48403 OABDPE2 11122013
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DisciplinaDireito Penal I63.241 materiais1.030.721 seguidores
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Pena \u2013 detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, além da pena correspon-
dente à violência.
§ 2º Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário 
público, fora dos casos legais, ou com inobservância das formalidades estabele-
cidas em lei, ou com abuso do poder.
§ 3º Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em 
suas dependências:
I \u2013 durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar 
prisão ou outra diligência;
II \u2013 a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali 
praticado ou na iminência de o ser.
§ 4º A expressão \u201ccasa\u201d compreende:
I \u2013 qualquer compartimento habitado;
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II \u2013 aposento ocupado de habitação coletiva;
III \u2013 compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão 
ou atividade.
§ 5º Não se compreendem na expressão \u201ccasa\u201d:
I \u2013 hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto 
aberta, salvo a restrição do nº II do parágrafo anterior;
II \u2013 taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.\u201d
O crime de violação de correspondência está previsto no art. 151 do Código 
Penal. Vejamos: 
\u201cDevassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida 
a outrem:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º Na mesma pena incorre:
I \u2013 quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não 
fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói;
II \u2013 quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusiva-
mente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conver-
sação telefônica entre outras pessoas;
III \u2013 quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número 
anterior;
IV \u2013 quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem obser-
vância de disposição legal.
§ 2º As penas aumentam-se de metade, se há dano para outrem.
§ 3º Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, 
telegráfico, radioelétrico ou telefônico:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 4º Somente se procede mediante representação, salvo nos casos do § 1º, 
IV, e do § 3º.\u201d
Se a violação se der durante o transporte pelos correios, a competência será 
da Justiça Federal.
O crime de violação de correspondência comercial está previsto no art. 152 
do Código Penal. Vejamos: 
\u201cAbusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial 
ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir 
correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo:
Pena \u2013 detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.
Parágrafo único. Somente se procede mediante representação.\u201d
O crime de divulgação de segredo está previsto no art. 153 do Código Penal. 
Vejamos: 
\u201cDivulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou 
de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja di-
vulgação possa produzir dano a outrem:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
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§ 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, as-
sim definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de 
dados da Administração Pública:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1º Somente se procede mediante representação. 
§ 2º Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal 
será incondicionada.\u201d
Vejamos também o crime de violação de segredo profissional previsto no 
art. 154 do Código Penal: 
\u201cRevelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão 
de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano 
a outrem:
Pena \u2013 detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
Parágrafo único. Somente se procede mediante representação.\u201d
A Lei nº 9.099/1995 prevê para os crimes estudados neste capítulo, cuja 
pena máxima não ultrapassar 2 anos, a possibilidade de eventuais benefícios 
legais previstos na Lei nº 9.099/1995. Em alguns casos, caberá a suspensão con-
dicional do processo, quando a pena mínima não ultrapassar 1 ano, enquanto 
para outros caberá a transação penal, quando a pena máxima não ultrapassar 
2 anos.
Exercício
42. (Agente de Polícia \u2013 DF/2009) A Constituição Federal de 1988 asse-
gurou como direito fundamental a inviolabilidade do sigilo de comu-
nicação como regra (art. 5º, XII) e, excepcionalmente, a interceptação 
da comunicação telefônica, regulamentada pela Lei nº 9.296, de 1996. 
Nesse contexto, assinale a alternativa correta.
a) O juiz poderá ordenar a interceptação telefônica quando sua desti-
nação for para instruir o processual penal e o civil.
b) A interceptação telefônica somente poderá ser determinada pelo 
juiz ex officio.
c) A interceptação telefônica será autorizada ainda que seja possível 
colher a prova por outros meios disponíveis.
d) A gravação de uma conversa entre dois interlocutores, feita por um 
deles sem conhecimento do outro, é ilícita.
e) O juiz de direito pode, excepcionalmente, admitir que o pedido de 
interceptação telefônica seja feito verbalmente. 
Capítulo 6
Crimes contra o Patrimônio
1. Furto \u2013 Bem Jurídico Tutelado
1.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de furto, sendo entendido o bem ju-
rídico tutelado.
1.2 Síntese
Nos crimes contra o patrimônio, o bem jurídico protegido pela norma é o 
patrimônio.
Na Espanha, o furto em especial possui um tratamento diferente do Brasil. 
Lá, se o sujeito devolve o que furtou, não é crime.
Ressalta-se que, no projeto do Código Penal que já foi concluído e está no 
Congresso Nacional, existe esta hipótese.
Ainda, é preciso entender que somente bens móveis podem ser furtados, ou 
seja, uma casa não pode ser furtada.
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O § 3º do art. 155 do Código Penal dispõe:
\u201c§ 3º Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que 
tenha valor econômico.\u201d
É possível perceber que a lei não traz somente a energia elétrica, mas tam-
bém outros tipos de energia, como energia genética, por exemplo.
A cleptomania é um distúrbio em que a pessoa sente uma compulsão por 
furtar. Acerca deste assunto, já foi decidido que o sujeito pratica furto da mes-
ma forma.
Se aquilo que foi furtado for de valor insignificante, deverá ser utilizado o 
Princípio da Insignificância. Se o valor do bem subtraído não for insignificante, 
mas for de valor pequeno, será furto privilegiado. Se for algo de valor significa-
tivo, será furto tradicional.
2. Consumação do Crime de Furto
2.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de furto, sendo abordadas sua con-
sumação e as teorias acerca do assunto.
2.2 Síntese
É preciso entender quando se consuma o crime de furto, pois se o furto se 
consumar em um momento \u201cx\u201d, tudo o que ocorreu antes foi tentativa.
Há quatro teorias acerca da consumação do furto que devem ser observadas:
A primeira teoria é denominada teoria contrectatio, trazendo que o simples 
contato com o objeto consuma a infração.
Já a teoria da amotio ou apprehensio dispõe que para a consumação a coisa 
passa para o poder do furtador, não bastando encostar nela. É preciso ressaltar 
que esta é a teoria aceita hoje.
A terceira teoria valia até o ano de 1997, denominada teoria da ablatio, em 
que se fala na posse mansa e pacífica da coisa. A Defensoria Pública e a OAB 
brigam para que esta teoria volte a ser a teoria adotada.
Por fim, a quarta teoria é chamada teoria da illatio. Esta teoria diz que, 
além do contato com o objeto e da posse mansa e pacífica, o sujeito consegue 
chegar ao local desejado para que se consume a infração.
Os Tribunais Superiores trabalhavam com a ideia de posse