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DisciplinaDireito Penal I63.616 materiais1.033.132 seguidores
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vejamos o art. 297 do Código Penal:
\u201cFalsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento 
público verdadeiro:
Pena \u2013 reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
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§ 1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se 
do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.\u201d
Vejamos ainda o art. 298 do Código Penal:
\u201cFalsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento 
particular verdadeiro:
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.\u201d
Na falsidade material, o falsificador não possui legitimidade para elaborar 
o documento.
Exemplo: criar uma carteira de identidade (falsidade material).
Em regra, é necessária a perícia. 
A própria forma do documento é falsa. 
Há vício no documento.
No crime de falsidade ideológica, o conteúdo que é falso tem que ter aptidão 
por si só que é falso.
Potencialidade lesiva, aquele conteúdo não tem como provar o fato narrado.
O advogado que protocoliza petição inicial narrando fatos falsos, não con-
figura falsidade material por ele estar apenas requerendo, e terá que provar os 
fatos narrados.
Exercícios
71. (Analista Judiciário \u2013 2009) No delito de falsidade ideológica o do-
cumento é formalmente perfeito, sendo falsa a ideia nele contida.
72. (Magistratura MG \u2013 2005) A inserção de declaração falsa em petição 
inicial, na qual se expõe ao juiz determinada pretensão, não configura 
o crime de falsidade ideológica (art. 299, CP).
6. Uso de Documento Falso
6.1 Apresentação
Nesta unidade, analisaremos o crime de uso de documento falso.
6.2 Síntese
O crime de uso de documento falso está previsto no art. 304 do Código 
Penal. Vejamos: \u201cFazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a 
que se referem os arts. 297 a 302:
Pena \u2013 a cominada à falsificação ou à alteração.\u201d
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Como pressuposto desse crime, temos um crime de falsidade material e 
ideológica.
O agente comete o crime quando ele tem consciência, ou seja, quando faz 
uso do documento com uma finalidade específica.
O uso pode ser espontâneo, ou porque houve exigência da autoridade.
Atenção: fazer uso é diferente de portar, pois portar documento falso não é 
mesma coisa que usar.
Exemplo: andando na rua portando um documento falso, o policial abor-
da, tira do bolso uma identidade e diz a ele que é falsa, e a pessoa confirma 
que é falsa.
Ele cometeu o uso de documento falso?
Não, pois não fez uso do documento e sim o porte dele.
Pode ser preso em flagrante pelo documento?
Não, pois não estava em uso.
Não haverá flagrante se o agente tiver portando um documento falso. Crime 
será se ele tiver falsificado.
O agente falsifica o documento e, em um segundo momento, faz o uso. 
Responderá somente pelo falso, e não pelo uso, segundo o posicionamento 
predominante. 
Um segundo posicionamento minoritário: a pessoa responde tão somente 
pelo uso e não pelo falso. O crime de falso é absorvido pelo de uso.
A pessoa tem uma carteira de identidade falsa, e faz uso para omitir antece-
dentes criminais, na presença de uma autoridade policial. Ele responde pelo 
crime de falso?
Segundo o STJ, se a pessoa usou carteira de identidade para esconder an-
tecedentes criminais, está exercendo seu direito constitucional de defesa, de se 
manter em silêncio. Portanto, não seria crime.
Num segundo posicionamento, ele responde sim pelo crime, pois o docu-
mento falso possui potencialidade para ofender a fé pública.
Exercício
73. (Magistratura TRT 1ª Região \u2013 2010) Ante a ausência de espontanei-
dade, não há crime de uso de documento falso, quando o agente o 
exibe para sua identificação em virtude da exigência por parte da auto-
ridade policial.
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7. Falsa Identidade
7.1 Apresentação
Nesta unidade, analisaremos o crime de falsa identidade.
7.2 Síntese
Vejamos o art. 307 do Código Penal: \u201cAtribuir-se ou atribuir a terceiro falsa 
identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar 
dano a outrem:
Pena \u2013 detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui 
elemento de crime mais grave.\u201d
Tipo penal: atribuir-se para si ou atribuir à terceira pessoa falsa identidade, 
para obter vantagem ou em proveito próprio.
Identidade são dados referentes ao indivíduo que o identifica e o distingue 
dos demais, como: nome, sexo, identidade civil.
A identidade seria tão somente a identidade física da pessoa, porém, essa 
identidade não predomina, e sim num sentido amplo.
O agente só vai responder se ele não tiver cometido um crime mais grave, 
é um crime subsidiário.
O agente troca a foto do seu RG. Qual crime ele pratica?
Ele responde por crime por falsificação de documento público.
Crime de falso: preenchimento de papel assinado em branco.
Se a pessoa que estava autorizada a preencher e preencheu de maneira 
diferente, ocorre a falsidade ideológica.
Se não tinha autorização para preencher, ocorre o crime de falsidade ma-
terial. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, 
é por este absorvido.
O crime de falso prevalece sobre o crime de estelionato, pois ofende o bem 
jurídico.
Exercícios
74. (Defensor Público \u2013 ES \u2013 2009) Ao ser abordado por policiais militares 
em procedimento rotineiro no centro da cidade aonde mora, o indiví-
duo se identifica com outro nome a fim de prover antecedentes penais. 
Esse indivíduo praticará o delito de falsa identidade.
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75. (Magistratura \u2013 MG \u2013 2004) José Maria recebeu de Mário de Souza, 
seu amigo, que precisava viajar, um cheque assinado em branco, para 
que fosse preenchido com o valor da prestação de um financiamento 
em atraso, acrescido de juros e mora, cujo montante ele desconhecia. 
Traindo a confiança do amigo José Maria, preencheu o cheque com 
valor muito superior ao débito, e foi ao banco para descontá-lo. O caixa 
do banco, porém, desconfiado de alguma coisa ligou para Mário, de 
quem também era amigo. Acabando com os planos de José Maria, 
chamou a polícia na hora, que efetuou a prisão em flagrante. Qual o 
crime praticado:
1. Peculato
1.1 Apresentação
Nesta unidade, iniciaremos a análise dos crimes contra a Administração 
Pública.
1.2 Síntese
O peculato está na Parte Especial do Código Penal, no Título XI, dos Crimes 
contra a Administração Pública.
Peculato: crime praticado por funcionários públicos.
Vejamos o art. 312 do Código Penal: \u201cApropriar-se o funcionário público 
de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que 
tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena \u2013 reclusão, de dois a doze anos, e multa.\u201d
Capítulo 11
Crimes contra a 
Administração Pública
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Bem jurídico tutelado: moralidade administrativa, probidade e o patrimônio.
Elementos: no crime de peculato, existe várias modalidades; o art. 312 prevê 
o chamado peculato apropriação e também peculato desvio. 
Vejamos o § 1º do art. 312 do Código Penal:
\u201cAplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a 
posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, 
em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a 
qualidade de funcionário.\u201d
Esse parágrafo prevê o peculato furto, também chamado de impróprio.
E o § 2º prevê o peculato culposo. Vejamos: 
\u201cSe o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena \u2013 detenção, de três meses a um ano.\u201d
O funcionário público apropria-se do objeto material