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DisciplinaDireito Penal I63.616 materiais1.033.132 seguidores
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a títu-
lo de dolo e de culpa. Também é sancionado por culpa por ter causado outro 
resultado além do que desejava. A lesão corporal seguida de morte é o melhor 
exemplo, pois o agente é punido pela conduta dolosa, a lesão, e pelo resultado 
culposo, a morte.
No dolo direto, a vontade do agente em busca do resultado criminoso é 
retilínea. Se o agente quer matar a vítima, ele age para que isso ocorra. 
Já no dolo eventual, o agente visa um resultado, mas assume o risco de 
produzir outro resultado, não o quer, mas assume o risco, é indiferente. Ex.: 
racha. O agente que pratica o homicídio decorrente de racha, é indiferente às 
pessoas que estão assistindo.
Na culpa consciente, o agente não deseja o resultado, embora o vislumbre, 
esperando ser possível evitá-lo.
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Na culpa inconsciente, o agente quer atingir determinado resultado, mas 
não vislumbra o que pode acontecer.
O art. 18 do Código Penal prevê: 
\u201cDiz-se o crime:
Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.07.1984)
I \u2013 doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; 
Crime culposo
II \u2013 culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, 
negligência ou imperícia. 
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido 
por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.\u201d
A ação penal será pública incondicionada, mas de competência do Juiz sin-
gular, ou seja, nessa hipótese, apesar do evento morte, o delito não será julgado 
pelo Tribunal do Júri.
Exercício
19. (Magistratura \u2013 SP \u2013 2006) Ao tipificar o crime de \u201clesão corporal se-
guida de morte\u201d, o art. 129, § 3º, do Código Penal (Se resulta morte e 
as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem 
assumiu o risco de produzi-lo) contempla:
a) Uma hipótese exclusiva de crime culposo. 
b) Uma forma exclusiva de dolo direto. 
c) Uma forma exclusiva de dolo eventual. 
d) Uma forma autenticamente preterdolosa.
7. Hipóteses de Diminuição de Pena e Lesão 
Corporal Privilegiada
7.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os crimes de lesões corporais, nas hipó-
teses previstas no § 4º, do Código Penal, qual seja, a lesão corporal pri-
vilegiada, além das hipóteses de substituição de pena, previstas no § 5º.
7.2 Síntese
O crime de lesão corporal privilegiada previsto no § 4º diz que se o agente 
comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob 
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o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o 
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. E diz ainda o § 5º:
\u201cO juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção 
pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I \u2013 se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II \u2013 se as lesões são recíprocas.\u201d
O texto legal é idêntico ao referente ao homicídio privilegiado, previsto no 
art. 121, § 1º. 
O relevante valor social leva em consideração o interesse de ordem coleti-
va. Para o direito, relevante valor é um valor importante para a sociedade, tal 
como o patriotismo, lealdade, inviolabilidade. O relevante valor moral já é algo 
mais individual. 
Vejamos o art. 65 do Código Penal: 
\u201cSão circunstâncias que sempre atenuam a pena:
(...)
III \u2013 ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
(...)
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento 
de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, pro-
vocada por ato injusto da vítima;
(...)
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o 
provocou, além da violenta emoção, que é chamada na doutrina de \u201ctúnel da 
emoção\u201d, apenas se caracterizando após a injusta provocação da vítima.\u201d 
Exercício
20. (Ministério Público Estadual \u2013 PE \u2013 2002) Francisco teve seu carro 
furtado. Soube, por testemunhas, que o autor da subtração foi Fernan-
do. No dia seguinte, localizou-o numa via pública do bairro, dirigindo 
o veículo subtraído, e o abordou. Fernando desferiu-lhe vários golpes 
com uma barra de ferro, causando-lhe ferimentos graves, deixando, a 
seguir, o local com o automóvel que subtraíra. Diante disso, Fernando 
cometeu crime de: 
a) Furto e crime de lesões corporais graves, em concurso material. 
b) Roubo impróprio. 
c) Roubo qualificado pelo resultado, em virtude de ter resultado le-
sões corporais graves. 
d) Furto tentado e crime de lesões corporais graves, em continuação. 
e) Roubo simples e crime de lesões corporais graves, em concurso 
material. 
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8. Lesão Corporal Culposa
8.1 Apresentação
Nesta unidade, serão abordados os crimes de lesões corporais, na hipótese 
prevista no § 6º, do Código Penal, qual seja, a lesão corporal culposa. 
8.2 Síntese
A lesão corporal culposa, prevista no § 6º do art. 129, prevê a pena de de-
tenção, de dois meses a um ano quando a lesão for culposa. 
A lesão culposa é, em verdade, a figura do caput (ofender a integridade cor-
poral ou a saúde de outrem), embora com outro elemento subjetivo: a culpa. É 
um tipo aberto que depende da interpretação do juiz para poder ser aplicado. A 
culpa, conforme o art. 18, II do Código Penal, é constituída por imprudência, 
negligência ou imperícia. Portanto, lesionar alguém por imprudência, negli-
gência ou imperícia concretiza esse tipo penal incriminador. 
O conceito de culpa é o comportamento voluntário desatencioso voltado 
a um determinado objetivo lícito ou ilícito, embora produza resultado ilícito, 
não desejado, mas previsível, que podia ter sido evitado. O dolo é a regra, a 
culpa é exceção e precisa vir delineada no tipo penal. 
Vejamos o inciso II do art. 33 do Código Penal Militar. 
\u201cDiz-se o crime:
Culpabilidade
I \u2013 doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
II \u2013 culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, 
ou diligência ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das circuns-
tâncias, não prevê o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe leviana-
mente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo.
Excepcionalidade do crime culposo
Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido 
por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
Imprudência é a forma ativa de culpa, comportamento sem cautela, reali-
zado com precipitação ou insensatez. Ex.: dirigir em alta velocidade, dentro da 
cidade, onde há pessoas circulando. 
Negligência é caracterizada como forma passiva de culpa. Assume atitude 
inerte por puro descuido ou desatenção, quando tem o dever de cuidado obje-
tivo. Ex.: deixar arma de fogo ao alcance de criança.
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Imperícia é a imprudência no campo técnico, pressupondo um ofício ou 
uma profissão. Incapacidade ou falta de conhecimento necessário para o exer-
cício. Ex.: do médico que deixa de tomar a cautela em relação à assepsia em 
cirurgia.
Na culpa consciente, o agente quer um determinado resultado, mas apesar 
de visualizar outro resultado possível, não o deseja. Não quer que o segundo 
resultado ocorra. 
Na culpa inconsciente, o agente quer atingir determinado resultado e não 
imagina outra possibilidade, embora seja previsível. 
Exercício
21. (Ministério Público \u2013 MG \u2013 2009) Marque a única alternativa COR-
RETA: No meio de uma briga em uma boate, João bateu, proposi-
tadamente, seu copo de uísque no rosto de Zé, vindo a cortar-lhe o 
rosto por 14 cm, além de perfurar seu olho, diminuindo-lhe a visão. O 
Ministério Público ofereceu denúncia contra João por