48403 OABDPE2 11122013
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Nesta unidade, analisaremos o crime de resistência.
10.2 Síntese
Vejamos o art. 329 do Código Penal: \u201cOpor-se à execução de ato legal, 
mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a 
quem lhe esteja prestando auxílio: 
Pena \u2013 detenção, de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos.\u201d
No crime de resistência, o agente se opõe à execução de ato legal, mediante 
violência ou ameaça. 
Atenção: a lei não fala em grave ameaça, apenas ameaça.
Sujeito ativo do delito: qualquer pessoa.
Sujeito passivo do delito: o Estado e secundariamente o funcionário pú-
blico que estava cumprindo o ato legal ou particular que estavam prestando 
auxílio.
No crime de resistência, o agente se opõe a um ato legal.
Basta que ele seja legal, independente de ser justo ou injusto.
Só comete resistência quando o agente comete a oposição mediante vio-
lência ou ameaça. Se o agente se opõe, a prática do ato legal sem violência não 
caracteriza o crime.
A violência ou a ameaça deve ser dirigida a outro funcionário público ou 
um terceiro que esteja auxiliando o funcionário público.
Às vezes, quem pratica o ato de resistência não é a mesma pessoa que irá 
sofrer o constrangimento.
O ato não precisa estar sendo executado com relação àquela pessoa, mas 
sim um terceiro, como a mãe, por exemplo.
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Pode acontecer, em razão da resistência, que o ato não seja executado. Nes-
ta hipótese, ocorre a qualificadora do § 1º. Vejamos:
\u201c§ 1º Se o ato, em razão da resistência, não se executa: 
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.\u201d
No art. 329, caput, a pessoa se interpõe à execução ato, mas ele é realizado. 
Já no § 1º ocorre a oposição, todavia, o ato deixa de ser realizado.
Além do crime de resistência, a pessoa irá responder pela violência empre-
gada. Se da resistência também existiu lesão corporal, por exemplo, as penas 
serão somadas, pois será considerada a prática de 2 crimes.
Segundo predomina na doutrina, as vias de fato estariam absorvidas pela 
resistência, entretanto, quanto aos outros crimes ocorreria concurso de crimes.
A discussão da doutrina é se seria concurso material ou formal impróprio, 
contudo, a consequência é a mesma: a soma das penas.
O crime de resistência pode estar relacionado com o crime de roubo. Uma 
primeira doutrina acredita que só responderá por roubo porque a violência é 
resultado do crime de roubo.
Um segundo posicionamento acredita serem crimes autônomos que defen-
dem bens jurídicos autônomos e, por isso, seriam dois crimes isolados.
O STJ adota o primeiro posicionamento.
Exercício
88. Não caracteriza o crime de resistência o ato de permanecer parado sem 
colaborar para execução do ato legal.
11. Desobediência
11.1 Apresentação
Nesta unidade, analisaremos o crime de desobediência.
11.2 Síntese
A desobediência está prevista no art. 330 do Código Penal. Vejamos: \u201cDeso-
bedecer a ordem legal de funcionário público: 
Pena \u2013 detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e multa.\u201d
Sujeito Ativo: qualquer pessoa, já que é um crime cometido por particular.
Sujeito Passivo: primariamente, o Estado e, secundariamente, o funcioná-
rio público.
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O funcionário público pode ser sujeito ativo de crime de desobediência?
O primeiro posicionamento diz que sim. Funcionário público que descum-
pre uma ordem independentemente de hierarquia responde pela desobediência.
Às vezes, o funcionário público descumpriu uma ordem para agradar inte-
resse pessoal. Nesse caso, seria prevaricação.
O segundo posicionamento é que funcionário público não pode responder 
pelo crime de desobediência, porque este seria um crime cometido por parti-
cular contra a Administração Pública.
Terceiro posicionamento diz que vai depender. Se a ordem estiver relacio-
nada com exercício de sua função, ele não responderá por desobediência; caso 
contrário, responderá.
A ordem para ser desobedecida deve ser legal. O funcionário público deve 
ser competente e a ordem deve ser dirigida expressamente a um indivíduo que 
tenha o dever de cumprir a ordem.
Crime praticado por uma ação ou omissão (ordem de fazer ou não fazer).
Ordem de fazer: a pessoa deve fazer algo. Se ela não faz, comete o crime. 
A conduta é omissiva.
Ordem de não fazer: a conduta típica de desobedecer é uma ação. A con-
duta é comissiva.
Na hipótese da ordem de fazer praticada por omissão, não cabe tentativa, 
porque se o agente teria que fazer e não fez, o crime estará consumado. É 
crime unissubsistente.
Entendem a doutrina e a jurisprudência, se a pessoa cumular a desobediên-
cia com uma hipótese prevista em lei como sanção para descumprimento do 
ato, que não haverá que se falar em desobediência.
O crime é subsidiário porque se já existir uma sanção não penal para des-
cumprimento daquela ordem, o agente não irá responder pelo crime de 
desobediência.
Exercício
89. O crime de desobediência:
a) Só pode ser praticado por uma ação.
b) Será punido apenas com multa se for culposo.
c) Ocorre independentemente da legalidade da ordem.
d) Exige violência ou grave ameaça.
e) Não prescinde de dolo, ainda que eventual.
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12. Desacato
1.1 Apresentação
Nesta unidade, analisaremos o crime de desacato.
1.2 Síntese
O crime de desacato está previsto no art. 330. Vejamos: \u201cDesobedecer a 
ordem legal de funcionário público: 
Pena \u2013 detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, e multa.\u201d
Sujeito ativo: qualquer pessoa, já que é um crime praticado por particular.
Sujeito Passivo: Administração Pública e o desacatado.
Funcionário Público pode ser sujeito ativo de desacato?
Um primeiro posicionamento diz que sim. O funcionário público pode 
cometer desacato independentemente de estar no exercício de suas funções 
ou não.
Um segundo posicionamento diz que vai depender da sua inferioridade e 
hierarquia.
Um terceiro posicionamento diz que um funcionário público não pode co-
meter crime de desacato, pois seria um crime praticado somente por particular.
Hoje, o primeiro posicionamento é o que predomina na Jurisprudência 
Brasileira. 
Desacatar funcionário público no exercício de sua função ou em razão da 
função.
Desacatar: ofender o funcionário público.
O funcionário público deve estar no exercício de sua função ou em razão 
de sua função. Imaginemos um promotor que está trabalhando e uma pessoa o 
ofende. Estará cometendo desacato.
Quando o funcionário estiver no exercício de sua função, não poderá ser 
desacatado. 
Às vezes, o funcionário não está no exercício de sua função, mas o desacato 
é em razão dela.
Ainda que o funcionário não esteja exercendo sua função, mas se a humi-
lhação for em razão da função, ocorrerá o desacato.
Detalhe: para ter desacato, a humilhação precisa ser na presença do fun-
cionário público. O funcionário deve perceber a ofensa no momento em que 
ela é proferida.
Supondo que o funcionário público fique sabendo que tem alguém o ofen-
dendo fora de sua presença, estará esta pessoa cometendo crime contra honra, 
mesmo que seja em razão da função, mas longe de sua presença.
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A consumação se dará quando o funcionário público tomar ciência da ofensa. 
O ato de desacato deve ter aptidão para ofender, independentemente se ele se 
sinta ofendido ou não.
Predomina que não é possível a tentativa. 
Crime unissubsistente: não é possível fracionar a execução.
Um posicionamento minoritário traz que existe tentativa de desacato. Traz 
hipóteses de ofensa por escrito, e que não dê tempo de o funcionário ler, por 
circunstâncias alheias à sua vontade.
Será que seria possível a pessoa responder