
se configura a tentativa de injúria.
Exercício
31. (Magistratura \u2013 TRT 9ª Região \u2013 2007) A calúnia é crime formal que 
se configura independentemente de qualquer resultado lesivo para a 
vítima.
32. A consumação do crime de calúnia ocorre quando a vítima por qual-
quer toma conhecimento da falsa imputação do crime que lhe foi feito. 
33. O crime de difamação consuma-se no instante em que a própria vítima 
venha tomar conhecimento da ofensa rogada, não importando se ela se 
sentiu ofendida ou não. 
6. Exceção da Verdade e Intimidade da 
Vítima
6.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a exceção da verdade.
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6.2 Síntese
Exceção da verdade é a prova de que o ofensor disse a verdade. Se o ofensor 
provar que o fato criminoso é verdadeiro, ele não cometerá o crime de calúnia, 
uma vez que calúnia é fato falso ou de autoria falsa.
De acordo com o art. 138, § 3º: 
\u201cAdmite-se a prova da verdade, salvo:
I \u2013 se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não 
foi condenado por sentença irrecorrível;
II \u2013 se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do 
art. 141;
III \u2013 se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absol-
vido por sentença irrecorrível.\u201d
Não cabe a exceção da verdade, porém, nada impede que a pessoa prove o 
fato criminal.
Na calúnia, em regra, admite-se a exceção da verdade, exceto nos casos do 
§ 3º do art. 138.
Na difamação, a exceção da verdade só se admite em determinados casos 
que serão vistos mais à frente.
Na injúria, não se admite exceção da verdade.
Exercício
34. Segundo o Código Penal, a chamada exceção da verdade é admitida 
apenas nas hipóteses de calúnia. 
7. Exceção da Verdade e Exceção de 
Notoriedade I
7.1 Apresentação
Continuaremos analisando a exceção da verdade.
A exceção da verdade na difamação está prevista no art. 139 do Código 
Penal. Vejamos:
\u201cA exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário 
público e a ofensa é relativa ao exercício de sua função.\u201d
No crime de difamação, o fato imputado pode ser verdadeiro ou falso.
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O Estado tem interesse de apurar o fato praticado pelo funcionário público.
Hipótese: com a prova da verdade, há absolvição.
A segunda hipótese seria do exercício regular do direito.
A terceira hipótese seria de atipicidade material.
Na injúria, não há exceção da verdade.
Não há como provar qualidades negativas, poderia ofender mais ainda a 
vítima.
O posicionamento minoritário da doutrina quanto ao crime de calúnia, é 
de que não se admite a exceção da verdade, seria inconstitucional, pois estaria 
vedando o direito de defesa.
A calúnia sobre o presidente da República, mesmo se o fato for verdadei-
ro, cabe exceção de notoriedade: informação generalizada, divulgada a toda 
população.
Na injúria, não há exceção da notoriedade, uma vez que não se imputa 
fatos.
A exceção de notoriedade está ligada ao fato imputado
Exercício
35. É admitida a exceção da verdade no crime de difamação quando o 
ofendido ao presidente da república e a ofensa for relacionada em 
razão de sua função.
8. Exceção da Verdade e Exceção de 
Notoriedade II
8.1 Apresentação
Nesta unidade, abordaremos o perdão judicial na injúria.
8.2 Síntese
De acordo com o art. 140 (importante ênfase ao § 1º):
\u201cInjuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I \u2013 quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II \u2013 no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
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§ 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza 
ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena \u2013 detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena 
correspondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, 
cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de 
deficiência. 
Pena \u2013 reclusão de um a três anos e multa.\u201d
O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
I \u2013 quando o ofendido de forma reprovável provocou diretamente a injúria; 
II \u2013 no caso de retorção imediata que consiste em outra injúria quando 
houver provocação.
Em casos de brincadeira de mau gosto, provocação, o juiz pode deixar de 
aplicar a pena para injúria.
Se houver provocação por meio de injúria e retorção imediata, o juiz pode 
deixar de aplicar a pena para ambos.
Não será hipótese de retorção imediata se a retorção não consistir em outra 
injúria, e sim a retorção consistir em calúnia ou difamação.
As causas de aumento de pena nos crimes de calúnia, difamação e injúria 
estão no art. 141. Vejamos:
\u201cAs penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qual-
quer dos crimes é cometido:
I \u2013 contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo es-
trangeiro;
II \u2013 contra funcionário público, em razão de suas funções;
III \u2013 na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da 
calúnia, da difamação ou da injúria;
IV \u2013 contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, 
exceto no caso de injúria. 
Parágrafo único. Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de 
recompensa, aplica-se a pena em dobro.\u201d
No caso do inciso I, se houver motivação política, aplica-se o Código de 
Segurança Nacional.
No caso do desacato, a ofensa deve ser direta, em horário de trabalho ou 
não, em razão de sua função.
No caso do inciso III, a própria vítima não é computada como número de 
pessoas que está presenciando a cena.
Em relação ao inciso IV, trata-se de injúria preconceituosa.
Se o crime é cometido mediante pagamento ou promessa de recompensa, 
aplica-se a pena em dobro.
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Exercício
36. (Magistratura TRT \u2013 MG \u2013 2006) No crime de calúnia ou difamação 
contra o presidente da república ou contra chefe de governo estrangei-
ro, tratando-se de crime comum, incide a causa de aumento previsto 
no art. 141 do Código Penal.
37. As penas combinadas aos delitos contra a honra aplicam-se em dobro 
caso o crime tenha sido cometido mediante promessa de recompensa
9. Exclusão \u2013 Hipóteses
9.1 Apresentação
Nesta unidade, abordaremos a exclusão do crime.
9.2 Síntese
O crime é constituído por:
\u2013 fato típico;
\u2013 ilicitude;
\u2013 culpabilidade.
Hipóteses de exclusão da tipicidade:
\u2013 o fato não seria típico pela ausência da vontade de ofender.
Não haveria a tipicidade material, uma vez que a pessoa estaria permitida a 
praticar difamação ou injúria.
Hipóteses de exclusão da ilicitude: 
Hipóteses de isenção de pena:
As hipóteses de exclusão do crime se aplicam à injúria ou difamação. Não 
se aplicam à calúnia. Vejamos o art. 142 do Código Penal: 
\u201cNão constituem injúria ou difamação punível:
I \u2013 a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela