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DisciplinaDireito Penal I59.775 materiais1.002.588 seguidores
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a pagar, o qual configura um delito omissivo, ao con-
trário de todos os outros crimes previstos neste capítulo. Portanto, em relação 
à conduta, este delito é o praticado por uma conduta omissiva, facilmente 
identificável pela expressão \u201cdeixar de\u201d, conforme constante logo no começo 
do tipo penal. 
1. Crimes contra a Organização do Trabalho \u2013 
Introdução
1.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos os crimes contra a organização do trabalho.
1.2 Síntese
Os crimes contra a administração do trabalho têm fundamento legal e cons-
titucional. Todo crime tipificado no Brasil protege um bem previsto na Cons-
tituição. Se tiver crime protegendo bem que não está na Constituição, ele será 
inconstitucional.
Bem da vida: liberdade, patrimônio, organização do trabalho. Alguns dos 
bens da vida são protegidos pelo direito e passam a ser um bem jurídico. No 
direito penal, é chamado bem jurídico penal.
Capítulo 14
Crimes contra a 
Organização do Trabalho
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Fundamentos da República: os principais fundamentos são a dignidade da 
pessoa humana e os valores sociais no trabalho e na livre-iniciativa.
No art. 6º da Constituição, está como direito social o trabalho; a dignidade 
da pessoa humana é o fundamento constitucional e de todos os outros ramos 
do direito.
O art. 6º da Constituição traz um rol exemplificativo de direitos sociais, e 
tem o trabalho expressamente previsto e tutelado. 
Nos §§ 1º e 2º do art. 9º, está previsto o direito de greve. O excesso implicará 
em responsabilização civil, penal e administrativa do agente.
Os crimes contra a organização do trabalho têm fundamento nos arts. 197 
a 207 do Código Penal. Esses crimes tutelam o bem da vida, trabalho, consti-
tucionalmente previsto.
Existe um direito penal tutelando o bem jurídico da atividade laboral.
2. Bem Jurídico e Competência
2.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o bem jurídico e competência.
2.2 Síntese
A competência está prevista no art. 109, IX, da Constituição, que determina 
que a competência para julgar os crimes contra a organização do trabalho é da 
justiça federal.
Há dois tipos de crime contra a organização do trabalho no que diz respeito 
à competência. O STF subdivide os crimes contra a organização do trabalho 
de acordo com o bem jurídico atingido, o trabalhador, ou o órgão coletivo atin-
gido pela conduta, que são de competência da Justiça Federal, de acordo com ao 
art. 109, inciso VI.
Num outro plano, crimes que ofendem o trabalhador individualmente. In-
dividualmente são interesses individualizados.
Quando há um fato que irradia apenas para um dos trabalhadores, a com-
petência é da Justiça Estadual.
A Súmula nº 115 do extinto Tribunal Federal de Recursos, diz que compete 
à Justiça Federal processar e julgar os crimes contra a organização do trabalho, 
quando tenha por objeto a organização geral do trabalho ou direitos dos traba-
lhadores considerados coletivamente.
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Segundo o Recurso Extraordinário nº 469.632, PA, Marco Aurélio: Crime 
de organização do trabalho versus inobservância de direitos trabalhistas: Deve-
-se sopesar o quadro fático delineado soberanamente pela corte de origem, e o 
julgamento do recurso extraordinário, cujas razões vinculam a caracterização 
de crime contra a organização do trabalho. O simples fato de haver o des-
cumprimento de normas trabalhistas, prevendo direitos dos trabalhadores, não 
configura o crime a ponto de deslocar a competência para a Justiça Federal.
Outro Recurso Extraordinário de importante leitura e o nº 555.530, bem 
como os informativos nos 33 e 258. 
3. Atentado contra a Liberdade de Trabalho 
(Arts. 197 e 198)
3.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o crime de atentado contra a liberdade de 
trabalho previsto nos art. 197 do Código Penal.
3.2 Síntese
Vejamos a redação do art. 197 do Código Penal: 
\u201cConstranger alguém, mediante violência ou grave ameaça:
I \u2013 a exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a traba-
lhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, e multa, além da pena cor-
respondente à violência;
II \u2013 a abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de 
parede ou paralisação de atividade econômica:
Pena \u2013 detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena 
correspondente à violência.\u201d
Sem violência ou grave ameaça, não há o art. 197 do CLT.
Aqui a pessoa quer desempenhar sua atividade, mas a liberdade de escolha 
é atingida.
O \u201calém da pena pela violência\u201d remete ao art. 70 do Código Penal, no 
qual se prevê a cumulação de resultados mediante uma única ação chamada 
concurso formal. Pega-se a pena do crime mais grave e acrescenta a pena de 1/6 
até a metade. Na soma das penas, se o resultado ultrapassar dois anos, perde-se 
a competência para o Juizado Especial Criminal.
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Pena mínima em abstrato até um ano, cabe suspensão condicional do pro-
cesso, mesmo que a pena máxima saia do juizado.
A greve é lícita, mas não quando há violência ou grave ameaça.
Estatuto da igualdade racial traz o art. 4º que diz que a pessoa tem o empre-
go negado por conta de descriminação.
Lei nº 7.853/1989, art. 8º, determina que, negado o emprego por força de 
deficiência mental em atividades que lhe são compatíveis, aplica-se a Lei nº 7.853.
Se compelir trabalhadores a fechar o estabelecimento de forma violenta, 
haverá crime; senão, não haverá crime.
O art. 6º da lei de greve, permite que a greve seja feita de forma pacífica.
4. Atentado contra a Liberdade de Trabalho 
(Art. 198)
4.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o art. 198 do Código Penal.
4.2 Síntese
Vejamos o crime de atentado contra a liberdade de trabalho, e boicotagem 
violenta, do art. 198 do Código Penal: 
\u201cConstranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar 
contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem 
matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, e multa, além da pena cor-
respondente à violência.\u201d
É um crime de competência do Juizado Especial Criminal e também tem 
suspensão condicional do processo.
Existe algum crime em que a pena máxima em abstrato é até dois anos e 
não caiba Jecrim?
Sim, o crime previsto no art. 41 da Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340. Para 
os crimes de violência contra a mulher, não se aplica a Lei nº 9.099. Não se 
aplica o rito sumarissimo e nem a suspensão condicional do processo.
Esse crime tutela o bem jurídico da liberdade do trabalho.
Se existir impedimento no fornecimento de dinheiro mediante grave ame-
aça, sem permitir que o banco realize um financiamento a um empresário, 
não há que se falar no crime do art. 198 do Código Penal, uma vez que este é 
taxativo.
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Delito de boicote é o ato de, mediante violência ou grave ameaça, impedir 
o desenvolvimento de alguma atividade.
5. Atentado contra a Liberdade de Associação 
(Art. 199)
5.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o atentado contra a liberdade de associação, 
do art. 199 do Código Penal.
5.2 Síntese
Vejamos agora o art. 199 do Código Penal: 
\u201cConstranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a participar ou 
deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, e multa, além da pena cor-
respondente à violência.\u201d
A regra do art. 146 do Código Penal vale para quando não há algo mais 
específico. Quando há, desloca do art. 146 para o art. 199.