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DisciplinaDireito Penal I62.920 materiais1.027.629 seguidores
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ma centralizado de liquidação e de custódia, não constitui crime, 
mas mera infração administrativa. 
3. Dos Crimes contra as Finanças Públicas II
3.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados aspectos relevantes sobre os chamados 
crimes contra as finanças públicas, os quais foram inseridos no nosso or-
denamento jurídico pela Lei nº 10.028/2000. Será tratado mais especifi-
camente, o delito previsto no art. 359-C do Código Penal.
3.2 Síntese
Vejamos o delito de assunção de obrigação no último ano de mandato ou 
legislatura, previsto no art. 359-C: 
\u201cOrdenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadri-
mestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser 
paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exer-
cício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de 
caixa:
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.\u201d
É um delito próprio, como todos os outros, inclusive, podendo apenas ser 
praticado por funcionário público. 
Tutela-se o equilíbrio das contas públicas, dos atos levianos dos governantes 
que, estando prestes a deixar o governo, comprometem o orçamento do próxi-
mo exercício.
A definição de funcionário público está no art. 357 do Código Penal con-
forme já visto. 
Trata-se do funcionário público chefe do poder, ou integrante do legislati-
vo. Inclui-se também o chefe do Ministério Público, quando tem autonomia 
para controlar os gastos.
Deve o gestor público agir ao menos dolosamente, com o intuito de preju-
dicar o seu sucessor, ou seja, ele deve ter o conhecimento de que a despesa não 
poderá ser paga no mesmo exercício financeiro. 
Vejamos hipóteses de exclusão de ilicitude ou de culpabilidade em relação 
ao art. 359-C. 
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O art. 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal diz que não há crime quando 
as despesas contraídas no final do exercício, objetivarem calamidade pública 
ou extraordinárias, para atender urgências necessárias.
Exercício
108. (Assistente Jurídico \u2013 DF \u2013 2001) Acerca dos crimes contra as finan-
ças públicas, julgue os itens que se seguem (colocar \u201cC\u201d para Certo e 
\u201cE\u201d para Errado).
a) ( ) Pratica crime contra as finanças públicas o funcionário públi-
co responsável pela ordenação de despesa que a ordena quando 
não estava autorizada por lei.
b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. Um governador de 
estado, sete meses antes do término do seu mandato, autorizou 
administrativamente o pagamento de uma gratificação extraor-
dinária a ocupantes de cargos comissionados na administração 
direta, aumentando consideravelmente a despesa total com pes-
soal prevista na lei orçamentária. Nessa situação, o governador 
responderá por crime contra as finanças públicas, consistente no 
aumento de despesa total com pessoal no último ano do mandato 
ou legislatura.
c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. Um prefeito mu-
nicipal, onze meses antes do término do mandato, autorizou o 
secretário de saúde a assumir obrigação cuja despesa não poderia 
ser paga no mesmo exercício financeiro. Nessa situação, o pre-
feito praticou crime contra as finanças públicas, consistente na 
assunção de obrigação no último ano do mandato.
d) ( ) Autorizar a inscrição em restos a pagar de despesa que não 
tenha sido previamente empenhada tipifica crime contras as fi-
nanças públicas, na modalidade inscrição de despesas não empe-
nhadas em restos a pagar.
e) ( ) O funcionário público que deixa de expedir ato de sua respon-
sabilidade determinando limitação de empenho e movimentação 
financeira, nos casos e condições estabelecidos em lei, pratica cri-
me contra as finanças públicas.
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4. Crimes contra as Finanças Públicas \u2013 
Art. 359-D
4.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados aspectos relevantes sobre os chamados 
crimes contra as finanças públicas, os quais foram inseridos no nosso or-
denamento jurídico pela Lei nº 10.028/2000. Serão tratados mais espe-
cificamente, os delitos previstos nos arts. 359-D, 359-E, 359-F, 359-G e 
359-H do Código Penal. 
4.2 Síntese
Vejamos o art. 359-D, que trata do crime de ordenação de despesa não 
autorizada: 
\u201cOrdenar despesa não autorizada por lei: 
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.\u201d
Quando devidamente justificada a despesa, deslegitimada encontra-se a 
possibilidade de punir a conduta, ao menos penalmente.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul recebeu recursos para a 
aquisição de computadores, com tempo que impossibilitava a concorrência 
na modalidade técnica e preço. Os dirigentes da unidade fizeram, então, am-
pla pesquisa de preço e promoveram a compra mais vantajosa, com base no 
dispositivo que autoriza a compra emergencial, sem licitação. Em auditoria, 
observou-se a irregularidade do ato, visto que o instituto da emergência so-
mente é cabido quando se caracteriza risco à segurança de pessoas ou bens, ou 
situação de imprevisibilidade. Baseando-se no fato de que não houvera qual-
quer prejuízo para o erário, o ministro relator, resolveu em caráter excepcional, 
relevar a multa, e recomendou que o órgão repassador liberasse os recursos em 
tempo mais dilatado. 
Vejamos agora o art. 359-E que trata da prestação de garantia ociosa: 
\u201cPrestar garantia em operação de crédito sem que tenha sido constituída 
contragarantia em valor igual ou superior ao valor da garantia prestada, na for-
ma da lei: 
Pena \u2013 detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.\u201d
Exige-se a comprovação do perigo concreto de lesão às finanças públicas ou 
ao equilíbrio das contas públicas.
Trata-se, portanto, de crime de perigo concreto a um bem jurídico de na-
tureza supraindividual.
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As instituições financeiras exigem aval da União para os empréstimos aos 
estados e municípios. Em razão da inadimplência, parte da dívida desses entes 
passou a ser transferida para a União. 
Para evitar esse ato irresponsável, o tipo penal proíbe a prestação de garan-
tia graciosa.
Vejamos agora o art. 359-F, que traz o crime de não cancelamento de restos 
a pagar: 
\u201cDeixar de ordenar, de autorizar ou de promover o cancelamento do mon-
tante de restos a pagar inscrito em valor superior ao permitido em lei: 
Pena \u2013 detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.\u201d
Trata-se do único crime omissivo do capítulo. A consumação desse delito 
se dá no momento em que se escoa o prazo para que o agente ordene, autorize 
ou promova o cancelamento. 
Para que se possa punir a conduta, há a necessidade de que o agente não 
tenha qualquer responsabilidade, a título de dolo, em relação à inscrição, pois 
aí se enquadraria no art. 359-B. 
Por ser um crime omissivo próprio, não admite tentativa ao contrário dos 
demais crimes previstos no capítulo.
Vejamos agora o art. 359-B:
Proibi o administrador de aumentar despesa com pessoal, a fim de angariar 
votos futuros.\u201d
A norma busca tutelar o caráter ético.
Tal atitude desequilibra o jogo democrático, que pode deixar o que está no 
poder em mais vantagem em relação a outro.
\u201cArt. 359-G. Ordenar, autorizar ou executar ato que acarrete aumento de 
despesa total com pessoal, nos cento e oitenta dias anteriores ao final do man-
dato ou da legislatura: 
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.\u201d
\u201cArt. 359-H. Ordenar, autorizar ou promover a oferta pública ou a colo-
cação no mercado financeiro de títulos da dívida pública sem que tenham 
sido criados por lei ou sem que estejam registrados em sistema centralizado de 
liquidação e de custódia: 
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.\u201d
É importante frisar a exceção prevista no art. 359-F, do delito de não 
cancelamento de restos