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DisciplinaDireito Penal I63.390 materiais1.031.600 seguidores
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simulado não impede a propositura 
da ação penal.
Cumpre salientar que se trata de um crime na modalidade dolosa, não 
existindo previsão na modalidade culposa.
É um delito comum (pode ser praticado por qualquer pessoa) e de resul-
tado (é preciso efetivamente simular um casamento e enganar alguém). É um 
crime comissivo, pois é preciso que haja uma ação e subsidiário.
Exercício
62. Julgue a assertiva:
 O crime de bigamia deixa de existir se é declarado nulo ou anulado 
o matrimônio anterior ou o posterior por razão diversa da prática da 
conduta penal.
1. Incitação ao Crime
1.1 Apresentação
Nesta unidade, daremos início ao estudo dos crimes contra a paz pública.
1.2 Síntese
Quando o Código Penal traz os crimes contra a paz pública, visa proteger 
justamente a paz pública, o sentimento coletivo de paz trazido pelo Direito.
Quando os crimes praticados contra a paz pública têm motivação política, 
aplica-se a Lei de Segurança Nacional (arts. 22 a 24).
Ainda, os crimes contra a paz pública são delitos chamados de crimes-obstá-
culo, pois são crimes que devem acontecer para que outros venham na sequência.
O primeiro crime contra a paz pública é o crime de incitação ao crime, 
previsto no art. 286 do Código Penal.
Capítulo 9
Crimes contra a Paz Pública
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É possível observar que somente a prática de incitar o crime já é crime, 
ainda que outro crime não seja cometido.
A pena prevista é detenção de três a seis meses, ou multa. Nota-se aqui que 
a pena não traz gravidade maior.
Faz-se necessário ressaltar que pelo Princípio da Legalidade, como a lei 
trouxe crime, excluem-se as contravenções penais. Desta forma, podem ser in-
citadas as contravenções penais, como o jogo do bicho, por exemplo. Para que 
fossem incluídos os crimes e as contravenções, o texto precisaria trazer o termo 
\u201cinfração penal\u201d, já que este é o gênero.
2. Apologia de Crime ou Criminoso
2.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime denominado apologia de crime ou 
criminoso.
2.2 Síntese
O crime denominado apologia de crime ou criminoso não é apenas relacio-
nado ao fato, mas também à pessoa.
Apologia é um enaltecimento, um forte elogio no sentido de valorizar o 
crime ou o criminoso.
Exemplo: a denominada Marcha da Maconha não trouxe o crime de apo-
logia. Usar droga não é crime, o crime é transportar a droga, portar a droga 
para consumo pessoal e não o uso. De tal forma, a Marcha da Maconha faz 
apologia, mas a um fato atípico e não a um crime.
O art. 287 do Código Penal dispõe:
\u201cArt. 287. Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de 
crime:
Pena \u2013 detenção, de três a seis meses, ou multa.\u201d
Quando se fala em fato criminoso, refere-se a uma situação concreta, não 
podendo se tratar de opinião.
Ainda, basta que se faça apologia ao fato ou ao autor de crime, de forma 
alternativa.
Faz-se necessário entender que a palavra \u201ccrime\u201d designa o afastamento das 
contravenções penais, em razão do Princípio da Legalidade Estrita ou Princí-
pio da Taxatividade.
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O crime de apologia de crime ou criminoso traz uma carga objetiva pelo 
Princípio da Legalidade, mas existe um aspecto que trabalha com a valoração 
do magistrado.
3. Associação Criminosa
3.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de associação criminosa.
3.2 Síntese
A expressão quadrilha ou bando não mais existe. Tal crime era praticado 
quando quatro ou mais pessoas se uniam para praticar crimes.
É preciso entender que o art. 288 do Código Penal não foi revogado, mas o 
legislador colocou no lugar da nomenclatura quadrilha ou bando a expressão 
associação criminosa.
A primeira mudança, portanto, foi a expressão quadrilha ou bando que não 
mais existe, dando lugar à expressão associação criminosa.
A segunda mudança se dá no número de pessoas que, no caso de quadrilha 
ou bando, seriam quatro ou mais e, em se tratando se associação criminosa, o 
número é de três ou mais integrantes.
A terceira diferença se dá no parágrafo único, que trazia aumento de pena 
pela utilização de armas. Hoje, a questão das armas foi mantida, mas também 
aumenta pena se houver participação de criança ou adolescente.
Indaga-se se houve revogação do crime de quadrilha ou bando. Primei-
ramente, é preciso observar que não ocorreu abolitio criminis, mas sim uma 
readequação normativa da tutela penal dos crimes contra a paz pública.
Faz-se necessário entender que a parte da novidade legislativa que trouxe 
alteração do número de integrantes foi prejudicial, pois é preciso que seja utili-
zado o Princípio da Irretroatividade da Lei Penal mais Gravosa.
4. Constituição de Milícia Privada
4.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de constituição de milícia privada.
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4.2 Síntese
O crime de constituição de milícia privada está previsto no art. 288-A do 
Código Penal, que dispõe:
\u201cArt. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização 
paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar 
qualquer dos crimes previstos neste Código:
Pena \u2013 reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.\u201d
Apesar de seu nome se constituir milícia privada, observa-se que milícia 
particular é somente uma das hipóteses trazidas pela lei.
Os verbos do tipo são: constituir, organizar, integrar, manter ou custear.
Os objetos do crime são: organização paramilitar, milícia particular, grupo 
ou esquadrão.
O elemento subjetivo ou dolo específico é: com a finalidade de praticar 
qualquer dos crimes previstos neste Código.
Nota-se que pelo Princípio da Taxatividade existe uma amarra para aplica-
ção do art. 288-A, uma vez que traz o termo \u201ccrimes previstos neste Código\u201d.
Como se trata de uma coletividade de pessoas é preciso que haja, no míni-
mo, duas pessoas.
Exercício
63. Sobre o delito de quadrilha ou bando, a Lei nº 12.850/13:
a) Sofreu abolitio criminis.
b) Foi tacitamente revogada.
c) Ganhou um novo contorno normativo.
d) Não sofreu alteração.
1. Falsificação de Documento Público e 
Particular
1.1 Apresentação
Nesta unidade, iniciaremos o estudo dos crimes contra a fé pública.
1.2 Síntese
Vejamos o art. 297 do Código Penal: \u201cFalsificar, no todo ou em parte, docu-
mento público, ou alterar documento público verdadeiro.\u201d
Vejamos também o art. 298 do Código Penal: \u201cFalsificar, no todo ou em 
parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro.\u201d
Bens jurídicos tutelados: 
I \u2013 fé pública;
II \u2013 autenticidade dos documentos;
Capítulo 10
Crimes contra a Fé Pública
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III \u2013 principal requisito: imitação da verdade;
IV \u2013 caso contrário, não há como ofender a fé pública.
Só a imitação tem a possibilidade de causar dano. Que aquele documento 
falso interfira nas relações jurídicas.
São crimes dolosos, não é possível a modalidade culposa.
A falsificação grosseira não é crime de falso.
Sujeito Passivo é o Estado.
Sujeito Ativo pode ser qualquer pessoa.
De acordo com o art. 297, § 1º do Código Penal:
\u201cSe o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do 
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.\u201d
Requisitos de documentos devem ter 4 elementos:
\u2013 forma escrita;
\u2013 autor determinado;
\u2013 conteúdo;
\u2013 capacidade de ser utilizado como meio de prova.
Pinturas, gravuras, composições musicais não são considerados documen-
tos, podem ser objeto, material de crime, mas não documento.
O conteúdo consiste na declaração de vontade ou expressão de fato.
Exercício
64. Avalie as questões a seguir: 
De acordo com o STJ, a falsificação