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DisciplinaDireito Penal I63.497 materiais1.032.754 seguidores
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A detenção é aplicada nos regimes aberto e semiaberto. 
Há multa e pena por violência. A lesão corporal não absorve o delito do art. 
197, porque a lei é expressa no além. Soma-se o resultado típico. Acrescenta-se 
de 1/6 até a metade, por se tratar de concurso formal, onde não se somam as 
penas.
Outros exemplos, arts. 129 e 121.
Cabe suspensão condicional do processo, pois a pena mínima em abstrato 
é de até um ano.
Na suspensão condicional da pena, há todo um processo e uma sentença 
com fixação da pena.
Cabe ainda a Lei nº 9.099 com todos os seus benefícios, inclusive transa-
ção penal, que consiste em um acordo feito entre acusação e a defesa que vai 
oferecer uma pena restritiva de direitos, e se a defesa aceitar, será cumprida, e 
nem haverá processo.
Participação quer dizer ingresso, contribuição. É filiado por vontade pró-
pria e não pode ser compelido. 
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6. Paralisação do Trabalho Seguida de 
Violência ou Perturbação da Ordem (Art. 200)
6.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos o art. 200 do Código Penal.
6.2 Síntese
Vejamos agora o art. 200 do Código Penal: 
\u201cParticipar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando vio-
lência contra pessoa ou contra coisa:
Pena \u2013 detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, e multa, além da pena cor-
respondente à violência.
Parágrafo único. Para que se considere coletivo o abandono de trabalho é 
indispensável o concurso de, pelo menos, três empregados.\u201d
Paralisar a atividade laboral deve ser observado do lado dos empregadores, 
patrões, chefes, que teriam motivo para parar atividade. Na lei trabalhista, os 
fatos são amplos e permitidos.
Do lado dos empregados, se as reivindicações não forem atendidas, haverá 
paralisação.
Enquanto a lei de greve para os agentes públicos não for criada, os agentes 
públicos poderão, sim, fazer greve com base na Lei de Greve.
Coloca-se fogo na única máquina que dá rendimento ao patrão, com o dolo 
de paralisação, pratica-se o art. 200 do Código Penal.
O art. 6º da Lei de Greve permite que, de forma pacífica, você convença os 
colegas a participar da greve, o uso de violência impede o exercício do direito.
Preceito primário é nome para redação legal da infração penal, e o preceito 
secundário é a pena, sanção.
A pena serve para tutelar a relação de trabalho. A pena de violência pode ser 
aplicada mesmo na violência contra a coisa.
7. Paralisação do Trabalho de Interesse 
Coletivo (Art. 201)
7.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a paralisação do trabalho de interesse cole-
tivo, prevista no art. 201 do Código Penal.
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7.2 Síntese
\u201cArt. 201. Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provo-
cando a interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo:
Pena \u2013 detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.\u201d
Discute-se se o art. 201 estaria ou não revogado.
No art. 201, não há violência, a simples paralisação da atividade já ocasiona 
o crime. Este dispositivo é de 1940, a Lei de Greve é de 1989 e o direito cons-
titucional da greve é de 1988.
Se há a construção de um hospital e os funcionários fazem greve de forma 
pacífica. Se acompanhar a literalidade do dispositivo e entender que está em 
vigor, sim, é crime.
Enquanto há a Lei de Greve, há o art. 201 do Código Penal, que são anta-
gônicos. O que é permitido não pode ser proibido. E há um conflito aparente 
de normas.
Não se pode fazer greve em obras públicas e serviços coletivos em razão de 
sua importância. Exemplo: funcionários de controle à dengue.
A amplitude da Lei de Greve não é absoluta. Se fizer nessa situação, rece-
berá pena do art. 201 do Código Penal.
Segundo Júlio Fabbrini Mirabette, não houve revogação, e deve ser feita 
uma interpretação sistemática entre a Lei de Greve e o Código Penal, ou seja, 
a greve nesses casos não deve ser feita.
Há a corrente que defende que pode haver greve nesses casos, desde que 
não paralise totalmente, e haja o mínimo de porcentagem do funcionamento.
A pessoa que recebe a prestação do serviço é a parte hipossuficiente.
8. Invasão de Estabelecimento Industrial, 
Comercial ou Agrícola \u2013 Sabotagem
8.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a invasão de estabelecimento industrial, co-
mercial ou agrícola e a sabotagem.
8.2 Síntese
Para começar a sabotagem, há a invasão de estabelecimento industrial, co-
mercial e agrícola.
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Vejamos o art. 202 do Código Penal: 
\u201cInvadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com 
o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mes-
mo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor:
Pena \u2013 reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.\u201d
Aqui há o elemento subjetivo do injusto, ou dolo específico, que é identifi-
cado com a expressão \u201ccom o intuito de\u201d, \u201ccom o fim de\u201d. Deve haver um dolo 
mais específico do que invadir.
A destruição do tipo penal em estudo foi feita para sabotagem. A mera 
invasão, despreocupada com o encerramento da atividade, configura invasão 
de domicílio.
Havendo a apropriação de bens para venda, ocorre o crime de furto. A espe-
cificidade do dolo é que vai caracterizar a tipificação da conduta.
Pelo fato de a pena ser superior a dois anos, não poderá ser seguindo o rito 
procedimental da Lei nº 9.099. Pela pena mínima ser de um ano, cabe suspen-
são condicional do processo.
Estabelecimento empresarial é gênero de industrial, comercial, ou agríco-
la. É uma questão de terminologia.
O legislador usou o curso normal de trabalhar e não colocou curso excep-
cional de trabalho, que seria um trabalho diferente do realizado pela empresa. 
Há entendimento de que a literalidade do dispositivo não pode inibir o enqua-
dramento.
9. Frustração de Direito Assegurado por Lei 
Trabalhista
9.1 Apresentação
Nesta unidade, estudaremos a frustração de direito assegurado por lei 
trabalhista.
9.2 Síntese
O art. 203 do Código Penal tutela condutas em que se pode vislumbrar 
efetiva prejudicialidade do trabalhador em condutas como retenção de docu-
mento, criação de dívida, etc.
Vejamos o referido artigo: 
\u201cArt. 203. Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela 
legislação do trabalho:
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Pena \u2013 detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspon-
dente à violência.
§ 1º Na mesma pena incorre quem: 
I \u2013 obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabele-
cimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;
II \u2013 impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, me-
diante coação ou por meio da detenção de seus documentos pessoais ou con-
tratuais.\u201d
Há um acréscimo de sanção por frustração com violência, e praticar com 
violência seria outra pena. Não há bis in idem pois há dois bens jurídicos dife-
rentes. Há a organização do trabalho sendo atingida, enquanto a agressão fere 
a integridade física. Está penalizando a tutela do bem jurídico de organização 
do trabalho.
É sabido que, em alguns lugares, fazendeiros selecionam uma série de tra-
balhadores para trabalharem em lugar muito afastado e que o único local para 
compra de mantimentos é o mercado do dono da fazenda, com preços absur-
dos. Logo, o trabalhador não consegue arcar com a dívida, e os juros ampliam 
a dívida. Isso é ilegal, e se encaixa no inciso I.
O empregador diz que a pessoa só pode ir embora se pagar o que deve, o 
que é impossível. 
Entende-se que a pena desse delito é irrisória.
Causa de aumento de pena é fração. Parte da pena do caput e aumenta-se