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é praticado por motivo egoístico a pena é duplicada.
9. Aborto
9.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os chamados \u201ccrimes contra a vida\u201d, 
sendo estudado agora o aborto.
9.2 Síntese
O aborto está previsto nos arts. 124 a 128 do Código Penal. Quem responde 
criminalmente pelo crime de aborto poderá ser a gestante ou um terceiro. A 
gestante responde quando pratica autoaborto ou aborto consentido. Já o tercei-
ro responde quando pratica com ou sem o consentimento da gestante. 
Note que existe uma gradação de penas quando se observa os dispositivos 
acima referidos.
Aborto é cessar a vida dentro do útero da mãe, pois tendo sido iniciado o 
trabalho de parto, os crimes serão de infanticídio ou homicídio, dependendo 
de quem cometeu o crime.
Ressalte-se que para se provar o aborto, é preciso que a perícia prove que há 
vida intrauterina.
Se uma manobra abortiva é praticada durante a gestação, mas a morte do 
feto ocorre após seu nascimento com vida, ainda assim há o aborto, já que a 
conduta abortiva ocorreu durante a gestação. No entanto, se o feto é expulso 
com vida, apesar das manobras abortivas, e o agente pratica uma nova conduta 
para matar a criança, há concurso material entre o aborto tentado e o homicí-
dio ou infanticídio consumado. 
Aborto causado por inobservância de um dever objetivo de cuidado, a ges-
tante não responde, já que não existe aborto culposo. Contudo, se um terceiro 
o pratica de forma culposa, o agente responde por lesão corporal culposa.
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O art. 127 traz a forma qualificada: \u201cAs penas cominadas nos dois artigos 
anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos 
meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza 
grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.\u201d
O art. 126, parágrafo único, cuida do consentimento da gestante. É preciso 
entender que esta gestante deve ser maior e capaz. 
Exercício
9. São de competência do Tribunal do Júri:
a) O autoaborto.
b) Aborto com o consentimento da gestante.
c) Aborto sem o consentimento da gestante.
d) Todas as anteriores.
10. Hipóteses Permissivas do Aborto
10.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os chamados \u201ccrimes contra a vida\u201d, sen-
do estudado agora o aborto e as hipóteses permissivas.
10.2 Síntese
Há duas hipóteses permissivas em lei: o aborto necessário e o aborto senti-
mental. 
O aborto necessário é aquele praticado pelo médico para salvar a vida da 
gestante. Ressalte-se que é permitido por lei quando for a única e última hipó-
tese para se salvar a vida da gestante.
A segunda hipótese é denominada aborto sentimental, que traz o caso em 
que a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da 
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Observe que é desnecessário que haja autorização judicial para que seja 
feito aborto em caso de estupro. Todavia, o médico pode solicitar a autorização 
para que confirme a gravidez resultante de estupro.
Ainda, não é preciso que o estuprador esteja sendo investigado pela polícia 
ou haja uma condenação transitada em julgado para que a gravidez seja inter-
rompida.
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Note, ademais, que o médico, no caso de aborto necessário, não está vincu-
lado ao consentimento da gestante. 
O aborto econômico é aquele em que a mãe mata o próprio filho ou con-
sente para que um terceiro o faça, pois não possui condições financeiras para a 
criação da criança. Tal modalidade não é permitida por lei.
O aborto honoris causa é aquele realizado para salvar a honra da gestante, 
não sendo este permitido pela legislação vigente. 
O aborto eugênico é aquele praticado quando se descobre, por exames mé-
dicos, que o feto tem malformação, sendo este também proibido pela legislação 
pátria.
Exercício
10. Assinale a alternativa verdadeira:
a) Para o aborto necessário, o médico necessita de autorização judicial.
b) Para o aborto sentimental, o médico necessita de autorização judicial.
c) Hipóteses de aborto legais dispensam autorização judicial por não 
caracterizarem infração penal.
d) Além da autorização judicial, o aborto sentimental requer consen-
timento da gestante.
11. Aborto de Feto Anencéfalo
11.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os chamados \u201ccrimes contra a vida\u201d, 
sendo estudado agora o aborto de feto anencéfalo.
11.2 Síntese
A questão do feto anencéfalo diz respeito à gestação de um conjunto de 
células em formato humano, destituído de vida. 
Durante a vigência da lei anterior a 1988, para a interrupção da gestação 
nesses casos, utilizava-se a ADPF como último recurso para o controle da cons-
titucionalidade. 
O STF entendeu que aborto é crime contra a vida e feto anencéfalo não 
possui cérebro, não possuindo vida. Não tendo vida no feto, não há crime con-
tra a vida e, portanto, interrupção de gestação de feto anencéfalo não é aborto. 
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Faz-se necessário entender que o STF não criou norma permissiva para a 
realização do aborto. 
A ementa da ADPF 54 dispõe:
ESTADO \u2013 LAICIDADE. O Brasil é uma república laica, surgindo abso-
lutamente neutro quanto às religiões. Considerações.
FETO ANENCÉFALO \u2013 INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ \u2013 MULHER 
\u2013 LIBERDADE SEXUAL E REPRODUTIVA \u2013 SAÚDE \u2013 DIGNIDADE \u2013 
AUTODETERMINAÇÃO \u2013 DIREITOS FUNDAMENTAIS \u2013 CRIME \u2013 
INEXISTÊNCIA. Mostra-se inconstitucional interpretação de a interrupção 
da gravidez de feto anencéfalo ser conduta tipificada nos artigos 124, 126 e 128, 
incisos I e II, do Código Penal.
Exercício
11. Na ADPF 54, o STF decidiu que:
a) O aborto de feto anencefálico não é crime.
b) O aborto de feto anencefálico é inconstitucional.
c) Não existe aborto em caso de anencefalia.
d) A vida humana começa com a fecundação.
12. Crimes contra a Vida \u2013 Questões Finais
12.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os chamados \u201ccrimes contra a vida\u201d, 
sendo analisadas questões finais acerca do tema.
12.2 Síntese
Se o vírus HIV é transmitido a outra pessoa, de acordo com entendimento 
do STF, não há tentativa de homicídio, ainda que o vírus seja transmitido do-
losamente.
É possível que uma pessoa responda por tentativa de homicídio e homicídio 
consumado contra uma mesma pessoa, desde que em contextos diferentes. 
Se um militar mata um civil, a competência é da Justiça Comum, porém se 
um militar mata um militar a competência é da Justiça Militar. 
É preciso, ainda, diferenciar o crime de periclitação da vida e saúde de 
outrem da tentativa de homicídio. A resposta aqui está no dolo do agente. 
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Quanto ao crime de latrocínio, este não é crime contra a vida, trata-se de 
crime contra o patrimônio.
No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras repara-
ções: I \u2013 no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e 
o luto da família; II \u2013 na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os 
devia, levando-se em conta a duração provável da vida da vítima (art. 948, CC).
Exercício
12. Não é considerado por lei um crime doloso contra a vida:
a) Homicídio privilegiado.
b) Infanticídio.
c) Aborto.
d) Suicídio.
Capítulo 2
Das Lesões Corporais
1. Lesões Corporais
1.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordadas as lesões corporais, crimes previstos no 
art. 129 do Código Penal. Será vista a figura da lesão corporal simples, 
também chamada de lesão corporal leve.
1.2 Síntese
\u201cArt. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena \u2013 detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal seguida de morte