48403 OABDPE2 11122013
188 pág.

48403 OABDPE2 11122013


DisciplinaDireito Penal I59.595 materiais1.000.419 seguidores
Pré-visualização43 páginas
a arma seja efetivamente 
utilizada, uma vez que empregar a arma significa utilizá-la.
D
ire
ito
 P
en
al
 \u2013
 P
ar
te
 E
sp
ec
ia
l
74
O inciso II trata da prática do crime havendo concurso de duas ou mais 
pessoas. Aqui, não importa a conduta dos demais, se houve uma aderência de 
vontades à conduta daquele que ameaça, todos são considerados criminosos 
praticantes do roubo, ou seja, não é necessário que todos intimidem efetiva-
mente a vítima.
É preciso observar que causas de aumento de pena de natureza objetiva, 
como arma e número de pessoas, se comunicam se houver aderência de von-
tades.
13. Causas de Aumento de Pena no Crime de 
Roubo \u2013 Parte II
13.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de roubo, sendo analisadas as cau-
sas de aumento de pena.
13.2 Síntese
Conforme informado no capítulo anterior, dispõe o § 2º do art. 157 do 
Código Penal:
\u201c§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I \u2013 se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II \u2013 se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III \u2013 se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece 
tal circunstância;
IV \u2013 se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado 
para outro Estado ou para o exterior;
V \u2013 se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.\u201d
A primeira observação a ser feita aqui é que basta que haja a conduta refe-
rente a um dos incisos para que se aumente a pena, uma vez que são incisos 
alternativos.
O inciso III traz o contexto de transporte de valores e o agente conhece tal 
circunstância. O exemplo mais frequente é o serviço de transporte de valores 
bancários, de instituições financeiras. É preciso entender que valores são rique-
zas aferíveis pericialmente, que podem ser transportadas de um local para outro.
Quanto ao inciso IV, a pena será majorada se a subtração for de veículo 
automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior.
D
ire
ito
 P
en
al
 \u2013
 P
ar
te
 E
sp
ec
ia
l
75
Por fim, em 1990, foi inserido o inciso V, na tentativa (malsucedida) de tipi-
ficar o sequestro relâmpago. Nesta causa de aumento do roubo, o agente subtrai 
o bem da vítima, não dependendo da colaboração desta para conseguir uma 
vantagem. Já no sequestro relâmpago, o agente depende totalmente da vítima.
Observa-se que o roubo é um crime complexo, pois é a fusão de outros 
dois crimes (furto + constrangimento ilegal = roubo). Nota-se que há dois bens 
jurídicos diferentes, quais sejam, o patrimônio alheio e a integridade física ou 
moral da pessoa.
14. Roubo Qualificado
14.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de roubo, sendo abordado agora o 
crime de latrocínio.
14.2 Síntese
O § 3º do art. 157 do Código Penal traz uma qualificadora, estabelecendo:
\u201c§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, 
de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a 
trinta anos, sem prejuízo da multa.\u201d
Se a vontade do agente é a subtração, mas este usa a morte para conseguir o 
patrimônio, fala-se em latrocínio. Contudo, se desde o começo o sujeito queria 
matar a vítima, responde por homicídio.
Ressalta-se que o latrocínio é um crime contra o patrimônio e não um 
crime doloso contra a vida.
Se a morte foi consumada e a subtração também, o latrocínio será consu-
mado. Se a morte foi tentada e a subtração foi tentada, o latrocínio será tentado. 
Se a morte foi consumada, mas a subtração foi tentada, diz o STF na Súmula 
nº 610 que se trata de latrocínio consumado. Por fim, se a subtração foi consu-
mada, mas a morte foi somente tentada, trata-se de latrocínio tentado.
Faz-se necessário observar que em se tratando de roubo, não há que se falar 
em Princípio da Insignificância. Isso porque, por mais que a subtração seja 
ínfima, no roubo, há violência ou grave ameaça, o que não é insignificante.
Ainda, não existe a figura do roubo privilegiado, como ocorre com o crime 
de furto.
Por fim, não existe roubo de uso, como acontece com o crime de furto, em 
que há furto de uso. Assim, é possível concluir que roubo de uso é crime.
D
ire
ito
 P
en
al
 \u2013
 P
ar
te
 E
sp
ec
ia
l
76
Exercício
44. Considera-se causa de aumento de pena no crime de roubo, exceto:
a) Emprego de arma.
b) Concurso de agentes.
c) Latrocínio.
d) Transporte de veículo para outro estado.
e) Vítima com liberdade restringida.
15. Extorsão \u2013 Elementares Típicas
15.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de extorsão, sendo abordadas aqui 
as elementares típicas.
15.2 Síntese
Dispõe o art. 158 do Código Penal:
\u201cArt. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e 
com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, 
a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena \u2013 reclusão, de quatro a dez anos, e multa.\u201d
O objetivo do agente também é pecuniário, devendo a vantagem ser patri-
monial e indevida.
É preciso entender que o bem jurídico protegido por este dispositivo é o 
patrimônio, bem como a inviolabilidade pessoal da vítima.
Ainda, observa-se que se a pessoa que pratica extorsão for funcionário públi-
co e praticar o crime no exercício de suas funções ou em razão delas, pratica o 
crime de concussão (art. 316 do CP).
Outro importante detalhe diz respeito a quem pode ser vítima do crime de 
extorsão. A resposta é qualquer pessoa, pois todos podem sofrer as agruras deste 
tipo penal. No entanto, indaga-se se pessoa jurídica pode ser vítima de extorsão, 
sendo a resposta positiva, de acordo com a jurisprudência.
É necessário ressaltar que se a vantagem exigida for de natureza moral, o 
crime será constrangimento ilegal.
Se a violência ou grave ameaça tiver o intuito de obtenção de uma vanta-
gem sexual, trata-se de crime de estupro.
D
ire
ito
 P
en
al
 \u2013
 P
ar
te
 E
sp
ec
ia
l
77
16. Extorsão Qualificada
16.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de extorsão, sendo abordada a extor-
são qualificada.
16.2 Síntese
A Súmula nº 96 do STJ dispõe:
\u201cO crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da van-
tagem indevida.\u201d
Desta forma, é possível observar que, para o STJ, o crime de extorsão é um 
crime formal.
O § 1º do art. 158 traz uma extorsão majorada:
\u201c§ 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de 
arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.\u201d
O § 2º do art. 158 do Código Penal dispõe:
\u201c§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º 
do artigo anterior.\u201d
Já o § 3º do mesmo artigo estabelece:
\u201c§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, 
e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena 
é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão 
corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, 
respectivamente.\u201d
É possível observar que o chamado sequestro relâmpago deve ser tipificado 
como extorsão qualificada.
É preciso diferenciar o roubo da extorsão. No roubo, o agente efetivamente 
subtrai o patrimônio da vítima e, na extorsão, existe dependência em relação 
ao comportamento da vítima.
Ainda, é preciso diferenciar a extorsão qualificada do sequestro relâmpago 
e a extorsão mediante sequestro do art. 159. Aqui é possível utilizar o mesmo 
argumento, ou seja, na extorsão mediante sequestro do art. 159, há privação de 
liberdade da vítima, violência ou grave ameaça, constrangimento e obtenção 
de vantagem indevida. A diferença é a participação pessoal da vítima.
Exercício
45. O popular sequestro relâmpago deve ser tipificado como:
a) Extorsão mediante sequestro.
b) Estelionato patrimonial.
D
ire