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DisciplinaDireito Penal I63.616 materiais1.033.132 seguidores
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o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja empre-
go de grave ameaça ou violência à pessoa;
II \u2013 ao estranho que participa do crime.\u201d
Exemplo: O pai com um amigo furtam o filho. 
\u201cIII \u2013 se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 
60 (sessenta) anos.\u201d
1. Estupro \u2013 Introdução \u2013 Elementos
1.1 Apresentação
Nesta unidade, iniciaremos a abordagem do crime de estupro.
1.2 Síntese
Antes da Lei nº 12.015/2009, tínhamos o arts. 213 e 214 do Código Penal 
para o estupro.
Após a lei, temos somente o art. 213, pois o art. 214 foi revogado de uma 
maneira formal.
O art. 214 do Código Penal estabelece: \u201cConstranger alguém, mediante 
violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato 
libidinoso diverso da conjunção carnal.\u201d
Capítulo 7
Dos Crimes contra a 
Dignidade Sexual
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Ocorre que o legislador deixou de considerar o crime desse artigo. 
O que era crime no art. 214, CP, passou a ser crime de estupro.
O art. 213, CP trata de bem jurídico tutelado do estupro.
Ele mostra a dignidade e a liberdade sexual.
Sujeito ativo e passivo: pode ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo: antes o sujeito passivo era somente a mulher, atualmente, 
no estupro, é possível constranger alguém, sendo mulher ou homem.
Para muitos doutrinadores, é um crime bicomum.
Crime de estupro continua sendo um crime próprio.
O estupro pode ser praticado com a conjunção carnal ou com ato libidinoso.
Conjunção carnal é a introdução do pênis na vagina.
Ato libidinoso é a moralidade da pessoa, é a moralidade da sociedade.
Conjunção carnal: nessa modalidade, é necessária uma qualidade especial 
do sujeito ativo.
E continua sendo um crime próprio.
Elementos do tipo:
\u2013 Constranger alguém mediante violência ou grave ameaça.
Para que exista o estupro, a vítima não pode querer o ato.
A violência é física.
Ameaça é a intimidação.
Constranger alguém à prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso.
Ato libidinoso: a vítima é constrangida a praticar ou permitir que com ela 
se pratique o ato libidinoso.
É aquele que atenta contra a moral e tem um critério objetivo.
Exercício
54. É necessário ou não o contato do agente com a vítima?
2. Estupro \u2013 Forma Omissiva \u2013 Tipos
2.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de estupro na sua forma omissiva.
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2.2 Síntese
Estupro: Forma omissiva e tipo misto.
O policial militar é uma pessoa que tem obrigação legal de proteção. Em 
horário de serviço, ele se depara com alguém apontando uma arma para outra.
O policial militar vendo a cena nada faz e o cidadão é vítima de estupro. 
Quem praticou o crime?
Pena \u2013 O indivíduo é penalizado por crime de estupro art. 213, CP.
Situação do policial militar: embora não tenha consumado o estupro, o po-
licial militar também é penalizado por estupro, uma vez que o policial militar 
tinha o dever legal para não ter deixado acontecer aquele crime.
De acordo com o art. 13, § 2º, do Código Penal, a omissão é penalmente 
relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever 
de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.
Natureza jurídica
O policial irá ser partícipe ou autor do crime?
1ª posição: o policial militar é partícipe por omissão, pois ele auxiliou por 
omissão.
2ª posição: o policial militar seria autor de um crime de omissivo impró-
prio, pois ele tinha a obrigação de proteger o cidadão.
O crime de estupro é um crime que contém elementos de condutas.
Tipo misto alternativo é chamado também de ação múltipla alternativa ou 
conteúdo variado alternativo.
Tipo misto cumulativo é denominado ação múltipla cumulativa ou conteú-
do variado cumulativo.
1ª posição: O estupro é um tipo misto alternativo.
Se o agente praticar ato libidinoso e conjunção carnal com a mesma vítima, 
ele pratica o mesmo crime.
2 ª posição: Cada modalidade configura um crime autônomo.
Se o agente pratica conjunção carnal e, na segunda, um ato libidinoso, o 
autor prática dois crimes.
É possível um crime continuado com o mesmo contexto e a mesma vítima?
1ª posição: Sim, o STF, em sua 1ª e 2ª Turmas, acredita que sim, pois são 
crimes da mesma espécie.
2ª posição: Não, o STJ, em sua 5ª Turma, acredita que não há, porque são 
crimes de espécies distintas.
Exercício
55. (Ministério Público \u2013 MG) Durante a realização de um show de rock, 
em um estágio de futebol, Tício e Mévio querem praticar crime de 
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estupro contra uma mulher que está sozinha em um dos corredores 
do estádio. Os dois, em cooperação, realizam processo violento de sub-
missão da vítima, mas são presos quando Tício já tinha mantido con-
junção carnal com a mesma e Mévio ainda não. Na ocasião, também 
é preso um policial civil que estava de serviço no local e, com interesse 
lascivo, desde o início observava a ação dos dois homens, sem intervir.
3. Estupro \u2013 Conflito de Leis
3.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o conflito de leis no crime de estupro.
3.2 Síntese
A pessoa que praticou o crime antes da edição da Lei nº 12.015/2009 incidia 
nos art. 213, CP (estupro) e no art. 214, CP (atentado violento ao pudor), contra 
a mesma vítima no mesmo contexto fático.
Antes da vigência dessa lei, havia a condenação pelos dois crimes, mais a 
pena. Quando há um ato libidinoso e uma condição carnal, é possível, para o 
STF, que se trate de crime continuado, pois seriam crimes da mesma espécie.
Para o STJ, não. Uma vez que este entende que são crimes diversos.
Seria a lei nova mais benéfica?
1ª hipótese:
Sim, pois o crime seria de tipo misto alternativo, o agente teria cometido 
apenas um crime. A lei penal é mais favorável, sendo aplicada mesmo após a 
sentença penal transitada em julgada.
2ª hipótese:
O estupro é um crime do tipo misto cumulativo. O agente teria praticado 
dois crimes. Esse tipo de hipótese tem duas opções.
I \u2013 Sim, é aplicada a regra do art. 71 do CP. Dois ou mais crimes da mesma 
espécie. Aplica-se a pena de um só dos crimes.
II \u2013 Não pode se aplicar o art. 71, pois não são crimes da mesma espécie.
Crimes dolosos contra vítimas diferentes. Juiz poderá aumentar a pena de 
um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo.
Essa lei penal não pode agravar a situação anterior, ou ela é igual ou mais 
benéfica.
O legislador queria agravar a situação, mas acabou beneficiando o agente.
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Ato libidinoso: às vezes, o agente quer praticar uma conjunção carnal, po-
rém antes dessa prática, ele já praticou o ato libidinoso.
O ato libidinoso já está preparado, porém, a doutrina aceita a absorção.
Nunca serão absorvidos o sexo oral e coito anal.
Exercício
56. (Defensor Público \u2013 BA \u2013 2010 \u2013 Cespe \u2013 adaptada) Geraldo, maior, 
capaz, constrangeu Suzana, de dezessete anos de idade mediante vio-
lência e grave ameaça, a manter com ele relações sexuais, em mais de 
uma ocasião e de igual modo. Na terceira investida do agente contra 
a vítima, em idênticas circunstâncias e forma de execução, constrangeu-a 
à prática de múltiplos atos libidinosos, diversos da conjunção carnal. 
Todos os fatos ocorreram no decurso do mês de setembro de 2010.
Nessa situação, admite-se o benefício do crime continuado.
4. Estupro \u2013 Tipo subjetivo \u2013 Consumação
4.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o tipo subjetivo e a consumação do crime 
de estupro.
4.2 Síntese
Nos elementos subjetivos do crime do estupro, não se discute dolo, é uma 
consciência e vontade.
Além do dolo, é necessário o elemento subjetivo especial do