48403 OABDPE2 11122013
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DisciplinaDireito Penal I62.920 materiais1.027.629 seguidores
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de indenização.
c) Caso de perdão judicial.
d) Estelionato simples.
22. Estelionato \u2013 Diferença de outros Tipos 
Penais
22.1 Apresentação
Nesta unidade, será estudado o crime de estelionato, sendo abordada a 
diferença entre este crime e outros tipos penais. 
22.2 Síntese
Se um documento é falsificado e utilizado para o sujeito cometer o crime de 
estelionato, prevalece o entendimento de que se o falso se exaure no estelionato, 
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tem-se apenas estelionato. A Súmula nº 17 do STJ dispõe: \u201cQuando o falso se 
exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.\u201d
Quanto ao estelionato e furto mediante fraude, no estelionato, há entrega da 
coisa pela própria vítima e, no furto mediante fraude, o sujeito distrai a atenção 
da vítima e pega a coisa.
Na apropriação indébita o sujeito já está com a coisa e, depois que está na 
posse lícita da coisa, há inversão do animus e este decide que quer ser dono 
desta coisa.
A Súmula nº 73 do STJ estabelece: \u201cA utilização de papel-moeda grosseira-
mente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da 
Justiça Estadual.\u201d
A Súmula nº 107 do STJ estabelece: \u201cCompete à Justiça Comum Estadual 
processar e julgar crime de estelionato praticado mediante falsificação de guias 
de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão 
à autarquia federal.\u201d
Por fim, dispõe o § 3º do art. 171: \u201cA pena aumenta-se de 1/3 (um terço), se o 
crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto 
de economia popular, assistência social ou beneficência.\u201d
Exercício
50. Usar artifício ou ardil para subtrair bem de terceiro deve ser capitulado 
como:
a) Furto mediante fraude.
b) Estelionato simples.
c) Estelionato privilegiado.
d) Estelionato majorado.
23. Receptação
23.1 Apresentação
Nesta unidade, será estudado o crime de receptação.
23.2 Síntese
O art. 180, caput, do Código Penal dispõe:
\u201cArt. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito 
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que 
terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte:
Pena \u2013 reclusão, de um a quatro anos, e multa.\u201d
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A primeira parte do dispositivo trata da receptação própria e a segunda parte 
trata da receptação imprópria.
O bem jurídico tutelado é o patrimônio, o sujeito ativo é qualquer pessoa e 
o sujeito passivo é a vítima do delito anterior.
O crime anterior pode ser um crime patrimonial ou um crime não patri-
monial (exemplo: peculato).
Ainda, é possível perceber que, no crime de receptação própria, o agente 
deve saber que a coisa é produto de crime. Observa-se que se a coisa é produto 
de contravenção, não há que se falar em receptação.
Na receptação imprópria, o agente influi para que um terceiro de boa-fé 
compre produto advindo de crime.
O furto qualificado pelo concurso de pessoas é diferente do crime de recep-
tação. Se o agente combina de que determinada mercadoria será subtraída e 
depois dividida, todos respondem por furto.
Exercícios
51. Analise a assertiva:
 O crime de receptação nas modalidades dolosa ou culposa pressupõe 
por expressa disposição legal, anterior prática de crime contra o patri-
mônio.
52. Analise a assertiva:
 O crime de receptação imprópria implica, necessariamente, que o ter-
ceiro que adquire ou recebe a coisa esteja de boa-fé.
24. Receptação \u2013 Forma Qualificada e Culposa
24.1 Apresentação
Nesta unidade, continuaremos a análise da receptação.
24.2 Síntese
O crime de receptação na forma qualificada e culposa está previsto no art. 
180, § 1º, do Código Penal. Vejamos: \u201cAdquirir, receber, transportar, conduzir, 
ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, 
ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de 
atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime.\u201d
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Na receptação qualificada, a situação do crime deve ter sido praticada no 
exercício da atividade comercial ou industrial. 
Sujeito ativo: quem trabalha nessa área comercial ou industrial.
O legislador tentou evitar o roubo, furto e desmanche de carros.
Sujeito ativo: deve saber que é produto de crime, indicativo de dolo eventual.
No caput, temos que o sujeito sabe ser produto de crime, indicativo de dolo 
direito.
Para o § 1º do art. 180 do Código Penal, seria inconstitucional porque prevê 
um dolo eventual mais grave que o dolo direto. Um crime por dolo eventual 
não poderia ter uma pena maior que o crime por dolo direto. Porém, o STF 
entende que muito embora esteja escrito \u201cdeve saber\u201d, está implícito o \u201csabe\u201d. 
O legislador expressou \u201cdeve saber\u201d para abranger que \u201csabe\u201d, estando im-
plícito o dolo direto.
Em relação à forma qualificada, o STF fala que o que qualifica é praticar 
o crime em atividade comercial ou industrial e não se sabe ou deve saber ser 
fruto de crime (STF, 2ª Turma, Recurso Extraordinário nº 3.388).
A 6ª Turma do STJ entende que a pena é desproporcional no HC nº 
90.235, e entende pela inconstitucionalidade da pena.
O art. 180, no seu § 2º, CP traz a seguinte redação: \u201cEquipara-se à atividade 
comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irre-
gular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.\u201d
Art. 180, § 3º, CP: \u201cAdquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela 
desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve 
presumir-se obtida por meio criminoso.\u201d
A receptação culposa atende pelo detalhe, pela natureza da coisa, pela 
desproporção entre o preço e o valor ou pela condição de quem a oferece.
Uma pessoa procura \u201cA\u201d, oferecendo um quadro raro para vender. Natureza 
da coisa \u2013 \u201cA\u201d deve desconfiar. 
Não é comum vender quadros raros em casa.
Desproporção do preço e valor: o preço da coisa vendida muito inferior ao 
preço de mercado.
Condição de quem a oferece: deve presumir que a pessoa que está vendendo 
teria condições financeiras para vender aquilo.
Uma pessoa com condições financeiras baixas dificilmente venderia uma 
coisa cara.
Exercício
53. (Promotor \u2013 SP \u2013 2010) O ato de ter em depósito no interior produto 
fruto de crime não é considerado receptação. 
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25. Imunidade Penal
25.1 Apresentação
Nesta unidade, abordaremos a imunidade penal.
25.2 Síntese
O art. 181 do Código Penal nos traz as escusas absolutórias com a isenção 
da pena. Vejamos: \u201cÉ isento de pena quem comete qualquer dos crimes previs-
tos neste título, em prejuízo:
I \u2013 do cônjuge, na constância da sociedade conjugal\u201d;
Um cônjuge que furta o outro cônjuge está isento de pena.
É aplicável essa imunidade aos conviventes?
Não, pois o casamento é específico a título de abranger a união estável.
\u201cII \u2013 de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegíti-
mo, seja civil ou natural.\u201d
Imunidade relativa: não temos isenção de pena, temos uma ação penal.
Essa imunidade passa a ser condicionada à representação. Vejamos o art. 
182: somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste 
título é cometido em prejuízo.
Em uma separação, o marido furta a ex-esposa. 
O MP só vai poder ter legitimidade se a ex-esposa for representada:
\u201cI \u2013 do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
II \u2013 de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III \u2013 de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.\u201d
Tios e sobrinhos só se houver coabitação.
Exclusão de imunidade. Vejamos o art. 183: \u201cnão se aplica o disposto nos 
dois artigos anteriores:
I \u2013 se